RECORDAÇÕES DO VELHO CENTRO (PART THREE)
O DIA DO JUÍZO
Por fim, contar-vos um episódio passado no velho Centro, que mais se assemelha a uma cena de um filme do género “Pátio das Cantigas”…
Em determinado dia, foi a Direcção do Centro avisada da visita de várias entidades camarárias, para tratar de assuntos respeitantes ao próprio Centro e igualmente de cortesia.
Mobilizou-se a Direcção, no sentido de oferecer a “suas excelências” um jantar volante, precisamente no andar superior do Centro.
Retiraram-se as cadeiras e colocou-se uma enorme mesa, digna de figurar nos anais de gastronomia: frango de churrasco, leitão da Bairrada, as mais variadas entradas, vinhos de marca, doçaria em quantidades generosas etc. etc.etc .
Chegadas “suas excelências”, a Direcção apresentou-se em peso, sendo que um dos elementos se fazia acompanhar de um cão, que ao que me é dado saber, seria da raça perdigueiro. Após os cumprimentos protocolares, e no calor da conversa, ninguém reparou que o canídeo se esgueirou escada a cima.
Não será preciso fazer um grande esforço, para se perceber o contentamento do cão, quando se viu sózinho, perante uma mesa tão bem fornecida de boa comida…
Terminada a reunião sobre os “assuntos pendentes”, estava na hora de passar ao andar superior para o repasto…
Então o Senhor Silva Santos, que foi morador na Rua de Marraquene, qual mestre de cerimónias, subiu para ver se estava tudo em ordem, e o que se lhe deparou foi uma espécie de segunda edição da batalha de Aljubarrota, desta vez sem espanhóis. Era destroços por tudo quanto era sítio … bocados de frango e leitão pelo chão, restos de pasteis de bacalhau, nacos de pão lambuzados e o resto que se pode adivinhar...
Então desceu a escada e com a calma que lhe era reconhecida exclamou: Meus senhores o jantar que era para haver… já não há, porque apareceu um cão que comeu tudo!!!
Após um momento de perplexidade, todos rumaram escada a cima para observar os estragos, sendo que tudo acabou em bem, provocando igualmente o riso de “suas excelências” perante um cão de barriga cheia e doce olhar que… convenhamos, tinha uma enorme falta de etiqueta…
(ao finalizar estas memórias, não quero deixar de expressar a minha homenagem a todos quantos naqueles tempos difíceis fundaram o velho Centro, e mais tarde deram corpo ao Centro Norton de Matos, não regateando esforços e comprometendo os seus momentos de lazer em prol do nosso Bairro e do maravilhoso movimento associativo que à sua volta se gerou, não enumerando todos quantos o fizeram, pois por esquecimento posso cometer a injustiça de omitir algum.)
A todos eles, os que connosco estão e aos que já partiram mas continuam no nosso pensamento, dedico este simples texto.
Quito – Rua D
Por fim, contar-vos um episódio passado no velho Centro, que mais se assemelha a uma cena de um filme do género “Pátio das Cantigas”…
Em determinado dia, foi a Direcção do Centro avisada da visita de várias entidades camarárias, para tratar de assuntos respeitantes ao próprio Centro e igualmente de cortesia.
Mobilizou-se a Direcção, no sentido de oferecer a “suas excelências” um jantar volante, precisamente no andar superior do Centro.
Retiraram-se as cadeiras e colocou-se uma enorme mesa, digna de figurar nos anais de gastronomia: frango de churrasco, leitão da Bairrada, as mais variadas entradas, vinhos de marca, doçaria em quantidades generosas etc. etc.etc .
Chegadas “suas excelências”, a Direcção apresentou-se em peso, sendo que um dos elementos se fazia acompanhar de um cão, que ao que me é dado saber, seria da raça perdigueiro. Após os cumprimentos protocolares, e no calor da conversa, ninguém reparou que o canídeo se esgueirou escada a cima.
Não será preciso fazer um grande esforço, para se perceber o contentamento do cão, quando se viu sózinho, perante uma mesa tão bem fornecida de boa comida…
Terminada a reunião sobre os “assuntos pendentes”, estava na hora de passar ao andar superior para o repasto…
Então o Senhor Silva Santos, que foi morador na Rua de Marraquene, qual mestre de cerimónias, subiu para ver se estava tudo em ordem, e o que se lhe deparou foi uma espécie de segunda edição da batalha de Aljubarrota, desta vez sem espanhóis. Era destroços por tudo quanto era sítio … bocados de frango e leitão pelo chão, restos de pasteis de bacalhau, nacos de pão lambuzados e o resto que se pode adivinhar...
Então desceu a escada e com a calma que lhe era reconhecida exclamou: Meus senhores o jantar que era para haver… já não há, porque apareceu um cão que comeu tudo!!!
Após um momento de perplexidade, todos rumaram escada a cima para observar os estragos, sendo que tudo acabou em bem, provocando igualmente o riso de “suas excelências” perante um cão de barriga cheia e doce olhar que… convenhamos, tinha uma enorme falta de etiqueta…
(ao finalizar estas memórias, não quero deixar de expressar a minha homenagem a todos quantos naqueles tempos difíceis fundaram o velho Centro, e mais tarde deram corpo ao Centro Norton de Matos, não regateando esforços e comprometendo os seus momentos de lazer em prol do nosso Bairro e do maravilhoso movimento associativo que à sua volta se gerou, não enumerando todos quantos o fizeram, pois por esquecimento posso cometer a injustiça de omitir algum.)
A todos eles, os que connosco estão e aos que já partiram mas continuam no nosso pensamento, dedico este simples texto.
Quito – Rua D
Etiquetas: Bairro


6 Comentários:
Brilhante!
Não façam algum concurso para atribuição do melhor texto!!!?
Senão teremos vários 1ºs ex-equos!
Alías...já os temos!!!
Continua Quito.
Obrigado!
José Leitão
Claro que me refiro a todos os "textos" já aqui publicados da autoria do Quito.
VIVA A ACADÉMICA!
José Leitão
Obrigado por este teu contributo e que são o reflexo de como sempre acompanhaste a vida do nosso Bairro até porque em casa tinhas o exemplo de teu pai,e meu bom amigo Agostinho de Deus, que também dedicou uma parte da sua vida ao Centro de Recreio,como Fundador e depois fazendo parte de direcções seguintes!
Parabéns.
Para mim foi um prazer ler estas três peças. Além de muito bem escrito transporta-nos a um tempo e a um lugar de que poucos relatos havia. Se fosse necessário "contratar" alguém para fazer um trabalho sobre o Clube eu não teria dúvida em propôr o teu nome.
Também tenho boas memórias do teu Pai. Foi um dos bandeirantes do nosso bairro.
pode ter-me passado, mas nao vi nada sobre as noites de Verão no primeiro centro, quando se colocava uma televisão no exterior e umas filas valentes de cadeiras para o pessoal ver a rtp.. na altura havia poucas televisões nas casas da malta e faziam-se os serões ao ar livre no clube, com as senhoras a ver, a miudagem na rua a brincar e os senores no interior do clube a fumar e a jogar.....
joão pinheiro de almeida
Para mim, que era muito puto na altura, guardo a recordação das noites de verão com a televisão cá fora. Ficava até dar a Volta a Portugal, com a cabeça já a baloiçar para o sono. Ainda hoje tenho aquela música da Volta nos ouvidos. Depois vinha o hino e a mira. E casa.
Foi muito bom voltar a ter estas sensações por força das bem contadas estórias do Quito.
Força para as próximas!!
Jó-Jó
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