CIÊNCIA EXACTA
Sou muito modesto e por isso uma vez fiquei espantado quando finalmente percebi que muita gente (eram pelo menos duas!) achava que eu tinha sido um bom aluno. Nada de mais errado! Não fui. Mas também não mostro a caderneta. Sou muito cioso da minha privacidade. Mais facilmente mostraria os três pêlos mirrados que tenho no peito. Sendo modesto sou também muito inteligente, diria mesmo brilhante, na arte de enganar sobre o brilhantismo que não tenho. Perceberam? Não? Volto a dizer por outras palavras: sou brilhante a dar a entender que sou brilhante não o sendo! Brilhante definição têm que concordar. Vamos à prova científica.
Premissas:
O meu professor de Ciências Naturais do antigo 6º ano, o famoso Fígaro, tinha dado cabo de mim durante um ano inteiro e embora estivesse habituado a combates desiguais ao longo de toda a vida não estava treinado para combates tãããooo desiguais! Por isso achei melhor anular a matrícula e auto propor-me quando chegasse o momento do exame do 7º ano (pensando bem isto só prova a minha força de carácter, a minha forte personalidade: perante um problema difícil a solução é torná-lo ainda mais complexo. Claro que também lhe podemos chamar mais simplesmente irresponsabilidade!). E os meses lá foram passando sem que eu me preocupasse muito com o assunto. Para me preparar nos intervalos de nada fazer ia tentando dissecar umas rãs que a minha namorada Cilinha me trazia com amor da Pateira de Fermentelos. Outros tempos em que o produto nacional ainda tinha consideração e valor. Se fosse hoje teria treinado a dissecar rãs (ou mesmo sapos) importados da Nova Zelândia e vendidos em promoção no Continente. E as vantagens seriam óbvias: as ditas já viriam mortas e congeladas. Bastava levá-las ao forno microondas procurando ter cuidado para não estorricar as ditas ou provocar reacções de estica encolhe das pernas fenómeno como sabemos ligado à descoberta da electricidade pelo Benjamim Franklin (curiosamente ele não usou rãs mas uma pipa, mas isso são detalhes pois as rãs agitam mesmo o pernil se levarem uns choque eléctricos!).
Onde é que eu ia? Ah! Já sei: o não estudo. Com o exame à porta entrei na época do marranço andando para trás e para a frente no jardim de casa dos meus pais, Rua F nº26, tentando empinar o que o livro único dizia. O exame escrito passou sem mossa de maior. Era apenas vomitar o que tinha mal digerido. Veio a parte prática. Toca de pôr uma bata branca e entrar para o laboratório. Quem conhece bem o D. João III sabe que entrando pela porta principal se desemboca num hall redondo e indo em frente se chega a umas primeiras escadas que se desdobram num ramal esquerdo e noutro direito. Era subindo pelo esquerdo que no cimo se dava de caras com o dito laboratório. Respondendo à chamada entrei. Lá fui guiado para o meu canto e esperei pelo início mas ansioso pelo fim. As tarefas podiam ser várias mas comecei logo a suspeitar que aquilo ia dar para o torto ao não ver nenhuma rã. Uma jovem professora explica o que tínhamos que fazer: identificar uma coisa tipo calhau que por ali andava e classificar um minério usando a balança de Jolly (assim chamou a professora a uma espécie de forca que ali estava e que em vez de corda tinha um fio metálico enrolado em espiral (a que o povo chama simplesmente mola) e ligado na sua parte final a um pequeno prato.). Confesso que a metáfora de forca tive-a logo naquele momento, sentindo-me num cadafalso com uma corda ao pescoço e com o ar a começar a faltar...
Cinco minutos volvidos chamei a jovem professora e disse:
-- Já sei o que é esta coisa.
-- Então diga.
-- É um fóssil.
-- Claro mas que fóssil?
-- Que fóssil??
Afinal a minha mãe não tinha razão. Às vezes mentir compensa ou dito de modo mais preciso: fazer bluff como à lerpa ou ao poker resulta. Mas tudo isto teve um preço no que toca à minha fé na ciência: a ciência até pode ser natural mas não é exacta.
Sou brilhante sem o ser!
Q.E.D.
Jó-Jó
Já pub.3jul2008
Premissas:
O meu professor de Ciências Naturais do antigo 6º ano, o famoso Fígaro, tinha dado cabo de mim durante um ano inteiro e embora estivesse habituado a combates desiguais ao longo de toda a vida não estava treinado para combates tãããooo desiguais! Por isso achei melhor anular a matrícula e auto propor-me quando chegasse o momento do exame do 7º ano (pensando bem isto só prova a minha força de carácter, a minha forte personalidade: perante um problema difícil a solução é torná-lo ainda mais complexo. Claro que também lhe podemos chamar mais simplesmente irresponsabilidade!). E os meses lá foram passando sem que eu me preocupasse muito com o assunto. Para me preparar nos intervalos de nada fazer ia tentando dissecar umas rãs que a minha namorada Cilinha me trazia com amor da Pateira de Fermentelos. Outros tempos em que o produto nacional ainda tinha consideração e valor. Se fosse hoje teria treinado a dissecar rãs (ou mesmo sapos) importados da Nova Zelândia e vendidos em promoção no Continente. E as vantagens seriam óbvias: as ditas já viriam mortas e congeladas. Bastava levá-las ao forno microondas procurando ter cuidado para não estorricar as ditas ou provocar reacções de estica encolhe das pernas fenómeno como sabemos ligado à descoberta da electricidade pelo Benjamim Franklin (curiosamente ele não usou rãs mas uma pipa, mas isso são detalhes pois as rãs agitam mesmo o pernil se levarem uns choque eléctricos!).
Onde é que eu ia? Ah! Já sei: o não estudo. Com o exame à porta entrei na época do marranço andando para trás e para a frente no jardim de casa dos meus pais, Rua F nº26, tentando empinar o que o livro único dizia. O exame escrito passou sem mossa de maior. Era apenas vomitar o que tinha mal digerido. Veio a parte prática. Toca de pôr uma bata branca e entrar para o laboratório. Quem conhece bem o D. João III sabe que entrando pela porta principal se desemboca num hall redondo e indo em frente se chega a umas primeiras escadas que se desdobram num ramal esquerdo e noutro direito. Era subindo pelo esquerdo que no cimo se dava de caras com o dito laboratório. Respondendo à chamada entrei. Lá fui guiado para o meu canto e esperei pelo início mas ansioso pelo fim. As tarefas podiam ser várias mas comecei logo a suspeitar que aquilo ia dar para o torto ao não ver nenhuma rã. Uma jovem professora explica o que tínhamos que fazer: identificar uma coisa tipo calhau que por ali andava e classificar um minério usando a balança de Jolly (assim chamou a professora a uma espécie de forca que ali estava e que em vez de corda tinha um fio metálico enrolado em espiral (a que o povo chama simplesmente mola) e ligado na sua parte final a um pequeno prato.). Confesso que a metáfora de forca tive-a logo naquele momento, sentindo-me num cadafalso com uma corda ao pescoço e com o ar a começar a faltar...
Cinco minutos volvidos chamei a jovem professora e disse:
-- Já sei o que é esta coisa.
-- Então diga.
-- É um fóssil.
-- Claro mas que fóssil?
-- Que fóssil??
(mas o que será que ela quer saber mais, interrogava-me eu, puxando pela memória visual e tentando ganhar tempo).
Que fóssil? Uhm, náutilus , amonite!
-- Muito bem. Agora explique porquê?
-- Porquê? Porquê porquê?
(e agora, de novo pensava eu, estou tramado. Lembrei-me então dos conselhos da minha mãe sobre a importância de dizer sempre a verdade pois aos que não mentem a recompensa sempre chega)
--Porquê? Porque é igual à fotografia do livro!!!
E enquanto eu me abria num largo sorriso que era uma mistura de sensação de homem honesto e sabedor a jovem professora arregalava os olhos de espanto. E dispara:
-- Mas isso não é uma justificação científica. Não é uma resposta!
-- Talvez não seja mas é a mais sincera que tenho para lhe dar, retorqui enquanto mentalmente agradecia à minha mãe.
A jovem professora afasta-se de repente facto que interpretei como resposta correcta e passo de imediato à etapa da classificação do minério para o que teria que usar um livro e a dita balança que se dá parcialmente pelo nome do cavalo do Lucky Luke. Feitas as apresentações entre mim e o minério -- bafejado cheira a barro ? passando com a unha fazemos um sulco? toca de usar a balança para determinar a densidade. Grande estrondo, tudo a olhar para mim e a jovem professora vem ter comigo de novo e olha para a balança de Jolly estatelada no chão. Foi essa a razão do estrondo. A queda da forca!
-- O que aconteceu?, pergunta ela.
-- Nada, respondi. A balança deve estar avariada, são coisas que acontecem.
-- Mas o que é que o menino fez??
(mãe, mãe, digo a verdade???)
-- Então pus o minério no prato e isto caiu. Está mesmo avariada!!!
A jovem professora olha para o chão e repara no imenso minério que estatelado ao lado da forca.
-- Mas, mas, onde está o minério?
-- Então, está ali, no chão (pensando eu que a jovem professora era cega -- e tinha motivos para pensar assim tal era o olhar dela.)
-- Não, o minério. O outro!!!
(afinal, matutava eu isto era mais difícil. Afinal havia outro! Mas qual, sim qual??? Ajuda-me mãe, tira-me deste pesadelo!)
-- ????
-- Aquele! É aquele. Diz finalmente a jovem professora apontando para um ser raquítico que estava em cima da bancada.
-- Ah, esse! Pois. Não o vi. Também é tão pequeno, não é?
Feitas as apresentações entre mim e o jovem filho de minério foi só colocar a forca na posição vertical e retomar o exercício. A jovem professora essa foi-se sentar à beira da janela aberta enquanto usava uma folha de exame como leque. Está nervosa pensei eu....
Um pouco mais tarde.
-- Sôtora!
-- Sim!?
-- É um granito!
-- Um granito??? Ai é um granito? Diz a jovem professora com um esgar agora irónico. Então onde estão a mica o quartzo e o feldspato?
-- Pois, eu também achei que não era ... mas é o que diz o livro! Se calhar é como a balança, arrisquei eu: o livro também está estragado...
(ai mãe mãe que a verdade ainda me mata...)
-- Mostra como fizeste.
(O tom de voz da jovem professora agora deixava transparecer uma leve irritação, coisa que achei despropositado ainda para mais num exame. Falta de pedagogia, pensei, é ainda muito nova! Perdoei-lhe logo ali.)
Mostrei seguindo o tal livro.
-- Está tudo certo só que o nome vem no início e não no fim, diz ela.
-- Ah! Então é uma galena, afirmei convicto. (Afinal o livro não estava estragado. Era apenas ilógico... pelo menos para um canhoto.)
-- Pode sair. Terminou o seu exame.
A professora voltou para o trinómio cadeira janela e leque e eu saí aliviado e agradecendo à minha mãe. Agora era só esperar pela saída da nota da escrita e da prática.
Saiu. Tive dez! Conclui desde logo que tinha feito um exame prático de excepção. Como todos sabem esta é a nota mais difícil de obter só ao alcance de predestinados. É o equilíbrio perfeito entre o tudo e o nada. O único senão é que tinha que fazer oral. E se havia uma coisa que eu sabia era que não sabia nada daquilo. Mas aceitei mais este desafio. No dia marcado lá me apresentei. Era o último da manhã e iria ser examinado não pelo Dr. Pimentel ou algumas das suas meninas mas pelo temível e temido Dr. Viriato. O homem tinha fama de galã e andava sempre muito bem vestido e com um lenço ao pescoço. Sabia que se tivesse doze valores dispensava do então denominado exame de aptidão honrando a tradição de família. Mas se eu não sabia nem para dez como subir para doze? Houve um intervalo a meio da manhã para os professores poderem ir mictar. Regressava o Dr. Viriato à sala com ar de quem está aliviado quando eu num impulso o interpelo:
-- Sôtor.
-- O que é que queres? diz ele olhando de soslaio para mim.
-- Sabe. Já fiz os exames todos e falta-me apenas este. Venho com dez à oral mas se tiver doze dispenso do exame de aptidão. Queria pedir-lhe se me fazia um exame difícil para eu poder subir a nota.
-- Como? Queres uma oral muito difícil? Não te preocupes que isso já tinha garantido mesmo antes de falares comigo. Subir de dez para doze? Dispensas da aptidão? Está bem. Vamos lá ver o que vales.
Entra tudo para a sala eu caio em mim e digo mãe o que fiz eu? Menti!!
Mas alea jacta est. Agora era só (de)esperar. Chega finalmente a minha vez e na sala estamos apenas eu o D. Viriato e outro professor.
-- Como se formaram os continentes? dispara como primeira pergunta.
(penso: esta deve ter uma ratoeira. É fácil e não tem nada a ver com a matéria....)
-- Foram deslizando pela água! resposta pronta e 1-0 a meu favor.
-- Muito bem. Sabes disto. E dá-me agora um exemplo de um mamífero cujo habitat natural seja a água.
-- Mamífero habitat água? fingia estar a pensar e até estava
(p***** será mais outra ratoeira? Estou lixado. Está a gozar comigo como se eu fosse um touro e ele o toureiro. Mas tenho que responder o óbvio)
-- Baleia!? digo com voz sumida.
-- Perfeito! Estou satisfeito. Podes ir-te embora.
-- Mas mas eu preciso de doze para dispensar, imploro.
-- O quê?
-- De doze dispensar aptidão...
-- Rua!!!
Cá fora os outros olhavam para mim com ar estranho mas tinha a certeza de que tinha acertado nas respostas. Só não percebia era a razão das perguntas. Saí por isso sem saber o que me esperava. Mas não demorei muito a saber. O Almeida contínuo levou a pauta para afixar no hall redondinho da entrada. Depois de furar pelo meio da populaça e leio meio incrédulo .... Aprovado (12)!!
Conclusão:
-- Muito bem. Agora explique porquê?
-- Porquê? Porquê porquê?
(e agora, de novo pensava eu, estou tramado. Lembrei-me então dos conselhos da minha mãe sobre a importância de dizer sempre a verdade pois aos que não mentem a recompensa sempre chega)
--Porquê? Porque é igual à fotografia do livro!!!
E enquanto eu me abria num largo sorriso que era uma mistura de sensação de homem honesto e sabedor a jovem professora arregalava os olhos de espanto. E dispara:
-- Mas isso não é uma justificação científica. Não é uma resposta!
-- Talvez não seja mas é a mais sincera que tenho para lhe dar, retorqui enquanto mentalmente agradecia à minha mãe.
A jovem professora afasta-se de repente facto que interpretei como resposta correcta e passo de imediato à etapa da classificação do minério para o que teria que usar um livro e a dita balança que se dá parcialmente pelo nome do cavalo do Lucky Luke. Feitas as apresentações entre mim e o minério -- bafejado cheira a barro ? passando com a unha fazemos um sulco? toca de usar a balança para determinar a densidade. Grande estrondo, tudo a olhar para mim e a jovem professora vem ter comigo de novo e olha para a balança de Jolly estatelada no chão. Foi essa a razão do estrondo. A queda da forca!
-- O que aconteceu?, pergunta ela.
-- Nada, respondi. A balança deve estar avariada, são coisas que acontecem.
-- Mas o que é que o menino fez??
(mãe, mãe, digo a verdade???)
-- Então pus o minério no prato e isto caiu. Está mesmo avariada!!!
A jovem professora olha para o chão e repara no imenso minério que estatelado ao lado da forca.
-- Mas, mas, onde está o minério?
-- Então, está ali, no chão (pensando eu que a jovem professora era cega -- e tinha motivos para pensar assim tal era o olhar dela.)
-- Não, o minério. O outro!!!
(afinal, matutava eu isto era mais difícil. Afinal havia outro! Mas qual, sim qual??? Ajuda-me mãe, tira-me deste pesadelo!)
-- ????
-- Aquele! É aquele. Diz finalmente a jovem professora apontando para um ser raquítico que estava em cima da bancada.
-- Ah, esse! Pois. Não o vi. Também é tão pequeno, não é?
Feitas as apresentações entre mim e o jovem filho de minério foi só colocar a forca na posição vertical e retomar o exercício. A jovem professora essa foi-se sentar à beira da janela aberta enquanto usava uma folha de exame como leque. Está nervosa pensei eu....
Um pouco mais tarde.
-- Sôtora!
-- Sim!?
-- É um granito!
-- Um granito??? Ai é um granito? Diz a jovem professora com um esgar agora irónico. Então onde estão a mica o quartzo e o feldspato?
-- Pois, eu também achei que não era ... mas é o que diz o livro! Se calhar é como a balança, arrisquei eu: o livro também está estragado...
(ai mãe mãe que a verdade ainda me mata...)
-- Mostra como fizeste.
(O tom de voz da jovem professora agora deixava transparecer uma leve irritação, coisa que achei despropositado ainda para mais num exame. Falta de pedagogia, pensei, é ainda muito nova! Perdoei-lhe logo ali.)
Mostrei seguindo o tal livro.
-- Está tudo certo só que o nome vem no início e não no fim, diz ela.
-- Ah! Então é uma galena, afirmei convicto. (Afinal o livro não estava estragado. Era apenas ilógico... pelo menos para um canhoto.)
-- Pode sair. Terminou o seu exame.
A professora voltou para o trinómio cadeira janela e leque e eu saí aliviado e agradecendo à minha mãe. Agora era só esperar pela saída da nota da escrita e da prática.
Saiu. Tive dez! Conclui desde logo que tinha feito um exame prático de excepção. Como todos sabem esta é a nota mais difícil de obter só ao alcance de predestinados. É o equilíbrio perfeito entre o tudo e o nada. O único senão é que tinha que fazer oral. E se havia uma coisa que eu sabia era que não sabia nada daquilo. Mas aceitei mais este desafio. No dia marcado lá me apresentei. Era o último da manhã e iria ser examinado não pelo Dr. Pimentel ou algumas das suas meninas mas pelo temível e temido Dr. Viriato. O homem tinha fama de galã e andava sempre muito bem vestido e com um lenço ao pescoço. Sabia que se tivesse doze valores dispensava do então denominado exame de aptidão honrando a tradição de família. Mas se eu não sabia nem para dez como subir para doze? Houve um intervalo a meio da manhã para os professores poderem ir mictar. Regressava o Dr. Viriato à sala com ar de quem está aliviado quando eu num impulso o interpelo:
-- Sôtor.
-- O que é que queres? diz ele olhando de soslaio para mim.
-- Sabe. Já fiz os exames todos e falta-me apenas este. Venho com dez à oral mas se tiver doze dispenso do exame de aptidão. Queria pedir-lhe se me fazia um exame difícil para eu poder subir a nota.
-- Como? Queres uma oral muito difícil? Não te preocupes que isso já tinha garantido mesmo antes de falares comigo. Subir de dez para doze? Dispensas da aptidão? Está bem. Vamos lá ver o que vales.
Entra tudo para a sala eu caio em mim e digo mãe o que fiz eu? Menti!!
Mas alea jacta est. Agora era só (de)esperar. Chega finalmente a minha vez e na sala estamos apenas eu o D. Viriato e outro professor.
-- Como se formaram os continentes? dispara como primeira pergunta.
(penso: esta deve ter uma ratoeira. É fácil e não tem nada a ver com a matéria....)
-- Foram deslizando pela água! resposta pronta e 1-0 a meu favor.
-- Muito bem. Sabes disto. E dá-me agora um exemplo de um mamífero cujo habitat natural seja a água.
-- Mamífero habitat água? fingia estar a pensar e até estava
(p***** será mais outra ratoeira? Estou lixado. Está a gozar comigo como se eu fosse um touro e ele o toureiro. Mas tenho que responder o óbvio)
-- Baleia!? digo com voz sumida.
-- Perfeito! Estou satisfeito. Podes ir-te embora.
-- Mas mas eu preciso de doze para dispensar, imploro.
-- O quê?
-- De doze dispensar aptidão...
-- Rua!!!
Cá fora os outros olhavam para mim com ar estranho mas tinha a certeza de que tinha acertado nas respostas. Só não percebia era a razão das perguntas. Saí por isso sem saber o que me esperava. Mas não demorei muito a saber. O Almeida contínuo levou a pauta para afixar no hall redondinho da entrada. Depois de furar pelo meio da populaça e leio meio incrédulo .... Aprovado (12)!!
Conclusão:
Afinal a minha mãe não tinha razão. Às vezes mentir compensa ou dito de modo mais preciso: fazer bluff como à lerpa ou ao poker resulta. Mas tudo isto teve um preço no que toca à minha fé na ciência: a ciência até pode ser natural mas não é exacta.
Sou brilhante sem o ser!
Q.E.D.
Jó-Jó
Já pub.3jul2008
Etiquetas: JoJo


13 Comentários:
Jó-Jó,
Ciências Naturais - 8 (Reprovado);
Honestidade - 7 (Reprovado);
Memória - 14 (Dispensa da oral);
Bom Filho - 12 (precisa ir à oral);
Blufista - 16 (Dispensa da oral);
Escritor - 19 (Obrigado a manter);
Narrador - 20 (APROVADO COM DISTINÇÃO)
O presidente do Júri:
Alfredo Moreirinhas
Magnífico! Recordar o D. João III, o Almeida, o Fígaro, o Pimentel, o laboratório à esquerda de quem subia as escadas eoutras recordações que logo veem agarradas, o Pexincha e o seu latinório, o Homem Invisível, o Silveirinha, a Laura Mano, a Dora, o Galvão,o Pide do Padre Eugénio, o progressista Urbano Duarte, o Silva Santos ( "cabeça de apito") etc, etc, etc
Obrigado Jó.
Para não reinventar, mesmo repetindo, transcrevo o comentário que fiz a este post, em 03/07/2008 quando o Jo_Jo o publicou:
.......................
Comentários:
1. - Algumas passagens da crónica provam aquilo que sempre disse: ALUNO SOFRE!
QED
2. - O Jo_Jo veio mais tarde a ser professor. Será que os seus alunos dirão a mesma coisa em relação a ele? Não me parece. Com o sentido de humor deste Professor, as aulas dele devem ser muito aliciantes.
3. - O bluff é uma arma poderosíssima. Nada como ter o brlhantismo de se fazer crer que se é brilhante quando não se é, como muito bem demonstrou o Jo_Jo.
QED
4. - Convencermos os outros do nosso brilhantismo sem sermos brilhantes já é sermos brilhantes.
QED
5. - Por isso em tempos idos usei brilhantinha ( e vaselina sólida ).
É um gosto ler o Jo_Jo!
Rui Felício
Caro Dr. Rui Pato, permita-me a correcção: o "cabeça de apito" chamava-se Mário de Sousa Santos, foi um brilhante músico e pedagogo (meu professor no Conservatório até 1983, ano em que faleceu);
Caro Jó-jó, outrora aluno, agora Professor: boa hoistória e boa prosa. Parabéns (tal como já te disse pessoalmente). Continua!
A todos, Parabéns e Continuem pf. É um gosto nós, os "putos" do bairro lermos e percebermos a dimensão do cenário onde nascemos. Um dia destes contribuirei com algum material que estou a reunir referente ao Samambaia e ao seu primeriro proprietário, o meu (falecido) tio Vitor Hugo.
Rui Paulo Simões
Paulo Simões.
Pois é!!! Os meus amigos, ainda não descobriram bem... a dimensão deste nosso BLOGUE e por isso tanto o descuram.
TU, mais novinho... já lá chegaste... e até queres colaborar.
Venha daí essa estória!!!!
Qual "Celas" qual "Olivais"!...Qual "carapuça"
"Foi inaugurado no Bairro Marechal Carmona, o melhor e o mais bonito Café, dos bairros de Coimbra - O SAMAMBAIA"( não me recordo a data).
JÓ-JÓ, JÁ VOLTO!
Já falo sobre o texto.
Pois relembrando tempos passados, lá vamos tendo noticias de coisas inevitaveis.
Recordo bem o "seu" Vitor que tinha por mim uma especial estima. Os Apaches foram dos seus primeiros clientes e ele tinha ali uns aliados.
Com algum marketing, patrocinou uma equipa de Futebol de Salão nos Torneios Inter Cafes que se realizavam de madrugada no Pavilhão do Sport e nessa equipa o Custodio Moreirinhas e eu fomos capitães da equipa.
Por isso lanchámos algumas vezes e jantamos para manter a forma, com o devido patrocinio do Samambaia.
O genro Jorge Aguiar??? foi meu colega de turma no Liceu.
Ficou a recordação e a saudade desses tempos.
Alvaro Apache
Ler os teus textos calmamente e atentamente, é sempre um gosto, Jó-Jó!
Beijinhos.
Juju.
Meu querido amigo JÓ-JÓ:só quem é brilhante é que pode brilhantemente descrever desta maneira um exame prático de C.N..Exames destes também tive mas nunca conseguiria descreve-los assim.Continua a fazer-me rir,eu gosto.Um beijo da GINA FAUSTINO
O que me ri ao ler este texto perfeitamente extravagante!...
Pelo teu mérito, na DESENVOLTURA...na IMAGINAÇÃO e na IRONIA - 2O VALORES.
Sr.Professor Doutor
Ainda se identifica com este texto,
escrito no Verão passado?
cavalinho selvagem Memória
Jó-Jó
Afinal "o não estudo",com a astúcia de raposa,resultou de forma brilhante,como só os "brilhantes"são capazes.
O teu relato fez-me recordar um episódio, passado num exame oral de francês, em que o meu filho teria de subir a nota para poder transitar de ano.
Quando o professor lhe perguntou como iria passar as férias, ele lá respondeu com a verdade (era assim que a mãe o tinha educado),que dependia da nota que obtivesse ,pois se transitasse de ano,seriam certamente agradáveis,junto de outros e outras jovens.
Se não...a situação estaria radicalmente anulada.
Perante tal franqueza, e algum estudo de última hora,lá se safou!
Só agora reparei que o texto já foi escrito em 2OO8.
JÓ-JÓ, passas para 1O... por ausência... e isto para não chumbares.
Nota máxima pela forma hábil e brilhante de fazer um texto.
Nela Dias
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