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terça-feira, 17 de junho de 2008

CROMOS DO D. JOÃO III - BERTA ROSA

SERIE CROMOS DO D. JOÃO III
BERTA ROSA
Histórias do Bairro
17-06-2008
A Berta Rosa foi minha professora de matemática nos 3º, 4º e 5º anos do liceu. Não era má mulher, mas não se pode dizer que fosse uma mulher boa. Longe, longe disso!
Não me lembro bem mas devia andar pelos seus trinta e tal anos.
Muito feiazinha, graças a Deus, encardida, branca como a cal, mal penteada, e com um vestuário dos anos quarenta, ainda por cima escolhido sem gosto. Juntava-se-lhe uma espuma esbranquiçada ao canto da boca quando falava.
Tinha uma paixoneta indisfarçável pelo Furtado que saiu do liceu no 4º ano para ir para a tropa porque já estava com 20 anos. O Furtado morava ali para a Rua do Brasil.
Magríssima como era, adivinhava-se-lhe a total ausência de seios, o que lhe devia trazer compreensivelmente muitos complexos. Percebia-se que ela disfarçava, colocando algumas coisas por dentro da blusa, para fazer chumaço.. O quê nunca tínhamos descoberto. Nem tínhamos muita vontade de o descobrir, diga-se...
Até que um dia...
A Berta Rosa estava a escrever no quadro o enunciado de um problema para resolvermos..
Como era baixinha, esticava-se toda com o giz na mão a desenhar letras, números e símbolos.
Os chumaços não deviam estar bem acondicionados nesse dia porque, com o esforço de se esticar, reparámos quando se virou para nós, que tinha um “seio” no sitio e o outro próximo da cintura.
Foi a primeira vez que a vi coradinha.. Ficou mais bonita assim...

Obs: Deu-me boas notas. Por isso não devia estar aqui a dizer mal dela, coitadinha...

Texto de Rui Felício

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