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sexta-feira, 4 de julho de 2008

GERAÇÃO REBELDE

HISTORIAS DO BAIRRO
OS FILHOS QUE O BAIRRO DEU
04-07-2008
Ontem ao fim do dia encontrei-me com o Álvaro na Associação de Moradores da Portela. Antes de nos sentarmos numa das esplanadas ali existentes, para bebermos um copo e conversarmos um pouco sobre as nossas recordações do bairro que o blog veio desenterrar, com um êxito de que muitos talvez ainda não se tenham apercebido, o Álvaro serviu-me de cicerone numa rápida visita às instalações situadas no Complexo das Piscinas da Portela.
Fiquei surpreendido pela existência deste complexo que desconhecia por completo.
São instalações óptimas, bem equipadas e nota-se uma participação activa e numerosa dos moradores daquele bairro lisboeta, nas diversificadas actividades que esta Associação com mais de 5.000 associados lhes proporciona.
O Álvaro possui desde os tempos do bairro e de Coimbra um dinamismo e uma persistência invulgares que se reflectem em tudo o que se mete. Atesto-o por alguns contactos profissionais que tivemos ao longo da vida.
Pois bem, ele é o Presidente da Direcção daquela Associação e, pelo que vi, digo-vos que não deve ser nada fácil gerir e coordenar as actividades que ali se desenvolvem.
A modéstia do Álvaro e a sua simplicidade nem me permitiriam estar aqui a fazer-lhe um elogio formal.
Falo nele, apenas como ponto de partida para aquilo que mais adiante quero referir.
O Álvaro é um entre muitos casos de sucesso da rapaziada do bairro.
Por serem tantos, dispenso-me de os referir, até porque são do conhecimento geral. Uns mais mediáticos, outros mais reservados, mas representando uma enorme percentagem de gente que chegou ao topo das suas carreiras, sem ter nascido em berços de oiro.
Ou seja, apenas à custa do seu esforço e dos seus méritos.
Quando no blog, trocamos mensagens e piadas de adolescentes, como se estivéssemos a viver de novo a nossa mocidade, estamos ainda a visualizar os putos reguilas que roubavam fruta, pilhavam galinhas, moíam a paciência aos mais velhos, desafiavam as autoridades, embebedavam-se, sei lá...
Estamos também a recordar as miúdas, espartilhadas por uma rígida educação própria da época, que não podiam por o pé em ramo verde, mas que sempre souberam tornear as limitações que lhes eram impostas.
Também elas singraram e subiram os degraus da vida, assumindo cargos e funções de destaque, como hoje sabemos.
Os mais velhos, naquele tempo, a estes rapazes e raparigas, nunca lhes chamaram geração rasca, mas apenas porque nunca se lembraram... Devem-lhes, porém, ter chamado coisas até bem piores!
Os sacrifícios da juventude que naquela época e naquele bairro marcaram, endureceram e calejaram essa malta rebelde, mas divertida, ao fim e ao cabo prepararam-na para a vida.
Portanto deixemos de lado os pruridos da modéstia!
Não é vergonha nenhuma, nem pretensiosismo, assumirmos que a nossa geração do bairro tem méritos invulgares que lhe devem ser reconhecidos!
Texto de Rui Felício - 04/07/2008

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