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sábado, 14 de junho de 2008

O GRAÇA DA PVT

Histórias do Bairro
O GRAÇA DA PVT
Como se lembram a fiscalização do trânsito era feita, há 40 anos, pela Policia de Viação e Trânsito. Parece que a selecção dos agentes era feita segundo parâmetros minimos de peso e de perimetro abdominal.
Se a PVT ainda existisse, muitos de nós actualmente obedeceriamos aos seus critérios e seriamos certamente admitidos ao serviço.
Na Portela à entrada da ponte, havia um posto fixo da PVT, com báscula para aferir os limites de peso das cargas dos camiões que circulassem pela Estrada da Beira.
O Graça prestava o seu serviço de polícia naquele posto. Morava ali perto no Alto de S. João e, para além de gordo e avantajado, tinha profundas rugas horizontais na testa, o que segundo a teoria da Juliana era garantia de burrice chapada.
Um dia, mandou encostar um camião de 3 eixos que saia da ponte da Portela em direcção ao Calhabé, e que transportava uma volumosa carga que sobressaia a grande altura da caixa do camião.
O Graça pensou com os seus botões, que tinha apanhado peixe graudo e que o motorista, da multa já não se safava. Era visivel, aos olhos do Graça, que o carro vinha com excesso de peso. Mandou colocar o camião em cima da báscula e foi verificar qual era o peso que a balança marcava.
Descontou-lhe a tara da camioneta e determinou assim qual o peso da mercadoria transportada.
Contra as suas expectativas, a carga estava dentro dos limites de peso permitidos.
Incrédulo, deu uma volta ao camião tentando descobrir alguma falcatrua. E descobriu!
Orgulhoso da sua perspicácia, reparou que, dos dois rodados traseiros do carro, só um deles estava assente no chão. O outro, que podia ser recolhido quando o peso transportado não justificasse a sua utilização, encontrava-se levantado! Estava ali a marosca, concluiu ele ainda com os seus botões...
Virou-se para o motorista e intimou-o:
- Baixe lá as rodinhas de trás que eu não sou parvo! Julgava que me enganava?
O homem obedeceu, claro, e comandou o segundo rodado do camião até que todas as rodas ficaram assentes no chão.
O Graça não atinava porque é que a báscula continuava a indicar exactamente o mesmo peso que tinha marcado antes desta manobra.
O motorista então explicou-lhe que a carga, sendo muito volumosa, pesava pouco porque eram fardos de algodão.
Mas os tempos não mudaram assim tanto... Ainda há por aí alguns Graças...
Texto de Rui Felício

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2 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Caro Rui Felicio

A "fera" desse tempo no dito posto da PVT na Portela, era o famigerado Leão.

De certeza que todos se lembram, da sua "veia" assassina para multar a torto e a direito.

saudações académicas

Tó Ferrão

7:21 da tarde  
Anonymous rey vadyo disse...

Acho que o Felicio não quis ferir sensibilidades e chamou o Graça do Alto do s. João para assumir o protagonismo da "Estoria".
Essa eu conhecia-a como sendo do Leão
que morava quase na Rua F.

8:39 da tarde  

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