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segunda-feira, 26 de maio de 2008

E CÁ TEMOS O FELÍCIO A FAZER ESTRAGOS

O GRECO E A “CANTORA CARECA”
Histórias do Bairro
26-05-2008
Bendito dia 26 de Maio de 2008, pela oportunidade de conhecer o blog “Cavalo Selvagem” que tantas e tão boas reminiscências nos traz...
Ao Álvaro, mentor da ideia e aos outros que o mantêm vivo, o meu agradecimento.
Pareço um adolescente, esquecido dos anos passados e retomando a doçura dos anos sessenta. Olho interiormente os rostos dos meus amigos e amigas exactamente com a mesma fisionomia de então.. Especialmente as belas miúdas que o nosso Bairro albergava.
Falei hoje pelo telefone com a Ana Roque e era a sua cara dessa época que tive sempre na frente dos meus olhos. Que bela e simpática mulher ela era...
As recordações surgem em catadupa. Quero transpo-las para o papel mas são tantas e tão variadas que nem sei por onde começar.

A ORIGEM DO GRECO
Escolho ao acaso... O GRECO surge indelevelmente como o grande alfobre dos belos momentos passados. E são esses que interessam, aqueles que marcaram a nossa juventude, em que o amor, por serôdias razões de cultura e moral ultra conservadora, só podia ser denunciado em raros e furtivos momentos de convívio e de bailes semanais ou festivos.
O GRECO foi criado objectivamente, diga-se agora o que se disser, com a finalidade, de garantir, através dos bailes que organizava, a proximidade entre rapazes e raparigas com a regularidade que a fogosidade juvenil reclamava mas que os princípios morais então instituidos procuravam evitar.
GRECO significava Grupo Recreativo Excursionista e Cultural Oasis. É obvio que era fino um nome associado à civilização grega o que nos levou a escolher em primeiro lugar a palavra GRECO e só depois os nomes cujas iniciais justificassem a designação previamente escolhida.
Claro que, escolhido o nome, procurámos dar-lhe o conteúdo que o justificasse.
Daí as excursões à Serra da Estrela ( Grupo Excursionista ), os bailes ( Grupo Recreativo ) e a encenação de uma peça de teatro de Ionescu- A Cantora Careca ( Grupo Cultural ), que, dado o seu hermético conteúdo, pouco afeito a uma população de instrução média como era o caso da generalidade da população do bairro, acabou por ir à cena apenas na estreia, optando-se por não fazer mais nenhuma sessão !
Pelas razões que adiante se verão...

A CANTORA CARECA
A Estreia
È sobre a encenação e estreia dessa peça que quero falar hoje.Os ensaios eram feitos no ginásio do Centro R. Popular.
O encenador, cujo nome já não me ocorre ( Toninho), era irmão de uma miúda de nome Inês com quem as vezes eu dançava nos bailes. Ele tinha alguma experiência teatral enquanto nós, os actores, éramos autênticos zeros á esquerda, sem técnica, sem estudos, sem nada.. Apenas a boa vontade, o que já não era mau.
Depois de dois meses de intensos ensaios à porta fechada ( a protagonista era uma moça um pouco mais velha que nós que morava perto da Ju Faustino e que era empregada na secretaria da Universidade e o protagonista e galã, era o Virgolino). Esqueci o nome da protagonista ( Mariazinha das Matematicas), mas não a sua imagem...
A mim coube-me o papel ingrato de espectador, ou seja, eu representava uma personagem que estaria na assistência a assistir à peça, em silêncio, mas que a dada altura se levantava e protestando, entrava em diálogo directo com as restantes personagens que estavam em palco.
Competia-me contestar e argumentar contra os intervenientes na peça, desdizendo tudo o que tinham estado a afirmar e de forma clara e em voz forte, irritada e bem audível, condená-los por defenderem princípios que em “minha opinião” estavam completamente errados!
Bom.. e assim se passou!
No momento aprazado, interrompi os diálogos que se passavam em palco e gerei uma discussão acalorada entre mim e os restantes personagens.
Tal e qual como Ionescu previra na sua peça “ A Cantora Careca” e que tínhamos religiosamente ensaiado...
A minha saída de cena
O problema é que a assistência não entendeu que aquilo era da peça e gradualmente foi entrando na discussão, criticando-me por eu estar a criar uma confusão que os pergaminhos da colectividade não podiam permitir. Os ânimos exaltaram-se, vi o caso mal parado, as luzes acenderam-se, e á cautela achei por bem sair da sala. E a peça parou por ali...
Quem se lembra de mim, sabe que sempre fui tido como rapaz educado.
Por isso mesmo ninguém conseguia entender o meu comportamento de evidente má educação!

- O rescaldo
No dia seguinte no Café do Silva, vários homens mais velhos me abordaram manifestando a sua incompreensão, incredulidade e critica, que eu só a custo ia desfazendo, explicando-lhes que aquilo fazia parte da peça. Na minha rua ( Infante Santo ), onde as pessoas me achavam o menino mais bem educado do mundo, acorreram a contar à minha mãe:

- O Ruizinho devia estar com os copos ou então tem que o levar ao médico. Nunca imaginámos que se tivesse portado tão mal ontem à noite no Centro!
Mas uma consolação me resta:
Representei bem o meu papel, senão a celeuma não teria acontecido. Se calhar deveria ter enveredado pelo teatro.. Quem sabe...
Texto de Rui Felicio

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7 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Só para completar a estória:
1. A actriz que não identificaste é a Mariazinha das matemáticas.
2. O encenador era o Toninho.

7:37 p.m.  
Blogger Rui Felicio disse...

ao Big John

Obrigado João.
É verdade, agora que o disseste já me lembrei da Mariazinha e do Toninho

Um abraço
Rui Felicio

7:56 p.m.  
Blogger Rui Pato disse...

Boa, Boa, Rui; Estás no teu melhor!
Fizeste aumentar hoje as audiências em 50%!!!.
Vais ver que a Ana Roque, de certeza, ainda é bonita...

9:25 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Rui F´lício
Um grande abraço.
Tomané

9:33 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Caros amigos Ruis
Muito obrigada quanto à aperciação que fazem da minha pessoa, se quiserem ver-me no presente vão ao SONICO, porque já lá coloquei a minha cara.
Depois apreciem e digam o que acharam da foto actual.
Quanto às histórias contadas pelo Felicio são deliciosas, e não haja dúvida que enriqueceram bastante o blog.
Beijos da amiga
Ana Maria Roque

1:06 p.m.  
Blogger Rui Felicio disse...

Fui a correr ver a foto da cara da Ana Roque.
Com franqueza, estava a imaginá-la uma sexagenária, já meio estragada e eis que me deparo com uma mulher ainda linda e fresca..
Vão lá e confirmem.. Não estou a dar graxa à Ana. Ela está mesmo bonita.

Agora falta as outras todas eguirem o exemplo da Ana Roque, darem sinal de si e mostrarem-se.

3:13 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Caros Amigos:
Em primeiro lugar os meus parabéns pelo v/blog que me foi dado a conhecer pelo Felício;
Depois dizer-vos que fizeram uma grande aquisição porque ele, de facto, escreve muito bem (ou não tivesse sido meu colega do D. JoãoIII...);
Por último lamentar que a malta dos Olivais, que tantas histórias tem também da juventude, não tenha a felicidade de ter pessoas com a iniciativa e rasgo que vocês tiveram ao criar este Blog!
O que vale é que nós pertencemos à mesma freguesia ( por muito que vos custe)!!!!!

Um abraço para todos e um muito especial para o amigo desde sempre e para sempre Rui Felício

Victor David
('judeu' dos Olivais)

11:38 p.m.  

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