As Cartinhas e os Bilhetinhos versus MMS e MSN
Sobre este assunto e aquela cartinha anterior da Filipa Alexandre ao Jorge Daniel, tivemos a observação oportuna da Isabel Carvalho.
A carta tem muitos erros poder-se-iam agora corrigir, mas não estamos numa aula de ortografia; o fundamental a extrair neste caso dos bilhetinhos, é a maravilhosa ingenuidade, a autenticidade e acima de tudo, a capacidade de verbalizarem o que sentem sem maldade sem sofisticações! Havia malícia mas ela era e é saudável, a atracção entre dois seres sempre foi e há-de ser natural. Só quem é doente não possui esse tipo de sensações. Agora os miúdos e jovens agarram-se aos telem. fazem uma mensg. tipo malabarista, escondem-se através dos “Magalhães” e não se olham nos olhos, não brincam e nem falam. É desde pequeninos que esta nova geração inicia um tipo de relações viciadas elaboradas muito artificialmente. Através de afectos pouco consistentes tipo papel de seda…efémeros e oportunistas. E mais tarde há tremendas dificuldades mesmo já na Universidade em dialogarem, em escreverem em falarem com os pais e amigos, o que me parece confuso e uma tremenda contradição porque neste momento esta malta nunca teve tanta liberdade e oportunidade de conviver como agora! E é mesmo quase trágico, quando eles ou elas, só conseguem extravasar os seus sentimentos em grupo, ou numa altíssima “Onda” em Discotecas para nem se ouvirem uns aos outros, ou então num Café à frente de uma cerveja ou de outra bebida! Não estou a generalizar mas isto é mais corrente de acontecer do que o contrário, ora digam lá se não é! Na verdade a nossa sociedade sofreu muitas alterações, algumas positivas mas em termos de convívio familiar de afectos são uma lástima. Esta realidade que se vive é muita mais pobre e apresenta muitas lacunas. As razões são várias (falta de vagar dos Pais, de professores) enfim são conhecidas de todos nós, temos responsabilidades no assunto. Mas o importante neste caso é mesmo dar a conhecer aos nossos netos ou filhos, como nos relacionávamos! Logo que tenha um pouquito de paciência e vagar, hei-de trazer ao vosso conhecimento este tipo de cartinhas que escrevíamos até para as primas, madrinhas e familiares que estavam no dito “Ultramar”; agora os jovens já não sabem escrever ou então sentem vergonha. Ainda não tinha trazido este Tema à baila por o julgar enfadonho ou desinteressante para vós. Para mim é mais do que actual. Obrigada pela oportunidade que me deram de lembrar esta parte importante da nossa infância!
Isabel Melga
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2 Comentários:
Continuo na tentatativa feroz de envolver os meus netos nos elos importantes para uma vida saudável e feliz.
Já por diversas vezes fiz questão de lhes enviar lindos postais pelo Correio onde lhes expresso o meu grande amor.
Em datas não esperadas.
Faço-o individualmente(são dois)
Sei que adoram e se sentem importantes...para a sociedade e na minha vida.
Isabel, comungo de todas as tuas preocupações e sei que nós mulheres, temos um papel fundamental no ensinamento dos afectos aos nosso meninos.
Os homens precisam de ajudar neste grande compromisso universal
Partilho da tua opinião. Sem reservas. O monitor do PC substitui facilmente os olhos do outro, e podes ser quem queres num mundo virtual...os sms substituiem a arte de falar...acho esta fase "tecnológica" terrivelmente fascinante (também eu me rendi ao seu encanto, mas já sem o perigo de me casar com ela para toda a vida), mas também terrivelmente castradora da comunicação entre os mais jovens.
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