Pego no jornal.
Leio umas linhas.
Absorta, revejo-me como que por encanto, sentada no muro do meu jardim, saboreando uma quente e formosa noite de verão.
Cheiros de plantas floridas pairam no ar.Pela primeira vez o coração pulsa de forma diferente.
Estava nos meus, talvez... catorze anos.Deixara, repentinamente, as bonecas e outras brincadeiras infantis.
Nessa noite,o céu tinha um brilho inesperado.
As estrelas eram luzidias e lindas, mas foi na lua cheia que pousei o meu olhar e foi nessa maravilhosa noite que fiz dela, a confidente dos meus primeiros segredos de amor.
Silenciosa...calma e complacente me olhava e sob o seu sereno olhar, eu chorava, suspirava e sonhava.
Regresso ao presente.Continuo lendo o jornal.
De novo, um salto ao passado.
Sentadas na sala comigo, minha mãe e minha irmã.
Momentos de ansiadade nos pregavam aos sofás.
Esperávamos o "milagre" da abertura da fronteira lunar.
Os segundos pareciam-me horas.
Um mistério iria ser desvendado.Ondas de curiosidade, de algum receio e até, de perda... me invadiram.
A minha amada LUA, que pensava só minha... acabara cruamente, de ser desvendada a toda a humanidade.
Uma etapa da minha vida terminara.
Vejo agora...quão tardiamente.O "caso" deu-se na madrugada do dia 21 de JULHO de I969.
Sei que a lua é árida e cheia de marcas e cicatrizes, provocadas por meteoritos e quem sabe...se pelos desgostos a ela confiados.
Porém, o hábito mantem-se..
Ainda hoje, numa janela, numa rua ou em qualquer terraço num qualquer lugar, levanto o rosto... olho a triste lua e ainda peço a sua doce companhia.
NelaCurado
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