JOSÉ FRANCO, (Sobreiro, Mafra, 1920)
O ceramista José Franco, hoje falecido, deixou por concretizar dois sonhos: uma fundação que fizesse perdurar o seu legado e uma escola de formação, disse à Lusa a sua secretária.Dulce Silva, que secretariava José Franco há seis anos, afirmou que "o mestre tinha um grande sonho que era uma escola de formação para as crianças do Sobreiro que não concretizou por falta de meios financeiros".
"Nos últimos tempos - assinalou - o mestre [José Franco] lutou muito sozinho, só com alguns amigos, como Duarte Pio de Bragança, até no sentido de constituir uma fundação que preservasse o seu espólio. Mas a família era contra".
O espólio do oleiro ficará na aldeia típica que construiu no Sobreiro, sua terra natal, de que era sócio gerente e detinha uma quota de 40%, "até que há uns anos se destituiu da gerência", explicou.
Dulce Silva descreveu José Franco como "um homem sempre alegre". "Até há poucos dias continuava a fazer projectos para peças de cerâmica para moldar - lembrou - Nunca se queixava e ainda ontem [segunda-feira] estava muito bem disposto e sorridente".
O artista vivia num lar de idosos (antigo Hotel Morais) na Ericeira e, na sequência de uma queda, foi internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. José Franco tinha já implantado uma prótese na perna depois de ter fracturado o fémur, há anos.
O actor Raul Solnado, seu amigo, em declarações à Lusa, recordou "a fama extraordinária e imediata" que José Franco teve quando, na década de 1960, durante o programa televisivo "Zip Zip", foi convidado "a criar uma obra enquanto durava o programa".
"Teve uma fama imediata, mas era de facto uma pessoa extraordinária, convivi muito com ele, e ia visitá-lo muitas vezes, como faziam, sempre que vinham a Portugal, o Jorge Amado e a sua mulher, Zélia Gattai", disse o actor.
A casa do autor de "Gabriela, Cravo e Canela" e da sua mulher na Baía tinha vários objectos do oleiro português.
Segundo Solnado, que qualificou Franco de "artista extraordinário", "depois da morte da sua mulher, ele nunca mais teve o mesmo alento".
O corpo de José Franco estará hoje à tarde em câmara ardente na Capela de S. Sebastião, na aldeia do Sobreiro, de onde o funeral sairá quarta-feira pelas 14:30 para o cemitério local.
Etiquetas: Artes, José Franco


3 Comentários:
"Mestre Franco,sonhou e construiu,uma espécie de presépio/museu,num terreno junto da sua casa,onde pretendeu reproduzir os costumes e actividades laborais do tempo da sua infância e algumas actividades da vida do campo.
O resultado é maravilhoso,sobretudo
aos olhos dos mais pequenos."
Maria
Grande artista!
Fiz a visita à sua quinta acompanhada dos meus netos e era um espaço deveras interessante.
Morreu um artista reconhecido por poucos em vida, talvez que com a sua morte, possa receber uma condecoração a título póstumo, por ter levado aos quatro cantos do mundo a sua arte, o seu Portugal… muitos a receberam vivos por muito menos.
Um vez com um casal amigo, visitei o seu atelier em Mafra, fiquem encantada e ficaram-me os olhos num jarro de vinho com a escultura dum Baco, envolto em folhas de parreiras e cachos de uvas. Eu queria comprá-lo mas não tinha dinheiro, a vida nunca me foi fácil, um ordenado só em casa é complicado de gerir especialmente quando outros valores de primeira necessidade se tornavam prioritários, por outro lado, fui educada por meus pais que quem não tem dinheiro não tem vícios…ficaram-me os olhos naquele jarro de vinho, enquanto cá fora caía um tarde solarenga de verão, senti uma tristeza profunda, engraçado… porque seria? Nunca fui caprichosa?
Tornei lá tempos mais tarde à procura, não daquele, seria impossível que alguém já não o tivesse adquirido, mas de outro igual, mas em vão, talvez porque um artista nunca faça duas peças iguais… Contei ao José Franco ao que ia, a que se devia a minha visita, não só para o rever, passar uma parte da tarde com ele e com os seus tesouros, convidou-me com um sorriso nos lábios para beber uma ginjinha feita por ele. Depois nunca mais voltei. Agora partiu de vez… tal e qual como o “divino” jarro de vinho. Que a sua alma esteja em paz.
Mariazinha da Silveira
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