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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

IR À FRUTA...

IR À FRUTA era uma frase que era uma maneira de nos aconchegarmos o nosso estomâgo coisa que os nossos filhos e netos não compreendem tal a fartura tiveram sempre.
Mas o mal é que eu não deixava tocar em certos quintais onde sabia existir quase fome e o que existia nesses quintais servia para ajudar ás refeições. Mas uma vez uma ida á fruta passou a ser uma vindima!!! Aonde?!!!.., pois, no quintal dos pais do "Tarlitos" vizinhos da Titá e da Ju que na altura da maturação das uvas passava até +-3/4 da manhã a vigiar mas ainda gozaram!!!., depois de terem apanhado mais de um cabaz deram-se ao gozo de deixar um bruta cachoo de +- 1 kg no meio das folhas bem no centro.
Ao outro dia de manhã acordei com os berros do pai do tarlitos "aos filhas da ...." e a mãe a chorar por terem desaparecido as uvas todas(eram um espéctáculo, bagos grandiosos e com um sabor espectacular) por não ter fruta para os filhos.
Eu fiquei fu... e fui logo saber quem tinha feito aquilo na "minha zona" para tratar do assunto e ao fim do dia não sabia quem tinha feito e eu danado. Ao outro dia acordei outra vez com as vozes do pai do tarlitos e a mãe a chorar.... as videiras era umas trepadeiras que o sr. já as deixou altas para se salvaguardar dos "abusos" mas o abusador nessa noite comeu o cacho todo e deixou só um bago na ponta!!!.. e pela altura "tinha de ser alto" pois lá comecei a minha vida á procura quem foi á minha zona porque do grupo achava eu que ninguém me desobedeciam!!..mas desobedeceram. Bem pesquisei pelos grandes do bairro e tinham todos alibis!!! Muito mais tarde é que soube visto que o respeito era muito lindo mas ainda não sei porque nunca lhes perguntei e eram mais pequenos do que eu!!!. mas só com escada ou banco. (tem +-47 anos)
Um abraço para todos
F.Azenha

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Historias Minimas -

Nestes tempos de Euro 2008 adoro ouvir aquelas frases feita de jogadores e treinadores tipo tempos que pensar jogo a jogo” (felizmente, para os que gostam de futebol, ainda não foi preciso dizer agora tempos que levantar a cabeça e pensar no próximo jogo!). É curioso como certas frases ou expressões aparecem e muitas vezes se tornam sinónimos. Exemplo: “o gajo não bate bem da bola” e “o gajo não é bom da cabeça”. É estranho comparar uma bola a uma cabeça. É que no interior da bola temos ar enquanto que dentro de uma cabeça é suposto termos mais qualquer coisa (já sei que muitos estão a pensar em mais uma frase típica: “hoje sinto a cabeça oca”, que torna a semelhança mais plausível. Só que isso acontece normalmente em dia de ressaca. E assim não vale!).
Dei por mim a pensar então se não seriam igualmente verdadeiras outras combinatórias destas frases. Por exemplo: “o gajo bate bem na bola” e “o gajo é bom de cabeça” que é uma espécie de negação da anterior.
E aí entra o Azenha que vivia na rua de Marracuene, ensanduichado entre o Couceiro e o Ni Bomba, em frente da Ana Roque.

Mas antes...
No Bairro, à época da geração XS, não havia muitos desportos radicais. Tirando jogar hóquei nos bueiros, claro. Ou ficar horas sentado no Abrigo ou no café do Sr. Silva a mandar bocas às miúdas, enquanto o Pombalinho não mandava um gajo qualquer para dentro da montra de uns dos cafés (neste particular não éramos esquisitos: qualquer um dos cafés servia!).
Mas havia outra alternativa para a afirmação da radicalidade. Senão vejamos. Alguém já referiu (Elói) que o Bairro estava afinal dividido em duas metades quase iguais (como diria o Massas Específica saudoso professor de Física do D.João III) sendo a Rua F a fronteira. No meu tempo a radicalidade alternativa significava fazer parte do grupo do Azenha e andar à pancadaria com os yé-yés e aparentados. Há uma cena curiosa quando em pleno campo de batalha (Praça dos Baloiços) o inimigo acertou uma fisgada no Azenha. O Azenha carregou com o pedaço de mangueira que trazia na mão e foi vê-lo a fazer recuar os yés-yés até às trincheiras de suas casas. Acho que o Adão foi quem mais gemeu.

Regressemos às questões de antropologia cultural...

De onde vinha esta capacidade guerreira do Azenha? Da educação esmerada que teve. Creio que esse é um dos grandes problemas das gerações mais recentes: falta-lhes educação cuidada!

O pai do Azenha era sub-chefe da polícia. Não era único: também o pai da e da Titá o era. E mandava lá no bairro. Pelo aspecto das moças o progenitor não as educou como devia ser! Se não vejam. O sub-chefe Azenha era uma pessoa de trato fino, e por isso educou o filho partindo-lhe vassouras nas costas ou amasiando-lhe as ditas a vergastadas com o cinto ou a mangueira. Mas o Azenha não tugia nem mugia. Aliás o Azenha tinha uma arte muito especial. Retirava as maçaneta das portas de casa, cerrava a parte de encaixe, limava e as ditas ficavam prontas pensam vocês para o hóquei. Errado! Isso era para o comum dos mortais. Para ele era para jogar basket. Como? Bem lembram-se daquelas cenas por cima das portas de entrada? Uma armação de cimento formando um rectângulo cuja utilidade sempre me escapou. Vejam foto anexa que ilustra melhor do que mil palavras o referido objecto.

Como o Azenha não tinha metafísicas -- produto de educação pragmática, desafiava mesmo as leis do bom senso: à cabeçada na ex-maçaneta transformada em bola luzidia mostrava que era possível fazê-la passar pelo buraco da dita armação.
E lá está a prova: o Azenha era bom com a bola e tinha uma grande cabeça! Depois teve uma meningite. Das complicadas. Mas que era isso comparado com as meiguices do pai? Nada. Por isso sobreviveu sem problemas. Era um grande amigo e safou-me de muitas situações embaraçosas. Não sei dele mas aqui o recordo.
Texto do Jó-Jó


jáPub.14.6.08

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sábado, 14 de junho de 2008

Histórias Mínimas (II): o Azenha

Nestes tempos de Euro 2008 adoro ouvir aquelas frases feita de jogadores e treinadores tipo tempos que pensar jogo a jogo” (felizmente, para os que gostam de futebol, ainda não foi preciso dizer agora tempos que levantar a cabeça e pensar no próximo jogo!). É curioso como certas frases ou expressões aparecem e muitas vezes se tornam sinónimos. Exemplo: “o gajo não bate bem da bola” e “o gajo não é bom da cabeça”. É estranho comparar uma bola a uma cabeça. É que no interior da bola temos ar enquanto que dentro de uma cabeça é suposto termos mais qualquer coisa (já sei que muitos estão a pensar em mais uma frase típica: “hoje sinto a cabeça oca”, que torna a semelhança mais plausível. Só que isso acontece normalmente em dia de ressaca. E assim não vale!).
Dei por mim a pensar então se não seriam igualmente verdadeiras outras combinatórias destas frases. Por exemplo: “o gajo bate bem na bola” e “o gajo é bom de cabeça” que é uma espécie de negação da anterior.
E aí entra o Azenha que vivia na rua de Marracuene, ensanduichado entre o Couceiro e o Ni Bomba, em frente da Ana Roque.

Mas antes...
No Bairro, à época da geração XS, não havia muitos desportos radicais. Tirando jogar hóquei nos bueiros, claro. Ou ficar horas sentado no Abrigo ou no café do Sr. Silva a mandar bocas às miúdas, enquanto o Pombalinho não mandava um gajo qualquer para dentro da montra de uns dos cafés (neste particular não éramos esquisitos: qualquer um dos cafés servia!).
Mas havia outra alternativa para a afirmação da radicalidade. Senão vejamos. Alguém já referiu (Elói) que o Bairro estava afinal dividido em duas metades quase iguais (como diria o Massas Específica saudoso professor de Física do D.João III) sendo a Rua F a fronteira. No meu tempo a radicalidade alternativa significava fazer parte do grupo do Azenha e andar à pancadaria com os yé-yés e aparentados. Há uma cena curiosa quando em pleno campo de batalha (Praça dos Baloiços) o inimigo acertou uma fisgada no Azenha. O Azenha carregou com o pedaço de mangueira que trazia na mão e foi vê-lo a fazer recuar os yés-yés até às trincheiras de suas casas. Acho que o Adão foi quem mais gemeu.

Regressemos às questões de antropologia cultural...

De onde vinha esta capacidade guerreira do Azenha? Da educação esmerada que teve. Creio que esse é um dos grandes problemas das gerações mais recentes: falta-lhes educação cuidada!

O pai do Azenha era sub-chefe da polícia. Não era único: também o pai da e da Titá o era. E mandava lá no bairro. Pelo aspecto das moças o progenitor não as educou como devia ser! Se não vejam. O sub-chefe Azenha era uma pessoa de trato fino, e por isso educou o filho partindo-lhe vassouras nas costas ou amasiando-lhe as ditas a vergastadas com o cinto ou a mangueira. Mas o Azenha não tugia nem mugia. Aliás o Azenha tinha uma arte muito especial. Retirava as maçaneta das portas de casa, cerrava a parte de encaixe, limava e as ditas ficavam prontas pensam vocês para o hóquei. Errado! Isso era para o comum dos mortais. Para ele era para jogar basket. Como? Bem lembram-se daquelas cenas por cima das portas de entrada? Uma armação de cimento formando um rectângulo cuja utilidade sempre me escapou. Vejam foto anexa que ilustra melhor do que mil palavras o referido objecto.

Como o Azenha não tinha metafísicas -- produto de educação pragmática, desafiava mesmo as leis do bom senso: à cabeçada na ex-maçaneta transformada em bola luzidia mostrava que era possível fazê-la passar pelo buraco da dita armação.
E lá está a prova: o Azenha era bom com a bola e tinha uma grande cabeça! Depois teve uma meningite. Das complicadas. Mas que era isso comparado com as meiguices do pai? Nada. Por isso sobreviveu sem problemas. Era um grande amigo e safou-me de muitas situações embaraçosas. Não sei dele mas aqui o recordo.
Texto do Jó-Jó

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