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segunda-feira, 26 de maio de 2008

A MATEMÁTICA DO MANECAS

Dizem que quem conta um conto aumenta um ponto. Eu acho que se calhar é mais sofisticado. Gostamos de brincar com a memória e o resultado dessa brincadeira não é apenas um incremento mas sobretudo uma distorção da realidade. Em que acreditamos piamente. Por isso como o filósofo cretense já sabem: tudo o que eu disser aqui é mentira! Passado este intróito e aviso, aqui vai então uma história fantástica do nosso bairro inspirada pela estadia esta semana em Bruxelas. Todos sabemos que cada cidade tem os seus referenciais (Coimbra é o Bairro, claro!). Em Bruxelas há pelo menos três: os mexilhões com batatas fritas. Comidos no Chez Léon são uma delícia. Em Quiaios são uma porcaria. A explicação para tal está condensada em mais uma frase do povo: quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão. E em Bruxelas não há mar, logo... . A segunda referência é a Grand Place, linda de morrer se nos conseguirmos abstrair das pessoas e do lixo circundante. A terceira é o Maneken Piss, um rapazinho a fazer xixi, todo nu, cujo nome nós, sempre criativos, aportuguesámos para Manecas da ... bem estão a perceber, não estão? Como podem ver pela imagem anexa existem duas coisas interessantes: (1) o Manecas é canhoto (como eu) e (2) a trajectória da água é de uma grande beleza matemática pois forma uma parábola perfeita antes de aterrar no lago. Mas isto vinha a propósito de quê? Ah, já sei.
Havia (e há) uma célebre oliveira na Praça dos Baloiços. À época era imponentemente enorme, atarracada hoje, situada na fronteira das casas dos Soares e dos Marcos Franco. Não sei porque carga de água houve um quid pro quo entre dois indígenas da praça, o Victor Soares (conhecido por alguns por Salpicão) e o Pinto Marques (o nosso Piruças). O VS persegue o PM que não tem alternativa senão fugir para cima da dita oliveira. Ao ver que o VS fazia menção de trepar por ali acima sabe-se lá para quê, e na falta de armas especiais, o PM puxou da que tinha mais à mão e que se situava na zona mais alta de entre as pernas (hábitos da época, dirão alguns mais malévolos,...). E, talvez levado pelo medo, fez o que faria a maior parte dos portugueses (e nós do Bairro somos portugueses): mijou(-se). Tão rápido fez a manobra que o VS não pôde senão abrir a boca de espanto. Grande erro, como se verificou logo de seguida. Aquele líquido ligeiramente amarelado e morno, cumprindo o destino, ditado pelas leis da física, descreveu a inescapável parábola e acabou na boca do VS.
Consta que o VS nunca mais na vida bebeu cerveja, nem mesmo quando lhe explicavam que havia uma diferença, pelo menos na temperatura. Eu, quanto a mim, e perante tamanha beleza formal, tomei nesse mesmo instante uma decisão: vou tirar o curso de Matemática! Claro que não cumpri a promessa, mas quem nos pode obrigar a ser coerentes?
Texto de Ernesto Costa (ako Jó-Jó)

PS. O leitor mais atento terá verificado que frisei duas características do Manecas. A ligação à matemática ficou clara. E ser canhoto? Fica para a próxima!

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4 Comentários:

Blogger Rui Felicio disse...

É incrivel como só passados tantos anos eu percebi porque que é que o VS só bebia vinho tinto.. Nem branco, nem cerveja!

NOTA DE RODAPÉ: Essa lei da Matemática não é válida ad aeternum. Com efeito, na nossa idade, como poderão testar, a parábola transformou-se em recta ( descendente, é claro... )

Rui Felicio

6:53 p.m.  
Blogger Unknown disse...

Oh Felicio, olha que não. Agora na nossa idade e para homens ....são pingos...amor.
Deixa-te disso. So brincando à estrelinha cai cai. Sabes como era?
Com essa brincadeira ia morrendo o puto com o Ford Escort todo artilhado. Não lembro o nome dele mas queria imitar um corredor que ganhou um Rally do Vinho do Porto.
olhava pro ceu a pedir um desejo, e a malta mijava-lhe as calças.
Só maldades.

7:11 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Belíssimo blog. Grandes fotografias. Continuem, por favor.

8:57 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Parabéns!
Excelente Blog!!!
Sou da "colheita" de 48...
Encantado com as belíssimas histórias...muita emoção!
É bom recordar...os Anos 60...anos d´oiro!!!
Mas, julgo que melhor que ninguém...o Tó Ferrão, meu grande amigo e companheiro de grandes aventuras...poderá contribuir para que este Cavalo Selvagem seja uma enciclopédia de boas memórias!


Por falar em Apaches!? Quem quer recordar as nossas aventuras e lokuras, onde os irmãos Teixeiras, principlamente o Rogério, da R. de Moçambique tinham "tiradas" ilariantes! Já para não falar do Carlos Alves (?)...que era o motorista do celebre "bólide"...que só pegava de empurrão...e com gasolina roubada ao Pai do Pombalinho!!!!

Um grande abraço para os autores...

José D´Abranches Leitão

Nota: Em Outubro se estiver em Portugal...não faltarei!

1:41 a.m.  

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