UM TRAÇO DE HISTÓRIA
Saida de Oeiras. Travessia pela Ponte 25 de Abril de onde se pode vislumbrar a grandiosidade e beleza do nosso rio Tejo. Cortada à direita para a Costa de Caparica, onde o vosso amigo Vasco aplica com gosto o seu trabalho, na ajuda da sua revitalização. A intensão, é agora saborear umas belas sardinhas assadas que nos esperam na vila piscatória da TRAFARIA. Há muito que lá não ía e até lhe chamaria de bonita, não fossem os grandes Cilos e enormes guindastes para tirarem mercadodoria de barcos que ali atracam. Na outra margem, a linda cidade das sete colinas. A praia continua "rude" como se o tempo por ela não passasse. Pequenas embarcações, bamboleiam no mar. Após o belo repasto, entabulei conversa com alguns pescadores, muito jovens... de brincos ns orelhas, qual antigos piratas, mas de mãos calejadas e rostos curtidos de sol tórrido apanhar. -Dona... fale em nós, conte a nossa pesada vida.... disseram eles. E a promessa vai ser cumprida, num pedaço de HISTÓRIA "Em contradição com a segurança que as condições naturais do TEJO proporcionavam, as indesejáveis visitas de piratas e de predadoras armadas inimigas, semeavam a instabilidade e a desconfiança das populações determinando a sua escassa fixação no litoral. Esta tendência só se viria a inverter, com a construção das fortificações de defesa da barra, iniciado no sec. XI. Registam fontes históricas que, num fim de tarde de Julho, em meados do século XVIII, houve uma "batalha naval", frente à TRAFARIA, entre pescadores desta localidade e os de embarcações pesqueiras vindas do Algarve.. O resultado da rija peleja saldou-se em danos materiais e humanos.. Os pescadores algarvios tinham decidido demandar os piscosos mares do norte do país, tentando melhor sorte e dispostos a tudo. Deslocavam-se em embarcações bem equipadas, até de armas, habituados que estavam, a defrontar a intromissora e implcável mourama. Dobrando o CABO ESPICHEL e ultrapassando o BUGIO deparou-se-lhes, frente à TRAFARIA, uma armação que lhes parecia de captura de atum ou golfinhos. Decidiram em estrepitosa gritaria que se levantasse a rede e se saqueasse o peixe. Porém, um saveiro que se fazia ao mar viu os intrusos e deu o alarme. "Estes, que também não são moles pelo rústico modo de viver que têm à maneira de feras, entre aqueles rochedos,sem conhecerem mais Deus que ao Deus Baco, em terem outra lei mais do que a sua conveniência, armaram-se e embarcaram em sete saveiros, influindo neles não menos a arrogância de Baco que o valor de Marte e foram-se sobre os algarvios, que já tinham saqueado o peixe. E, então, deu-se a mais furibunda batalha que se tem visto cá nos nossos tempos Certificando-se esta notícia com o sangue que já era tanto que chegava a tingir as brancas areias das cristalinas praias e qual outro Mar Vermelho apareceu o nosso Tejo nesta ocasião". Caía já a obscuridade da noite, a batalha terminou.
João Palma Ferreira in "Naufrágios, Viagens, Fantasias e Batalhas"
NelaCurado
Etiquetas: Escritos, Nela Curado


2 Comentários:
Pensava que ias falar do almoço na Maritíma da Trafaria ou da Tasquinha do Aires...mas tudo o que vier de ti, é sempre bemvindo...amanhã vou para a culinária e dar a receita de um arroz que se faz muito por aqui:arroz de carqueja....
Um fragmento de história que nos leva a conhecer a batalha naval entre pescadores para disputa de boa pescaria,no séc.XVIII.
Mas as belas sardinhas petiscadas
na Trafaria... não serão para esquecer!
Maria
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