O BAIRRO
As palavras podem ser banais ou prodigiosas, mas com elas percorremos os caminhos da memória e do esquecimento. Elas marcam os conteúdos de que todos somos feitos, quer dos mais importantes, quer dos mais simples, como, por exemplo, o meu primeiro dia no Bairro, era o ano de 1950.
O meu Pai veio dizer onde era a casa. Ficámos a minha Mãe, uma senhora que vinha ajudar na limpeza e eu encantadas com tanto espaço para brincar.
Porém, ainda não se falava em "menu com entrega ao domicilio" e era preciso ir a casa preparar a refeição. Tudo bem! Só que no regresso, tal como Minotauro foi encerrado com a Mãe no Labirinto construido por Dédalo, também nós andámos às voltas entre casas e ruas e ruas e casas, que pareciam todas iguais.
Dédalo a nós, tal como fez a Teseu, não nos forneceu o novelo cujo fio guiasse os nossos passos. E era o almoço de um lado dentro de um saco, eu do outro e a minha Mãe que não tinha IPHONE 3G, com uma grande arrelia, imaginando a senhora cheia de fome e que só no dia seguinte ficou a saber o porquê de tal penitência... não conseguimos encontrar a casa...
Quando no outro dia voltei, foi tudo diferente, uma miúda (a Milú Mourato) chamou : menina vem brincar comigo, eu só brinco com o Pedro (Sousa Dias). Depois veio a Nela e Amélia Curado... e já eramos mais e começaram as aventuras e a amizade que faz parte das nossas vidas... E outros mais vieram e muitas as histórias...
Não era necessário dizer o nome do Bairro Marechal Carmona. Era O Bairro, porque era uma referência. Um exemplo de harmonia arquitectónica e social, resultando daí uma vivência humana muito rica.
Basta hoje olharmos para as zonas J, Bairro da Fonte, Bairro da Rosa, para vermos a excelência, em todas as vertentes, do nosso. Um Bairro interclassista, harmonioso e pacífico. Todos fomos educados num espirito de humildade e igualdade e podemos dizer que, do ponto de vista social, foi um grande exemplo. E nós fomos a geração das "Boas Pessoas", com ideais, com preocupações, que nos anos 60 pensávamos que podíamos mudar o Mundo.
Sempre vivi e moro no Bairro. Em miúda, ia passar férias à Figueira da Foz, mas, confesso, quando chegava à Bencanta já sentia saudades do meu Bairro...
Manuela Dias
O meu Pai veio dizer onde era a casa. Ficámos a minha Mãe, uma senhora que vinha ajudar na limpeza e eu encantadas com tanto espaço para brincar.
Porém, ainda não se falava em "menu com entrega ao domicilio" e era preciso ir a casa preparar a refeição. Tudo bem! Só que no regresso, tal como Minotauro foi encerrado com a Mãe no Labirinto construido por Dédalo, também nós andámos às voltas entre casas e ruas e ruas e casas, que pareciam todas iguais.
Dédalo a nós, tal como fez a Teseu, não nos forneceu o novelo cujo fio guiasse os nossos passos. E era o almoço de um lado dentro de um saco, eu do outro e a minha Mãe que não tinha IPHONE 3G, com uma grande arrelia, imaginando a senhora cheia de fome e que só no dia seguinte ficou a saber o porquê de tal penitência... não conseguimos encontrar a casa...
Quando no outro dia voltei, foi tudo diferente, uma miúda (a Milú Mourato) chamou : menina vem brincar comigo, eu só brinco com o Pedro (Sousa Dias). Depois veio a Nela e Amélia Curado... e já eramos mais e começaram as aventuras e a amizade que faz parte das nossas vidas... E outros mais vieram e muitas as histórias...
Não era necessário dizer o nome do Bairro Marechal Carmona. Era O Bairro, porque era uma referência. Um exemplo de harmonia arquitectónica e social, resultando daí uma vivência humana muito rica.
Basta hoje olharmos para as zonas J, Bairro da Fonte, Bairro da Rosa, para vermos a excelência, em todas as vertentes, do nosso. Um Bairro interclassista, harmonioso e pacífico. Todos fomos educados num espirito de humildade e igualdade e podemos dizer que, do ponto de vista social, foi um grande exemplo. E nós fomos a geração das "Boas Pessoas", com ideais, com preocupações, que nos anos 60 pensávamos que podíamos mudar o Mundo.
Sempre vivi e moro no Bairro. Em miúda, ia passar férias à Figueira da Foz, mas, confesso, quando chegava à Bencanta já sentia saudades do meu Bairro...
Manuela Dias
Etiquetas: Bairro


18 Comentários:
E ASSIM SE VAI ESCREVENDO UM BELO LIVRO!!!
Mais um encantador contributo.
PARABÉNS Manuela Dias!!!
Um Apache da
Geração d´oiro - Anos 60
O Apache II sou eu
De NYC
José Leitão
Também acho que é dos melhores escritos do blog, simples, objectivo, sem as peneiras elitistas de muitos que aqui vejo (mas não leio).
Impaciente!
O Impaciente! sou eu!
Impaciente!
Olá Manuela!
Demorou um pouquinho mas valeu a pena!
Muito bom texto!
Muitos parabéns...e agora ficamos á espera de mais!
Texto muito belo. É um relato pausado, sóbrio e calmo. Vale a pena ser lido e relido muitas vezes.
Parabéns.
Jó-Jó
por falar em livro, acho que era extremamente interessante juntarem-se e compilarem historias, fotografias, recordações, documentos e 'estorias' ...um pouco como aqui vao fazendo e um dia fazer um livro. Tenho muito carinho p'lo Bairro. A minha primeira morada foi a R.Daniel de Matos ...mesmo ao lado do Penacovense (esquininha). Leio-vos sempre com muita paixão e interesse.
um abraço de parabens
Parabéns pela participação.
Gostei muito e espero que este seja o primeiro de muitos que se seguirão.
Trata-se de uma senhora que terá chegado ao Bairro no mesmo ano que eu, trata-se de uma senhora que ainda vive por cá - como eu - e que escreve de uma forma limpa, escorreita, desprentenciosa ...mas QUE EU NÃO ESTOU A VER DE QUEM SE TRATA!!! Que vergonha!!!
Certamente que chegarei à conclusão que sei quem é, mas hoje... não vou lá!
PS: Cara Amiga, sou dessa geração de "60", mas não considero que seja uma geração de "Boas Pessoas", talvez eu não tenha apanhado o sentido que quiz dar a este ròtulo....
Muito bem!
:)
Olá Nela! Ainda bem que apareceste e com um texto tão bonito! Beijinhos
Titá
Ó Rui Pato tu não serás do Clube do Mário P. A.para quem o Bairro terminava no marco do correio? É que a Nela morava (e acho que mora ainda) quase na rua de Moçambique, portanto LONGE da tua casa. Titá
Não Titá, eu sempre fui mais abrangente naquilo que são e eram os limites do bairro.
Mas tens razão, porque uma coisa são os limites geográficos, outra foram os nossos circuitos habituais na época e, esses sim, eram muito limitados ao "microclima" do "West Syde".
Belo texto. Lê-se de uma penada, sem esforço e de cada palavra sua se desenvolvem sentimentos e recordações que dariam para encher as páginas de um livro.
Dá gosto ler coisas destas.
Um beijinho Manuela
Rui Felicio
A esta tb eu conheço, embora longe do marco do correio...Não eras, e és, porta com porta com as Curados??? Lembro-me muito bem de uma loirinha....Não sei quantos volumes vai ter um livro, mas já me parece maior que um Pantagruel, com tantas e tão boas receitas...
Timidamente,pois saibam que sou uma principiante da net,só hoje li os comentários.Ficou a alegria gerada pelas palavras,que são mais que palavras...foram a vossa simpatia.
Obrigada
Com estima
Manuela Dias
Timidamente,pois saibam que sou uma principiante da net,só hoje li os comentários.Ficou a alegria gerada pelas palavras,que são mais que palavras...foram a vossa simpatia.
Obrigada
Com estima
Manuela Dias
Fica provada a minha ignorância nestas lides...O que é isso de fazer um comentário? Fiz um e saiu logo em duplicado!
Manuela Dias
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