JOSÉ LUANDINO VIEIRA

Estas três estórias são o rascunho de uma parte da minha vida. Um dia a passarei a limpo
Exercícios de aprendizagem do meu ofício: Mimha professora - essa tal vida - me deu muitas chapadas e chutos. Mas sempre lhe agradeço o conselho para nunca querer fazer obra acabada. Acabar é morrer.
Por isso aqui vão, assim. Ponto de exame na escola dessa mestra feroz e feliz.
Nasci à quarenta e cinco anos e nunca dei por estar a crescer.
Vivi, escrevi. Engrossei o rio de lágrimas e sangue que me pariu.
Depois lutei contra a corrente. Pelejei com as margens.
Agora, cheguei à foz. Com meus companheiros, os fiéis da vida.
Diante de nós, o mar. Aqui me despeço com estes exercícios escolares e entro o mar com eles. Até onde?
Um escritor, eu, teimoso aprendiz da vida, querendo honrar essa sua mestra d'ofício, vai falar um dia dessas memórias de água e sangue. No por enquanto são estas, de amor e riso.
J. L. V.


2 Comentários:
Aqui,há dias, neste Blogue, foi recordado este escritor.
Lembrei este livro, que li, precisamente, aquando da minha permanência nessa Angola de mistério e maravilha.
Fiquei marcada pela terra e pelo autor.
Luandino,é sempre uma boa aposta.
Tenho pena,mesmo hoje,seja demasiado ignorado,apesar dos importantes prémios que tem ganho.
Faz parte das nossas letras e das nossas palavras(mesmo das que ele próprio inventou).
Faz parte de Angola(nessa parte,para lá de uma grande aprendizagem de "vida",não guardo grandes saudades...).
Luandino devia ser de leitura obrigatória.
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