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terça-feira, 26 de maio de 2009

Foi ha 1 ano no Blog - A Matematica do Manecas

Dizem que quem conta um conto aumenta um ponto. Eu acho que se calhar é mais sofisticado. Gostamos de brincar com a memória e o resultado dessa brincadeira não é apenas um incremento mas sobretudo uma distorção da realidade. Em que acreditamos piamente. Por isso como o filósofo cretense já sabem: tudo o que eu disser aqui é mentira! Passado este intróito e aviso, aqui vai então uma história fantástica do nosso bairro inspirada pela estadia esta semana em Bruxelas. Todos sabemos que cada cidade tem os seus referenciais (Coimbra é o Bairro, claro!). Em Bruxelas há pelo menos três: os mexilhões com batatas fritas. Comidos no Chez Léon são uma delícia. Em Quiaios são uma porcaria. A explicação para tal está condensada em mais uma frase do povo: quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão. E em Bruxelas não há mar, logo... . A segunda referência é a Grand Place, linda de morrer se nos conseguirmos abstrair das pessoas e do lixo circundante. A terceira é o Maneken Piss, um rapazinho a fazer xixi, todo nu, cujo nome nós, sempre criativos, aportuguesámos para Manecas da ... bem estão a perceber, não estão? Como podem ver pela imagem anexa existem duas coisas interessantes: (1) o Manecas é canhoto (como eu) e (2) a trajectória da água é de uma grande beleza matemática pois forma uma parábola perfeita antes de aterrar no lago. Mas isto vinha a propósito de quê? Ah, já sei.
Havia (e há) uma célebre oliveira na Praça dos Baloiços. À época era imponentemente enorme, atarracada hoje, situada na fronteira das casas dos Soares e dos Marcos Franco. Não sei porque carga de água houve um quid pro quo entre dois indígenas da praça, o Victor Soares (conhecido por alguns por Salpicão) e o Pinto Marques (o nosso Piruças). O VS persegue o PM que não tem alternativa senão fugir para cima da dita oliveira. Ao ver que o VS fazia menção de trepar por ali acima sabe-se lá para quê, e na falta de armas especiais, o PM puxou da que tinha mais à mão e que se situava na zona mais alta de entre as pernas (hábitos da época, dirão alguns mais malévolos,...). E, talvez levado pelo medo, fez o que faria a maior parte dos portugueses (e nós do Bairro somos portugueses): mijou(-se). Tão rápido fez a manobra que o VS não pôde senão abrir a boca de espanto. Grande erro, como se verificou logo de seguida. Aquele líquido ligeiramente amarelado e morno, cumprindo o destino, ditado pelas leis da física, descreveu a inescapável parábola e acabou na boca do VS.
Consta que o VS nunca mais na vida bebeu cerveja, nem mesmo quando lhe explicavam que havia uma diferença, pelo menos na temperatura. Eu, quanto a mim, e perante tamanha beleza formal, tomei nesse mesmo instante uma decisão: vou tirar o curso de Matemática! Claro que não cumpri a promessa, mas quem nos pode obrigar a ser coerentes?
Texto de Ernesto Costa (ako Jó-Jó)

PS. O leitor mais atento terá verificado que frisei duas características do Manecas. A ligação à matemática ficou clara. E ser canhoto? Fica para a próxima!

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6 Comentários:

Blogger Manuel Cruz disse...

Nas minhas passagens por Bruxelas ficaram-me referências incontornáveis. A primeira era o comboio que apanhava na cave do aeroporto, numa gare quase vazia mal saía do avião SABENA (velhos tempos) e que minutos depois estava repleta. Instalados na composição estávamos se novo em casa já que por essa altura (e já não vou lá há dez anos), o português era aí a língua oficial.
Depois a saída na gare de Nord, o hotel e uma olhadela ao emblema da Mercedes-Benz que domina a Plce Rogier e que me serviria de noite para nunca me perder.
Havia um caminho obrigatório ate à "De Brocken" (bolsa), o desvio pela Grand Place e, para início das incursões por aquele inventado país o percurso até ao fim da avenida, a gare central.
O Manecas era ponto de passagem obrigatório. Lembro-me da primeira vez, um mundo de japonezes à sua volta. E das fotografias que fiz, ainda na era pré-digital. Quando tiver pachora vou procurá-las, fotos feitas sem sol, o flash é que diz delas.
Agorá o que eu não sabia é que Bruxelas, sede de um estado monárquico tripartido, existe por efeito de uma batalha na Praça dos Baloiços. Eu pensava que a razão era Waterlloo!!! Ainda admitia um português de curto prazo, Spinoza, feito referência universal como judeu flamengo. Mas, pronto, as coisas são o que são.

Manuel Cruz

3:02 p.m.  
Blogger Manuel Cruz disse...

Nas minhas passagens por Bruxelas ficaram-me referências incontornáveis. A primeira era o comboio que apanhava na cave do aeroporto, numa gare quase vazia mal saía do avião SABENA (velhos tempos) e que minutos depois estava repleta. Instalados na composição estávamos se novo em casa já que por essa altura (e já não vou lá há dez anos), o português era aí a língua oficial.
Depois a saída na gare de Nord, o hotel e uma olhadela ao emblema da Mercedes-Benz que domina a Plce Rogier e que me serviria de noite para nunca me perder.
Havia um caminho obrigatório ate à "De Brocken" (bolsa), o desvio pela Grand Place e, para início das incursões por aquele inventado país o percurso até ao fim da avenida, a gare central.
O Manecas era ponto de passagem obrigatório. Lembro-me da primeira vez, um mundo de japonezes à sua volta. E das fotografias que fiz, ainda na era pré-digital. Quando tiver pachora vou procurá-las, fotos feitas sem sol, o flash é que diz delas.
Agorá o que eu não sabia é que Bruxelas, sede de um estado monárquico tripartido, existe por efeito de uma batalha na Praça dos Baloiços. Eu pensava que a razão era Waterlloo!!! Ainda admitia um português de curto prazo, Spinoza, feito referência universal como judeu flamengo. Mas, pronto, as coisas são o que são.

Manuel Cruz

3:02 p.m.  
Blogger olinda Rafael disse...

JójÓ

É bom reler o que escreves!

Mas está a fazer falta a tua escrita actual que gostamos sempre de saborear...

"Pelo teu coração, mexe-te!!!"

Olinda

5:31 p.m.  
Blogger Manuela Curado disse...

Como sempre, muito curiosa a tua explanação.
Engraçada e real, penso...
Já sentira saudades dos teus textos.
A tua criatividade ilumina este BLOG.
Beijinhos e não esqueças...
Volta rápido.

6:23 p.m.  
Anonymous Manuela Dias disse...

Coverso muitas vezes com o Toninho
(Piruças ) e agora quando voltarmos a falar vai ser igual,vai ser rir,pois não vou deixar de falar neste texto.
Jó-Jó já temos saudades... quando vai ser o regresso?
Nela Dias

1:07 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

o Blogue com moderação torna-se monótono, acho que deve ser aberto para toda a gente, caso haja actos de má educação os adms apagam as msg, em relação as polémicas que possam surgir desagradáveis por vezes, quem tem um blogue sujeita-se, foi por isso que eles foram criado. Censura era antes do 25 Abril

9:53 a.m.  

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