O Herói Acidental
(recordar a Dona Batilde da Praça dos Baloiços)
2ª parte
Como vos referi na primeira parte do texto, os “apanha – cães” poucas vezes tiveram êxito no nosso “território”. A técnica era simples e eficaz. Eles corriam atrás dos cães com a rede em riste, e nós corríamos paralelos a eles a bater palmas, afugentando os animais. A determinada altura, os homens, sem “pernas” para acompanhar os canídeos, refreavam a corrida, voltavam para trás, estafados da correria, com a rede às costas, a “fralda” da camisa de fora e um ar carrancudo … e nós, colados a eles que nem sombras, igualmente estafados e com a “fralda” da camisa de fora … e a rir deles e de mais uma operação falhada…2ª parte
Um dia a “coisa” deu para o torto. A carrinha da Câmara, devagar e de mansinho (para provocar o efeito surpresa), desceu a Rua de Moçambique e parou na Zona do “sobreiro”, mesmo junto à casa do Dr. Cortêz Vaz. Rapidamente de lá saíram três “apanha-cães”, que em passada larga e vigorosa desembocaram na Praça dos Baloiços. Parecia que vinham doidos, cegos de raiva contra dois pequenos cães que por ali andavam e admito que também contra nós , por já anteverem forte oposição. Confesso que todos fomos apanhados de surpresa – nós e os cães - mal tivemos tempo de levantar a bandeira da rebelião. Porém, passado aquele desnorte inicial, com as pernas leves e corrida ligeira que tínhamos, logo lhes tomámos a dianteira e espantámos os animais, que fugiram em direcção à Rua S. Francisco Xavier, em latidos furiosos.Então, e mais uma vez, eles desistiram da corrida, mas o alarido foi tal, de gritos correrias e encontrões, que algumas pessoas acorreram a ver o que se passava e não foi preciso muito tempo para se perceber que também ajudavam a pegar na bandeira da indignação.
Desceram então a praça dos baloiços, com as redes às costas, e nós atrás deles, mais os súbitos reforços que apareceram – todos em procissão – eles à frente e nós atrás – eles debaixo dum coro de protestos. E por falar em protestos, quero aqui abrir um parêntesis, para referir uma grande amiga e defensora dos animais – a Dona Batilde - que viveu na nossa praça dos baloiços, sempre a primeira a levantar a voz contra o macabro expediente. De estatura pequena, não se intimidava e fazia frente aos “apanha-cães”, algumas vezes resgatando animais para o interior do seu jardim para não serem apanhados na rede. Por isso aqui fica o meu tributo à sua memória.
Quito –(continua)
Pub. Set.08
Etiquetas: Quito


4 Comentários:
obrigada Quito, por recordares a minha sogra, ela de facto sempre foi amigas dos animais,no entanto cá em casa tenho dois seguidores a neta e o filho, por vontade deles tinha a casa cheia de bichinhos.
Um beijinho para vocês
Lena
Tambem eu te agradeço por lembrares a D.Batilde, tenho dela as melhores recordações, não sei se te lembras que foi a primeira a ver televisão e era lá que todos nos reuniamos, tambem grandes bailes de carnaval era uma senhora encantadora com o seu cãozinho que se chama Jolie lembras-te
Beijinhos
Nela Sarmento
Este texto é já antigo.
A Dona Batilde tinha um coração de ouro.
Desses nossos tempos resta a memória.
Um abraço para ti Nela e para a familia.
Igualmente para a Lena e família.
Isso era uma festa..cheguei a andar á calhoada com os tipos e não tive outro remédio senão fugir pela rua do Freire e descer nas escadas do sobreiro(Dr.Cortez Vaz), era mal feito o que fazia mas tenho tantas saudades desses tempos e de andar á fruta. HIHIHI
Um abraço
Azenha
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