CROMOS DO D. JOÃO III - JULIANA
Histórias do Bairro
02-06-2008
A JULIANA
A Juliana tinha uma teoria ( não sei se bebida nas teorias do Goebels ) de que a inteligência humana derivava das características morfológicas de cada individuo.
Assim, ao olhar o aspecto morfológico dos seus alunos, ela catalogava-os de imediato e mesmo antes de qualquer teste preliminar, enquadrando-os numa lista de categorias onde alinhava dos mais inteligentes aos menos dotados.
Segundo ela, o Homem, descendente do macaco, a partir do qual tinha evoluído, era tanto mais inteligente quanto mais se distanciasse das características físicas dos macacos.
Ou seja, se um dos seus alunos marchava com um ar curvado, se tinha a testa sulcada de rugas horizontais e se os seus braços eram mais compridos que a média dos jovens da sua idade, era certo e sabido que ficavam catalogados no último patamar da escala idealizada pela Juliana.
Patamar esse onde ficavam enquadrados aqueles que, na sua opinião, tinham nascido com fracas capacidades intelectuais, embora lhes reconhecesse boa aptidão para os trabalhos manuais, para a ginástica e para os desportos.
No patamar cimeiro, ficariam englobados aqueles que exibissem um porte erecto, os olhos azuis ou verdes e, teste dos testes, uma ruga vertical na testa com origem entre os olhos.
Recordo-me perfeitamente que à aproximação da Juliana os seus alunos compunham de imediato uma postura de grande verticalidade, havendo até quem andasse constantemente a comprimir a pele da testa para conseguir construir uma ruga vertical que denunciasse inteligência.
Eu não fugi à regra nessas tentativas, porque as notas da Juliana em muito eram dadas a partir dessas características físicas.
Só nunca consegui arranjar um método que transformasse a cor dos meus olhos castanhos.
E por isso fui apenas um aluno mediano em Filosofia, cujas notas nunca conseguiram ultrapassar o 12.
Texto do Rui Felício
Etiquetas: Estórias, Liceu D. João III, Rui Felício


9 Comentários:
Parece impossível um rapaz tão jeitoso como tu eras para que é que precisavas de olhos azuis ou verdes? Parece-me que ela não só era parva como estava a precisar de óculos... Não sei como conseguiu resistir ao teu ar doce de quem não partia um prato...
Só tenho pena que este piropo venha de um anónimo.
Sim porque se fosse uma anónima, já me estava a babar todo.
Se bem que isso de babar também pode ser mal da idade.
Rui felicio
Eu acho que este piropo é de uma admiradora secreta ou então de alguma antiga namorada tua, ou mesmo alguma que sempre sonhou em namorar contigo, tal era o teu charme nessa época que andava muita garina enamorada por ti.
Ana Maria Roque
Oh Ana,
Isso não vale!Assim é que fico todo babado, especialmente por o elogio vir de ti.
Mas não tens razão. Sabes muito bem que eu era um rapaz sossegadinho.
Rui Felicio
Cuidado que te começam a aparecer as louras para te confundirem. Ainda ficas baralhado e vais dizer que a Juliana era morena de olho verde.
Vais ja dizer que são lindas e inteligentes.
Acusam-me de ser meio racista por não gostar do castanho, mas julgo mesmo que sou racista por inteiro para me defender e digo. É que não gosto nem de castanhos nem de louras.
Assim ja se calam.
Eu sou profundamente racista!
Só gosto e mulheres
Rui Felicio
há uma pequena gralha ali e como o tema tem alguma susceptibilidade eu repito:
SÓ GOSTO DE MULHERES
É esse o meu racismo, ou seja, não alinho com quase metade da população mundial.
Rui Felício
A Juliana também foi minha professora de Filosofia. Aliás, andávamos na alínea e), não era?
A Juliana era conhecida como "Rainha Santa", se bem me lembro, por que além de "boa", no sentido carnal/sexista do termo, era também "boazinha"...
Ou seja, um mimo dava direito a positiva. Ou não era assim, Felício? Eras bem mais mestre do que eu.
Gim
Estás enganado Gim.
Jamais corromperia a Juliana.
As notas positivas que ela me deu foram obtidas à custa de muito franzir a testa ( ruga vertical ).
Aliás ficou bem conhecido o silogismo que na Lógica Formal eu construi e que me valeu uma boa nota da Juliana:
- Quem tem pernas anda
- A cadeira tem pernas
- Logo, a cadeira anda
Rui Felicio
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