AS AVENTURAS DO LUCAS VIGARISTA
O seu nome verdadeiro nunca foi revelado, o que lhe dava um certo aspecto de tratante, mesmo de criminoso…Muitas foram as cenas que protagonizou e que lhe valeram aquela alcunha, mas o que cometia nunca era, em regra, em benefício próprio…
Uma outra cena passou-se com um certo taberneiro da Baixa que pediu ao Lucas que roubasse uma libra em ouro que um ricaço usava pendente de uma corrente de ouro que ostentava no seu colete sobre a barriguinha e que fazia grande vista. E feito o pedido, passados alguns dias o Lucas entregou ao taberneiro a libra reluzente. Durante muito tempo a libra ficou guardada a sete chaves para ninguém descobrir o seu paradeiro. O novo dono da jóia levou-a ao “Agostinho Ourives” para que ele a colocasse numa corrente de relógio de bolso.O Agostinho olhou para a libra e perguntou: para que quer você colocar uma moeda falsa numa corrente de ouro?!... Responde o taberneiro: ai, o malandro do Lucas que me enganou!
O Lucas foi peremptório na sua defesa e inocência… Que culpa tenho eu do dono da libra usar uma moeda falsa?...Estas foram algumas das muitas vigarices que durante muitos anos se comentavam em Coimbra a respeito do Lucas…O espaço que nos é reservado não permite alongar estas narrações, mas a verdade é que o Lucas prejudicava mais quem o provocava do que a si próprio!...
Mas que razão o levou a entrar no mundo do crime? Um dia ele explicou que a sua madrinha chamada Maria Manuela Broza, nascida em Zamora, correu o nosso país de lés a lés tendo a fama de ser uma grande ladra. Um dia instalou-se em Coimbra, em Santa Clara, onde era muito considerada possivelmente por nunca ter roubado nesta cidade.
No entanto a sua casa era frequentada pelos maiores ladrões desse tempo que por cá passavam e a quem ela ajudava como troca de aqui nunca roubarem fosse o que fosse…Porque era devota da Rainha Santa dava ordens para que todos os larápios procurassem outras paragens durante as festas da nossa Padroeira. A madrinha do Lucas deu-lhe o conselho de que apesar de ele ter muito jeito para intrujices deveria respeitar a sua terra e só deveria vigarizar todos os que querendo passar por honrados pedissem a sua ajuda. Quanto ás pessoas de fora podia fazer tudo o que quisesse…No que respeitava aos cidadãos honestos de Coimbra podiam estar tranquilos porque nada tinham a recear, respeitando-os muito.Mas lá foi desabafando, que para seu proveito essas pessoas eram cada vez mais em menor número!...Era assim a vida de um ladrão que tinha mais do que uma faceta para fazer a sua roubalheira e que durante muitos anos foi lembrado na nossa Lusa Atenas(será que ainda se pode denominar assim?...)
Nota: picado do Diário de Coimbra no artigo de opinião” IMAGINÁRIO OU MEMÓRIAS DO PASSADO” de Manuel Dias
Por Rafael
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5 Comentários:
Muito curiosa esta estória e que se vem somar a tantas outras que ouvi, de gente da nossa original terra.
Se esse Sr. Dias é quem imagino, tem montanhas de coisas interessantes para contar.
Pena não querer colaborar neste nosso BLOGUE.
Seria uma mais valia.
De trafulhas e vigaristas escrevia-se uma colectânea que dava para por numa prateleira aí com 5 Km.
Gostei daquela devota da Raínha Santa Isabel que não roubava os cidadãos de Coimbra. Até na gatunice há gente comprincípios...
O Dr. Medina Carreira "botou a boca no trombone" e ainda por aí a dizer que Portugal é um BPN gigante. Quem sou eu para contradizer tão proeminente professor, mas talvez haja algum exagero.Essa é pelo menos a opinião dum reputado advogado, que emigrou para Londres, farto das vigarices que se faziam cá no burgo....
Este comentário foi removido pelo autor.
O comentário anterior foi removido dado que se destinava a a complementar parte do texto que por lapso não estava completo.
Porque o têxto já foi corrigido pelos ADM´S(agradecido), já pode ser lido na íntegra.
Acrescento que Manauel Dias, colaborador do DC é Presidente da AssociaÇão de Folclore e Etnopgrafia da Região do Mondego.
Ás ordens D. Rafael...
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