Histórias do Bairro - FERREIRA DA COSTA
FERREIRA DA COSTA
Histórias do Bairro
24-06-2008
Algum tempo depois de estalar a guerra em Angola, a Emissora Nacional começou a emitir um programa intitulado “ A verdade é só uma. Rádio Moscovo não fala verdade”.Histórias do Bairro
24-06-2008
Tratava-se de uma tentativa de contrariar as noticias e comentários que a rádio moscovita difundia em língua portuguesa acerca do que se passava em Angola e que era ouvida em Portugal, apesar dos esforços do governo em silenciá-la ou de intimidação sobre quem a procurava escutar.
Essas crónicas radiofónicas da Emissora Nacional eram invariavelmente encerradas com o slogan acima enunciado e “assinadas” pelo autor, com a seguinte frase: “ Daqui fala Ferreira da Costa!”
Ora no Liceu D. João III havia um professor, homónimo daquele cronista.
O prof. Ferreira da Costa era uma figura típica que fumava charuto e usava chapéu de coco.
Esta era a sua imagem de marca, que o identificava quando circulava pachorrentamente pelos corredores durante os intervalos das aulas.
O Zé Pulga não se dava com ele, e dizia-se que o criticava frequentemente por causa da cinza que ele deixava cair do charuto para o chão, conspurcando-o.
O Ferreira da Costa, para obviar esse problema e para não azedar as más relações com o reitor, descobriu uma solução expedita, que consistia em mandar os alunos estenderem as mãos abertas para ele ali depositar a cinza do charuto. Assim, já não poderia ser acusado de deitar a cinza para o chão.
Embora ela lá fosse parar na mesma, por interpostas pessoas.
Numa dessas deambulações pelos corredores, envolto numa espécie de nuvem eternizada sobre a sua cabeça, o Ferreira da Costa deparou-se com a inesperada recusa de um aluno que não quis abrir a mão para receber a cinza.
É que, explicou-lhe o aluno, a cinza queimava-o por ainda vir quente da ponta do charuto.
O Ferreira da Costa reagiu, parafraseando o tal programa de rádio:- Isso não é verdade! Quando a cinza cai na tua mão já vai fria!
- A verdade é só uma, a que eu digo e mais nenhuma!
- E olha que daqui fala o Ferreira da Costa!
Ele havia cada cromo naquele liceu...
Texto de Rui Felício
Etiquetas: Felicio, Ferreira Costa, Historias do Bairro


10 Comentários:
Oh Felício, falta uma frase importante nesta primeira história.
A frase final do programa radiofónico era, amiúde: "Aqui Luanda, fala Ferreira da Costa". As primeiras palavras eram entendidas com "aquilo anda, ...." ou seja a guerra estaria perdida.
Abraço.
Que inveja que eu tenho da vossa memória...
São lindas estas histórias.
Exactamente! O João José tirou-me as palavras da boca. "Aquilo anda...". Já agora lembram-se dos primeiros pacotes de açúcar da SEMPA? Salazar Envia Militares Para Angola - Angola Pede Mandem Embora Salazar".
E os ardinas com os 5 vespertinos de Lisboa? "Lisboa Capital República Popular"!
Havia uma imaginação, uma criatividade!
Gim
Eu sabia que flatava qualquer coisa que tinha a ver com Luanda, mas como não me lembrei, não escrevi, para preservar a verdade do que escrevo...
Rui Felício
E o tabaco CT de ambos os lados:
Com Tomás Continuamos Tesos
Pombalinho
E os pacotes de açucar SEMPA = Só Esta M Para Adoçar.
E o leite UCAL = Urina Com Algum Leite.
Jorge Carvalho (Jó)
e o 437?-delgado contra governo; e o sagres-sujeito assassinado no guinco, responsável é salazar; e SG Filtro -saia do governo seus gatunos foram intrujadas as listas torpedearam e roubaram a oposição; sem falar na GNR - grande ninhada de ratos; e a sebente? -duas versões salzar é burro e não tem albarda ou se és bom estudante, não tenhas amante; e o S do cinto da mocidade?? somos socialistas soviéticos sem salazar saber, se salazar soubesse seriamos salazaristas... e a EGT (empresa Geral de Transportes, de Lisboa) então gostas de tomate??
Também usava polainas.... e as orais de geografia do 5º ano??? sala sempre cheia; fui não sei com quem e sentámo-nos os dois na mesma carteira; diz logo o ferreira da costa - não admito dois cuzes na mesma carteira...
"Crónica de Angola,
Fala Ferreira da Costa!"
...
A Rádio, se hoje tem fama, deve-o aos Grandes Homens...
que a fizeram!!!
Uma saudade este nome.
Estive, em 1962, no escritório, em Luanda, onde ele escrevia -para cá-as crónicas.
Depois regressou.
Para que conste: "por cima da "Versailles".
Um abraço a todos (os saudosistas).
EU SOU!!!
Caro João Ferreira,
"perdidos"... estamos agora!!!
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