sábado, 7 de janeiro de 2012
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Esta era para o Abilio
Meu caro Durão Soares,
Sei que por aqui és mais conhecido por Abílio mas o respeitinho é muito lindo.
Só tenho visto elogios à tua iniciativa e enaltecimentos à tua capacidade de organização. Ora, isto não pode ser !Tenho algumas criticas a fazer. E é já!
Em primeiro lugar, localizaste a saída da caminheta no "Samambaia". Fizeste-me caminhar mais de 50 metros quando tinhas "O Cantinho do Licínio" que, por mero acaso, fica mesmo à porta de minha casa.
Depois, conseguíste começar a viagem à hora marcada, descontado como disseras o quarto de hora académico. Isto não é coisa que se faça a uma excursão que se prese. Nunca tinha visto uma coisa destas. Uma horinha de atraso é o mínimo recomendado.
Antes de "arrancar", tiveste o cuidado de fazer a chamada, nome por nome, para confirmares que não faltava ninguém. Falta de confiança nos Cavalinhos (as) inscritos!
Logo que iniciada a viagem, permitiste que a algazarra se instalasse. Piadinha daqui, piadinha dali, e tu ... nada! Até permitiste que a Juju cantasse «Fui visitar minha tia a Marrocos» sem repreenderes o Rui Pato pela falta do acompanhamento à viola e o Jorge pela falta do bombo. Tiveste sorte que a alegria da Juju foi absorvida por todos e a festa estava a começar.
Na Vagueira, uma curta paragem para fazer xi-xi e/ou fumar um cigarro. E aqueles que queriam fazer có-có ou fumar uma cigarrilha? Onde estavam defendidos os seus legítimos direitos ? Assim se vê a pouca consideração pelas minorias!
Regressados à caminheta, logo rapaste da tua listinha e pimba! Nova chamada para confirmares que ninguém se tinha pirado. Para onde, com aquele mini-vendaval? Julgas que os Cavalinhos(as) são estúpidos?
Retomada a viagem, a alegria e o convívio voltou a instalar-se. A caminheta não teve qualquer furo, não chovia lá dentro, o motorista não se perdeu no caminho e a malta chegou à porta do "Grémio" sem problemas. Aqui ficaram frustradas as expectativas do Alfredo e isso não se faz a um Cavalinho de mérito. Mais uma nota negativa.
No regresso, cumprido o quarto de hora académico, lá estavas tu de lista na mão, verificando se ninguém se tinha pirado. Aqui, dou o beneficio da dúvida à tua desconfiança, já que havia malta que lhe apetecia ficar por lá mais um bom bocado. Estás perdoado.
Mas o pior vem a seguir. A algazarra voltou a instalar-se e tu, impávido e sereno, direi até conivente, não impediste que Fui o Zé Eduardo transmitisse a sua boa disposição a toda a comitiva.Fui a vitima escolhida, sai-lhe na rifa! Que o Zézito estava com piada, lá isso é verdade mas tu não foste capaz de o meter na ordem.
Apesar de tudo, penso que voltarei a votar em ti quando te candidatares a chefe da próxima Excursão.
Carlos Viana
Sei que por aqui és mais conhecido por Abílio mas o respeitinho é muito lindo.
Só tenho visto elogios à tua iniciativa e enaltecimentos à tua capacidade de organização. Ora, isto não pode ser !Tenho algumas criticas a fazer. E é já!
Em primeiro lugar, localizaste a saída da caminheta no "Samambaia". Fizeste-me caminhar mais de 50 metros quando tinhas "O Cantinho do Licínio" que, por mero acaso, fica mesmo à porta de minha casa.
Depois, conseguíste começar a viagem à hora marcada, descontado como disseras o quarto de hora académico. Isto não é coisa que se faça a uma excursão que se prese. Nunca tinha visto uma coisa destas. Uma horinha de atraso é o mínimo recomendado.
Antes de "arrancar", tiveste o cuidado de fazer a chamada, nome por nome, para confirmares que não faltava ninguém. Falta de confiança nos Cavalinhos (as) inscritos!
Logo que iniciada a viagem, permitiste que a algazarra se instalasse. Piadinha daqui, piadinha dali, e tu ... nada! Até permitiste que a Juju cantasse «Fui visitar minha tia a Marrocos» sem repreenderes o Rui Pato pela falta do acompanhamento à viola e o Jorge pela falta do bombo. Tiveste sorte que a alegria da Juju foi absorvida por todos e a festa estava a começar.
Na Vagueira, uma curta paragem para fazer xi-xi e/ou fumar um cigarro. E aqueles que queriam fazer có-có ou fumar uma cigarrilha? Onde estavam defendidos os seus legítimos direitos ? Assim se vê a pouca consideração pelas minorias!
Regressados à caminheta, logo rapaste da tua listinha e pimba! Nova chamada para confirmares que ninguém se tinha pirado. Para onde, com aquele mini-vendaval? Julgas que os Cavalinhos(as) são estúpidos?
Retomada a viagem, a alegria e o convívio voltou a instalar-se. A caminheta não teve qualquer furo, não chovia lá dentro, o motorista não se perdeu no caminho e a malta chegou à porta do "Grémio" sem problemas. Aqui ficaram frustradas as expectativas do Alfredo e isso não se faz a um Cavalinho de mérito. Mais uma nota negativa.
No regresso, cumprido o quarto de hora académico, lá estavas tu de lista na mão, verificando se ninguém se tinha pirado. Aqui, dou o beneficio da dúvida à tua desconfiança, já que havia malta que lhe apetecia ficar por lá mais um bom bocado. Estás perdoado.
Mas o pior vem a seguir. A algazarra voltou a instalar-se e tu, impávido e sereno, direi até conivente, não impediste que Fui o Zé Eduardo transmitisse a sua boa disposição a toda a comitiva.Fui a vitima escolhida, sai-lhe na rifa! Que o Zézito estava com piada, lá isso é verdade mas tu não foste capaz de o meter na ordem.
Apesar de tudo, penso que voltarei a votar em ti quando te candidatares a chefe da próxima Excursão.
Carlos Viana
Etiquetas: Carlos Viana, Rota das Enguias
domingo, 30 de novembro de 2008
TESTEMUNHO DE RUI PATO
Ensaios na "Brasileira"
Conheci o Zeca nos meus 16 anos, tinha ele 33, já licenciado em Letras, a leccionar em Mangualde, mas aproveitando todas as folgas para vir a Coimbra, ansioso por mostrar aos amigos as suas últimas baladas. Eu ouvi o seu nome, as primeiras vezes, ao meu pai que, como jornalista em Coimbra, fazia questão de viver intensamente a vida coimbrã, saltitando das tertúlias futrico-intelectuais para as académicas. E nestas últimas pontificava o Zeca, como o seu bom humor, com as suas permanentes distracções e com uma irreverência intelectual a que chamavam de existencialista.
Mas em 1962, ano tumultuado em Coimbra, com a Academia envolvida numa das mais violentas crises estudantis, o Zeca, já cansado com aquilo a que chamou a «quinquilharia passadista do velho romantismo do Penedo», sempre que podia, vinha a Coimbra para sentir esse fervilhar das novas gerações.
Começa assim a sua fase de ruptura com aquilo que o mais o tinha ligado até então à cidade, «o tanger dos bordões da viola, as casas de prego, as bicas nos cafés da Baixa e as arengas dos teóricos da bola» .
Ele vinha da Mangualde a Coimbra para mostrar aos amigos um outro tipo de música, sem o «espartilho da guitarra de Coimbra», com uma grande liberdade rítmica e que necessitava apenas de uns leves acordes de viola para sublinhar o poema que era o mais importante da canção.
Assim nasce o «Menino de Ouro», «Tenho Barcos, Tenho Remos», «Os Vampiros», «O Senhor Poeta», etc., ensaios muitas vezes feitos no segundo andar do café Brasileira, ou em minha casa ou em qualquer República onde ele tinha o estatuto de "livre trânsito" quando ele vinha a Coimbra e necessitava de dormir.
Entretanto, junta-se a nós o Adriano, o Manuel Freire, o Fanhais e outros que não recordo.
É dificil avaliar o impacte que o contacto com figuras como o Zeca, o Adriano, o António Portugal, entre os 16 e os 20 e poucos anos, tem na formação da personalidade de um adolescente. Nessa altura, eu não tinha a noção da dimensão humana e intelectual desses amigos. O meu desgosto é ter tido uma fortuna enorme em ter amigos desse quilate e, nessa altura, sem a noção desse valor, não ter agarrado cada momento, deixando até, por vezes, que a memória me falhe e tantos momentos bonitos e ricos se percam.
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Para os menos preguiçosos, aconselho a visita a:
delta02.blog.simplesnet.pt
Carlos Viana
Etiquetas: Carlos Viana, Rui Pato
domingo, 16 de novembro de 2008
Carlos Viana recorda Alvaro Rodrigues
Carlos Viana , portista ferrenho, veio para Coimbra estudar e acabou por casar no Bairro com a Olga Rodrigues, filha do arbitro internacional Alvaro Rodrigues.
Conheci vários dos seus auxiliares sendo que o Rosa e o Teixeira eram os que mais o acompanhavam mas recordo-me bem do Petiscalho e do Veiga. Recordo-me bem do Veiga (penso que era carteiro de profissão) porque era a vitima favorita das brincadeiras do Alvaro bem acolitado por qualquer um dos outros. Nessa altura, falamos dos finais dos anos 60, eu acompanhava o "trio" para aproveitar a boleia e visitar os meus Pais que viviam no Porto. Assim, sempre que os jogos eram no Porto ou a norte do Porto, lá ia eu, contente pela visita familiar mas contente também porque sabia que me ia divertir.Naquela altura a nomeação dos àrbitros era feita com todo o secretismo. Só na hora do jogo se sabia quem era o escolhido. O próprio árbitro tinha conhecimento da sua nomeação na tarde da 5ª-Fª anterior ao jogo e era este que, telefónicamente, comunicava aos seus auxiliares.Num belo domingo - sim, porque os jogos eram sempre ao domingo - lá arrancamos no "Cortina" do Alvaro, rumo a norte. O Alvaro tinha-me dito que ia apitar a Braga e portanto ... havia boleia. Acompanhantes o Rosa e o Veiga.Ainda não tinhamos saído de Coimbra, mais ao menos pela Pedrulha, o Veiga sobressaltado pergunta: - Para onde vamos?Pachorrentamente, Alvaro responde:
- Para Braga. Porque perguntas ?
- Essa está boa ! Então não vamos arbitrar o Setúbal-Farense ? Foi isso que me disseste ao telefone.
- Estás doido, percebeste mal ...E logo o Rosa, com seu ar sisudo:
- Olha lá, Alvaro, tu a mim também me disseste que iamos a Setúbal.Não haverá confusão?
Não fosse a piscadela de olho que o Rosa me deu e eu próprio teria ficado na dúvida se iamos bem para norte ou se o rumo deveria ser para sul.
Em Grijó, paragem para almoço. Como sempre, cozido à portuguesa, num pequeno restaurante de seu nome "O Cantinho". Durante o almoço o Veiga bem tentava conversar sobre o destino da viagem, muito preocupado! O Alvaro e o Rosa falavam da qualidade do almoço, do tempo que ameaçava chuva...Pobre Veiga! No regresso ainda vinha casmurro com a brincadeira. Chegou mesmo a queixar-se que foi para o jogo carregadinho de nervos e que isso não era bom e que ... tal e coisas. O Alvaro, sem dó nem piedade, atirou-lhe:
-Cala-te lá, pá! Se eu te tivesse dito na 5ª.Fª que iamos a Braga, tinhas-te borrado todo!
Vim a saber que o Veiga tinha péssimas recordações do último jogo que o "trio" tinha ajuizado na terra dos Bispos.
Ainda do árbitro e esta vai directinha para o grande amigo Tó Ferrão:
Lembro-me bem de uma expulsão do menino bonito do Porto, o tal Djalma. Foi uma escandaleira pois ninguém percebeu o porquê da coisa. Não houve qualquer contacto fisico com o adversário... etc. etc.Eu próprio, com as minha costela azul e branca, estava sem perceber. Atrevi-me a perguntar-lhe do porquê da coisa. O Alvaro nunca falava de futebol a não ser do seu União! Não pelo laço familiar mas penso que pela amizade que tinha por mim, explicou:
- É mais grave escarrar na cara do adversário do que lhe dar um murro!Foi por isso que o seu Djalma foi para a rua.Entendido ! O "meu" Djalma foi para a rua, melhor para o balneário, porque, como diz o Tó, era um corrécio e não esperava encontrar um árbitro que não se intimidasse com o grande tribunal das Antas.
ALVARO - o homem
Não é possivel trazer aqui cerca de 40 anos de vida. Sobre o homem, vou escolher o tema que mais foi focado pelos amigos que aqui entraram para o comentar.
O Bairro Marechal Carmona era, nos anos 60, muito provavelmente o espaço do território nacional com mais pides e bufos por m2.
Em cada rua do Bairro havia um, se não dois. Ora, a Rua J (actual Mousinho de Albuquerque) não era excepção.
E se a sul tinha boa vizinhança - O Sr.João da Cunha e a sua D. Isabel, pais da Belinha e Susanita - a norte era uma desgraça, um bufo!
O Alvaro, conhecendo a minha postura anti-regime, passava a vida a avisar:"cuidado com as conversas, ouve-se tudo, no quintal mais cuidado ainda!" Confesso que achava cuidados exagerados e, cá com os meus botões, pensava que havia ali defensismo a mais.Numa noite de verão ( 67 ou 68 ? ) no Café Beirão, ouviamos o telejornal. Na mesa à nossa frente, quem estava? Exactamente o dito bufo, o Rodrigues Calceteiro, seu vizinho de parede com parede.Na TV, imagens do Tomás e do Rui Patricio, ambos de capacete na cabeça, visitando obra importante. O Alvaro, alto e bom som, comentava:
- Olha para eles! São operários de primeira! Ou serão bombeiros ?
O bufo, olhou para ele, torceu-se todo mas nada disse. E foi o Alvaro que lançou mais um desafio:
- Vou ali beber um copo, com o meu genro. A si não lhe ofereço.
E lá fomos, beber o tal copo.
Uns dias depois, forcei a conversa no sentido de saber o porquê de tantos cuidados recomendados e depois...A resposta veio curta e rápida:
"Os cuidados são para si e para a malta nova. Eu sou velho, já ninguém me toca."
Acresce lembrar que, nessa altura, o Alvaro teria 50 anos.
Carlos Viana
Conheci vários dos seus auxiliares sendo que o Rosa e o Teixeira eram os que mais o acompanhavam mas recordo-me bem do Petiscalho e do Veiga. Recordo-me bem do Veiga (penso que era carteiro de profissão) porque era a vitima favorita das brincadeiras do Alvaro bem acolitado por qualquer um dos outros. Nessa altura, falamos dos finais dos anos 60, eu acompanhava o "trio" para aproveitar a boleia e visitar os meus Pais que viviam no Porto. Assim, sempre que os jogos eram no Porto ou a norte do Porto, lá ia eu, contente pela visita familiar mas contente também porque sabia que me ia divertir.Naquela altura a nomeação dos àrbitros era feita com todo o secretismo. Só na hora do jogo se sabia quem era o escolhido. O próprio árbitro tinha conhecimento da sua nomeação na tarde da 5ª-Fª anterior ao jogo e era este que, telefónicamente, comunicava aos seus auxiliares.Num belo domingo - sim, porque os jogos eram sempre ao domingo - lá arrancamos no "Cortina" do Alvaro, rumo a norte. O Alvaro tinha-me dito que ia apitar a Braga e portanto ... havia boleia. Acompanhantes o Rosa e o Veiga.Ainda não tinhamos saído de Coimbra, mais ao menos pela Pedrulha, o Veiga sobressaltado pergunta: - Para onde vamos?Pachorrentamente, Alvaro responde:
- Para Braga. Porque perguntas ?
- Essa está boa ! Então não vamos arbitrar o Setúbal-Farense ? Foi isso que me disseste ao telefone.
- Estás doido, percebeste mal ...E logo o Rosa, com seu ar sisudo:
- Olha lá, Alvaro, tu a mim também me disseste que iamos a Setúbal.Não haverá confusão?
Não fosse a piscadela de olho que o Rosa me deu e eu próprio teria ficado na dúvida se iamos bem para norte ou se o rumo deveria ser para sul.
Em Grijó, paragem para almoço. Como sempre, cozido à portuguesa, num pequeno restaurante de seu nome "O Cantinho". Durante o almoço o Veiga bem tentava conversar sobre o destino da viagem, muito preocupado! O Alvaro e o Rosa falavam da qualidade do almoço, do tempo que ameaçava chuva...Pobre Veiga! No regresso ainda vinha casmurro com a brincadeira. Chegou mesmo a queixar-se que foi para o jogo carregadinho de nervos e que isso não era bom e que ... tal e coisas. O Alvaro, sem dó nem piedade, atirou-lhe:
-Cala-te lá, pá! Se eu te tivesse dito na 5ª.Fª que iamos a Braga, tinhas-te borrado todo!
Vim a saber que o Veiga tinha péssimas recordações do último jogo que o "trio" tinha ajuizado na terra dos Bispos.
Ainda do árbitro e esta vai directinha para o grande amigo Tó Ferrão:
Lembro-me bem de uma expulsão do menino bonito do Porto, o tal Djalma. Foi uma escandaleira pois ninguém percebeu o porquê da coisa. Não houve qualquer contacto fisico com o adversário... etc. etc.Eu próprio, com as minha costela azul e branca, estava sem perceber. Atrevi-me a perguntar-lhe do porquê da coisa. O Alvaro nunca falava de futebol a não ser do seu União! Não pelo laço familiar mas penso que pela amizade que tinha por mim, explicou:
- É mais grave escarrar na cara do adversário do que lhe dar um murro!Foi por isso que o seu Djalma foi para a rua.Entendido ! O "meu" Djalma foi para a rua, melhor para o balneário, porque, como diz o Tó, era um corrécio e não esperava encontrar um árbitro que não se intimidasse com o grande tribunal das Antas.
ALVARO - o homem
Não é possivel trazer aqui cerca de 40 anos de vida. Sobre o homem, vou escolher o tema que mais foi focado pelos amigos que aqui entraram para o comentar.
O Bairro Marechal Carmona era, nos anos 60, muito provavelmente o espaço do território nacional com mais pides e bufos por m2.
Em cada rua do Bairro havia um, se não dois. Ora, a Rua J (actual Mousinho de Albuquerque) não era excepção.
E se a sul tinha boa vizinhança - O Sr.João da Cunha e a sua D. Isabel, pais da Belinha e Susanita - a norte era uma desgraça, um bufo!
O Alvaro, conhecendo a minha postura anti-regime, passava a vida a avisar:"cuidado com as conversas, ouve-se tudo, no quintal mais cuidado ainda!" Confesso que achava cuidados exagerados e, cá com os meus botões, pensava que havia ali defensismo a mais.Numa noite de verão ( 67 ou 68 ? ) no Café Beirão, ouviamos o telejornal. Na mesa à nossa frente, quem estava? Exactamente o dito bufo, o Rodrigues Calceteiro, seu vizinho de parede com parede.Na TV, imagens do Tomás e do Rui Patricio, ambos de capacete na cabeça, visitando obra importante. O Alvaro, alto e bom som, comentava:
- Olha para eles! São operários de primeira! Ou serão bombeiros ?
O bufo, olhou para ele, torceu-se todo mas nada disse. E foi o Alvaro que lançou mais um desafio:
- Vou ali beber um copo, com o meu genro. A si não lhe ofereço.
E lá fomos, beber o tal copo.
Uns dias depois, forcei a conversa no sentido de saber o porquê de tantos cuidados recomendados e depois...A resposta veio curta e rápida:
"Os cuidados são para si e para a malta nova. Eu sou velho, já ninguém me toca."
Acresce lembrar que, nessa altura, o Alvaro teria 50 anos.
Carlos Viana
Etiquetas: Alvaro Rodrigues, Carlos Viana
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