Cavalo Selvagem BMC anos 50

CAVALINHO, CAVALINHO
Corria o meu cavalinho
Quando acordei de repente.
Mas que lindo cavalinho!
Tinha a brancura do linho,
E um olho muito verdinho,
Fluorescente.
Corria, corria, corria, corria
Corria e espinoteava,
Galopava e relinchava
Numa autêntica euforia.
Corria, corria, corria, corria,
E de repente estacava,
E novamente corria,
Corria e espinoteava
Numa doida correria.
E em cada volta que dava,
Sua crina se agitava,
Se espargia e sacudia
Num jeito que se diria
Ser assim que lhe agradava,
Ter prazer no que fazia.
E o cavalinho corria,
Corria sempre, corria
Na senda que rescendia
Na manhã do laranjal.
O solo fofo gemia.
Brandos, os ramos teciam
Acenos de ritual.
Tenros, os pomos tremiam
No compasso musical.
Sobre a garupa de neve,
Abraçado ao seu pescoço,
Eu era uma pena leve
Soprada com alvoroço.
Se ele corria, eu corro,
Se ele saltava, eu saltava,
Tudo quanto ele fazia,
Todas as voltas que dava,
Tudo, tudo eu repetia,
Na mesma doida euforia
Que cansava e não cansava.
Mas que lindo cavalinho!
A sua crina macia,
Loira de barbas de milho,
Deixava um estendal de brilho
Na senda que percorria.
Apetecia mexer-lhe,
Sentir-lhe o fofo e calor
Daquela crina macia
Que agitava e sacudia
Como um doirado vapor.
Mas que lindo cavalinho!
Meu amor!
Não tinha sela nem brida
nem cabeçada nem freio,
Nem qualquer espécie de arreio
Que lhe ofendesse a nudez.
Era um ser vivo total,
Num emaranhado de vida
Num gozo todo animal:
Crina de loiro brunida,
Corpo de branco cendal,
Cascos de ágata polida,
Ferraduras de cristal.
Mas que lindo cavalinho!
Senti-lhe o bafo cheiroso,
O tumulto harmonioso
Do trote das nédias ancas.
Chamei-lhe os mais lindos nomes:
Flor de nata, lua cheia,
Poço de camélias brancas.
Beijei-lhe o focinho ardente,
Mordisquei-lhe o corpo nu..
(Que eu sabia, íntimamente,
que o CAVALINHO eras tu.)
poema de António Gedeão
Corria o meu cavalinho
Quando acordei de repente.
Mas que lindo cavalinho!
Tinha a brancura do linho,
E um olho muito verdinho,
Fluorescente.
Corria, corria, corria, corria
Corria e espinoteava,
Galopava e relinchava
Numa autêntica euforia.
Corria, corria, corria, corria,
E de repente estacava,
E novamente corria,
Corria e espinoteava
Numa doida correria.
E em cada volta que dava,
Sua crina se agitava,
Se espargia e sacudia
Num jeito que se diria
Ser assim que lhe agradava,
Ter prazer no que fazia.
E o cavalinho corria,
Corria sempre, corria
Na senda que rescendia
Na manhã do laranjal.
O solo fofo gemia.
Brandos, os ramos teciam
Acenos de ritual.
Tenros, os pomos tremiam
No compasso musical.
Sobre a garupa de neve,
Abraçado ao seu pescoço,
Eu era uma pena leve
Soprada com alvoroço.
Se ele corria, eu corro,
Se ele saltava, eu saltava,
Tudo quanto ele fazia,
Todas as voltas que dava,
Tudo, tudo eu repetia,
Na mesma doida euforia
Que cansava e não cansava.
Mas que lindo cavalinho!
A sua crina macia,
Loira de barbas de milho,
Deixava um estendal de brilho
Na senda que percorria.
Apetecia mexer-lhe,
Sentir-lhe o fofo e calor
Daquela crina macia
Que agitava e sacudia
Como um doirado vapor.
Mas que lindo cavalinho!
Meu amor!
Não tinha sela nem brida
nem cabeçada nem freio,
Nem qualquer espécie de arreio
Que lhe ofendesse a nudez.
Era um ser vivo total,
Num emaranhado de vida
Num gozo todo animal:
Crina de loiro brunida,
Corpo de branco cendal,
Cascos de ágata polida,
Ferraduras de cristal.
Mas que lindo cavalinho!
Senti-lhe o bafo cheiroso,
O tumulto harmonioso
Do trote das nédias ancas.
Chamei-lhe os mais lindos nomes:
Flor de nata, lua cheia,
Poço de camélias brancas.
Beijei-lhe o focinho ardente,
Mordisquei-lhe o corpo nu..
(Que eu sabia, íntimamente,
que o CAVALINHO eras tu.)
poema de António Gedeão
Etiquetas: António Gedeão, Fernando Rafael


4 Comentários:
Não há dúvida que a noite e o cavalinho são boas companhias.
BOM DIA, RAFAEL!
UM BOM DIA PARA TÔDOS OS CAVALINHOS!
Começar assim o dia é MUITO BOM.
Fico com a vontade férrea de domar os maus momentos e correr numa alegria desenfreada em procura da felicidade.
Beijitos RAFAEL.
Que maravilhosa ideia.És sempre uma bela surpresa!
Que todos tomem como recado estes versos... simples e lindos.
OS CAVALINHOS SÂO DE RAÇA A VALER
FOTO... de muitas e belas recordações
Rafel essa imaginação e energia dinamizam quase uma multidão moribunda e então com esse cavalo ao vento, ninguém fica indiferente! Tristezas fazem moleza e deixamo-la para os preguiçosos, não é? Depois deste teu Quadro, melhor, mesmo melhor só uma jeropiga e umas castanhas assadas. TAMBÉM DÃO MUITO VENTO E ENERGIA...Todos nós devemos libertar o animal que existe em nós, nem que seja uma libelinha, um passarinho, um leão, uma cobra, CADA UM SOLTA O QUE TEM, ORA BEM! Se os Corruptos andam à solta nós soltamos os animais talvez algum deles morda na perna de um desses "malabaristas"... Mas a dificuldade é organizarmo-nos para não sairmos todos ao mesmo tempo! Com este trânsito, os buracos das obras pelas ruas, isto seria pior do que uma Babilónia. Então que vos parece assim: uns libertavam-se às segundas pelos dias da semana e por aí adiante ou então por ruas! Não fiquem preocupados com a minha sanidade mental, umas gracinhas também são saudáveis, sobretudo para quem está mais chateada do que um perú no Natal...Canos para arranjar nesta antiga casa não me tem faltado, louvado seja a Nª. Srª. das Canalizações!!Bem lhe imploro,mas nada! Isabel MELGA
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