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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Histórias do Bairro - SILVIO PELLICO

SILVIO PELLICO
Histórias do Bairro
20-06-2008
Citação:
"O ciumento que se encoleriza ante a suspeita de não ser amado é um tirano. Se te arriscas a ser mau em prol de um prazer, renuncia a esse prazer; se te arriscas a ser tirano em prol de um amor, renuncia a esse amor."
Silvio Pellico

Quando vou a Roma fico sempre numa rua que entronca com a Via Silvio Pellico. A primeira vez que reparei no nome dessa rua, fiquei curioso em saber que relação teria com o “nosso” professor de História do D. João III.
Procurei descobrir quem era a personalidade que dava o seu nome àquela importante artéria romana e fiquei a saber que se trata de um importante dramaturgo nascido na segunda metade do século XVIII, passando à História por esse mérito e também por ter sido um grande patriota italiano.
Embora não tenha descoberto qualquer ligação com o nosso professor, estou convencido que ela existirá, tendo em conta a invulgaridade e a coincidência do nome.
O MEU EXAME DE HISTÓRIA DO 7º ANO
Vem isto a propósito do meu exame escrito de História do 7º ano do liceu.
Sabíamos que quem iria corrigir as provas eram o prof. Martins e o prof. Silvio Pellico.
Eu tinha consciência que provavelmente conseguiria uma nota próximo do 10, mas também sabia que se apanhasse o Martins na prova oral, a probabilidade do chumbo era enorme. Portanto, tinha que tirar nota para dispensar da oral!
E pensei que se o meu exame escrito viesse a ser avaliado pelo Silvio Pellico, velho e cansado, ele daria a nota pela quantidade de folhas que eu escrevesse e não pelo seu conteúdo, que sabia que não teria pachorra para ler.
Quanto mais folhas melhor, que ele não iria lê-las.. Limitar-se-ia a contá-las.
Com as folhas de papel de 25 linhas, frente e verso, em cima da mesa, comecei a escrever tendo tido o cuidado de despejar na primeira o pouco que sabia acerca do tema que nos tinha sido dado para desenvolver. Essa era a página visível.
Nas folhas seguintes fui entremeando algumas datas no texto, porque sobressaiam, e para quem passasse os olhos em diagonal deixariam uma boa imagem de sabedoria, enchendo o resto do papel com relatos variados do dia a dia e de alguns assuntos de história, embora sem qualquer relação com o tema do exame. Escrevi o que me veio à cabeça!
Enfim, relatos podem ser história...
Quando tocou a sirene para o fim do exame tinha escrito dezasseis páginas.
Entreguei-as e saí da sala, como todos os outros.
Uns dias depois ao ver as pautas afixadas no átrio do liceu, fiquei seguro de que tinha sido o Silvio Pellico a “corrigir” a minha prova.
Tive um 17 e, obviamente dispensei da oral.
Ainda hoje gostaria de saber se essa prova estará nos arquivos do liceu.
Texto de Rui Felício

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