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quarta-feira, 22 de julho de 2009

" A CABRA "


Na Torre da Universidade encontra-se um relógio, sob o varandim, com um mostrador para cada um dos quadrantes, e os sinos: a Cabra que toca todos os dias às 18h, avisando os estudantes de que é altura de recolher ao estudo; o Cabrão, com o nome de macho da cabra por ter um som mais grave e que toca todas as manhãs anunciando aos estudantes que há aulas. Caso a Cabra não toque, é sinal de que não há aulas! Ao longo do tempo, afim de não terem aulas, o badalo da Cabra foi sempre um alvo de roubo por parte dos estudantes.
«No princípio do ano de 1933 foi a cidade assoada por forte epidemia de gripe. Os liceus, Escola Comercial e outros Estabelecimentos similares foram encerrados; só a Universidade fazia excepção.
Foi então que o grupo de 4 estudantes,
Alfredo dos Santos Júnior, Auréliano Gonçalves, Domingos da Costa e Luís da Encarnação (resolveram roubar o badalo à «Cabra»).
Na manhã do dia 21 de Fevereiro a «Cabra», efectivamente não deu sinal de si, mas em substituição
foi tocado o «Cabrão», sendo assim quebrada uma antiga praxe.
Passados 20 anos, a 23 de Dezembro de 1952, passeou o célebre badalo pelas ruas de Coimbra, em cortejo nocturno, até à Associação Académica de Coimbra onde ficou, sob alçada do Museu Académico.»
Carlos Manuel de Almeida, “ Revista Académica”

A Cabra toma esta designação na gíria escolar dado que o seu tinido «assemelha o balido de uma grande cabra, espécie de Minotauro, convocando mil e tantos filhos ao manjar da ciência».

O Amor dum estudante
Não dura mais q` uma hora
Toca a Cabra vai p´ ras aulas
Vêm as férias, vai-se embora
Afonso Lopes Vieira

Nota; O Batinas recomenda que se diga:Por causa do Provedor e dos direitos dos autores devo aqui acrescentar que estes textos foram, essencialmente, baseados no livro “A Academia de Coimbra” de Alberto de Sousa Lamy e no Código da Praxe Académica de Coimbra, de 2002, tendo algumas transcrições exactas (ou quase exactas) dos livros. Foi também efectuada pesquisa na Internet e noutros livros bem assinalados no próprio texto.
Batinas

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sábado, 6 de junho de 2009

PRAXIS Cervejaria


Podem crer que não sou patrocinado pela empresa do Sr. Baptista nem tenho qualquer ligação comercial, familiar ou outra a esse amigo e empresário da nossa Coimbra e do nosso bairro. Mas, desfazendo logo de início essa questão para que não me acusem de comportamento menos transparente, aqui vai a informação que eu queria passar aos meus amigos da cidade e, por ventura menos atentos e para os de fora sem informação sobre as poucas novidades desta cidade tão falha das mesmas e onde pouco acontece.
Trata-se de um espaço novo, junto ao Bairro e onde se pode comer e beber melhor! Chama-se PRAXIS e é uma cervejaria artesanal, onde se bebe cerveja acabada de fazer acompanhada de excelentes bifes, de francesinhas ou de outras iguarias que servem de pretexto para degustar as 4 variedades de cerveja ali fabricadas à nossa frente.
O homem que decidiu apostar neste negócio foi o proprietário das pastelarias Vasco da Gama, o Baptista, homem que todos conhecemos do Bairro e que passou ,em apenas duas décadas, de um modesto industrial de padaria para um dos maiores empreendedores da região centro.
Ele nunca se conformou com a perda da cerveja de Coimbra, aquela que era feita na Fábrica de Cerveja de Coimbra, a Onix, que dadas as excelentes propriedades da água de Coimbra era uma das melhores cervejas da Europa . E, vai daí, como é um homem que persegue desafios, pegou num dos sobrinhos, mandou-o para Berlim onde se licenciou em Cerveja! Depois fez um pós-graduaduação na Califórnia na mesma matéria . Mandou vir o material para a destilação, montou-o junto ao restaurante e começou a fabricar quatro espécies de cervejas , umas de malte, outras de trigo, umas mais suaves outras mais pesadas, espessas e turvas de sabor excelente. Durante seis meses o Baptista abriu a cervejaria apenas para os “entendidos”, pedindo-lhes a opinião. Foi apurando os sabores. Depois começou a convidar os grandes apreciadores que foram dando o seu contributo. Finalmente abriu a cervejaria ao público com 4 magníficas cervejas já testadas pelos mestres alemães que afirmaram que não conseguem fazer melhor na terra deles por não terem a água de Coimbra.
Amigos : vale a pena! Vão lá e levem a família; vão experimentar aromas frutados de cervejas frescas com gás natural , umas mais opacas que outras, umas mais escuras e de paladar maltado. Acompanhem com joelho de porco assado! Uma delícia.
Serve esta croniqueta, não só para vos sugerir uma boa refeição, como para homenagear o Baptista, que apostou num sonho, arriscou e fez o que nunca se tinha feito em Portugal.
Vão lá e bebam à nossa saúde.
Rui Pato

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