A NAVE DE PEDRA
Quem vem de longe, das terras frescas do litoral, onde o verde salpica os olhos e se debruça nas estradas, e após a transição das ravinas do Zêzere, encontra uma paisagem que passo a passo se atormenta: a Beira Baixa. Aí, transposta que é a charneca com a sua cabeleira rala, nos cômoros a ferida aberta das ribeiras que descem ao Tejo por entre sobressaltos de chisto, ou ainda o dourado da campanha da Idanha, a querer-se alentejana sem o ser - aí senhores, já a tristeza começa a espessar-se, a montanha crepita tendo por detrás relances de horizontes fundos, e as coisas se tornam graves. Ei-lo, um mundo de soledade, sobre que pesam crimes, mesmo se as frondes e as ramadas lhe escondem as dores do exílio.
Assim, de facto, o sentimos: remoto e em degredo. E Monsanto se chama, de pedra é feito - minha nave coalhada.
Fernando Namora in "A Nave de Pedra"
A foto, não é própriamente de Monsanto, mas de Penha Garcia. A disposição da rocha, de forma circular, quase se assemelha a uma Nave de Pedra , que mais parece um disco voador.
E falando de naves, de objectos voadores, esta foto não podia ter outro destinatário que não fosse o meu amigo Álvaro Apache. É-lhe assim dedicada, no dia do seu aniversário natalício.
Quito


2 Comentários:
Por lapso, na transcrição do texto de Namora, Xisto está escrito de forma errada, que só agora, na leitura do texto, me apercebi.
Ao Alvaro peço desculpa pelo engano...
Tu, tua delicadeza e uma foto lindíssima.
Além do àlvaro, por certo, todos vão gostar.
Até depois de amanhã, amiguinho
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