O TATONAS
Quem da nossa geração não conheceu o "Dani" o celebre Tatonas ?
Parece que engraçámos um pelo outro e o Dani por vezes fazia de pombo correio. Como ja andava de Carocha o amigo Dani, lá me cravava para vir até à Praça da Republica e depois queria ir comigo para onde eu fosse. É da maneira que acaba por vir a frequentar o Bairro e ficar no meio dos Apaches. Na altura dá-se uma grande cena de ciumes com o Domingos. Não é que o Domingos tendo perdido assim o seu protagonismo, não podendo ver o Dani, passa a dedicar-se às bebidas duras. Nessa altura quem deu as mãos ao Domingos foi a "Geração XS ".
Os Apaches tinham assim uma nova perola para lapidar, tipo " Eusebio a Pantera Negra", que era a "Pantera Loura" com uma imagem superiormente cuidada pela menina Sameirinho do S. Jose. Haveria que cuidar do bem estar do Dani. Começou por dormir a primeira noite de bairro, no meu Carocha com as janelas abertas. Convinha. Depois la ficou mais uma ou duas noites na garagem do Fernando Lopes e do Dadinho...ate a malta do Predio do Tijolo ( Brassard, Bernardo Beatle, Dino e outros ....) lá arranjaram um canto para ele ir ficando.
Aproxima-se o verão e o amigo Dani, muda-se com armas e bagagens e vai connosco para Mira.
Arranjamos-lhe uma tenda pequenina triangular, mas o Dani sofria de alguma claustrofobia. Ou ia para o carro ou dormia cá fora. Começou a dormir cá fora porque o carro ja começava a ficar perfumado.
Por vezes fartava-se do nosso conforto e desertava procurando outros colinhos.O bonito foi quando apareci fardado da FAP com a nova farda Azul. A farda Azul da Força Aerea entrou em vigor nos primeiros dias de 1967. O amigo Dani viu-me e fugiu a 7 pes.
Dizia a toda a gente "Ovarito" é da policia.... "Ovarito é da Policia"....
Pobre Dani tinha deixado de ter confiança em mim.
Mas era um amigo ...nunca o tratei por Tatonas mas por Dani, diminuitivo de Daniel como carinhosamente a sua mãe o tratava.
Nem aqui neste recordatório tive coragem de o tratar de outra maneira que não fosse o Dani. Tenho aqui obrigação de o recordar como tendo sido condecorado como um "Apache Assumido"
Etiquetas: Figuras de Coimbra, Tatonas


3 Comentários:
Gostei muito do seu post.
Foi uma acção altamente meritória o modo como o Bairro tratou o Daniel. Lembro que os gajos do Trianon o tinham transformado num bêbado, em risco de morte, e safou-se com a mudança porque o convencemos que bastaria um refrigerante para se embebedar.
Recordo ainda as sessões de estudo conjunto com ele. Equanto eu e a Xani namorávamos (principalmente) e tentávamos estudar o Daniel, na nossa mesa, escrevia "cartas". Sabiam que ele escrevia o seu nome de modo que só o reconheceríamos se visto por um espelho?
Mais tarde aparecia na nossa tenda em Mira dizendo que gostava muito de "Brunhos", que comia aos quilos de cada vez. Ainda mais tarde dizia-me para ficar descansado pois tomaria conta da minha filha se eu me atrasasse a recolhê-la depois das aulas.
O Dani, como também o tratávamos lá em casa era para nós um amigo. Nós, eu e o meu ex-marido tinhamos uma loja de animais domésticos e o Dani é que nos ia depositar o dinheiro no banco. Nunca nos faltou um tostão e ele até tinha um ordenadinho. Adorava dar-me flores e sempre me respeitou.Obrigada pela lembrança
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