DEZ ANOS
Às vezes pergunto-me sobre o significado do tempo. Não no sentido real, aquele que preocupa os físicos quando (se) indagam sobre a flecha do tempo,
(o tempo voa como uma flecha...)
e sobre o seu sentido. Não, interrogo-me sobre o sentido humano do tempo,
(também envolve flechas, mas estas atravessam corações..),
sobre a sua afectividade gravada na memória, transformado em viajante (meta)físico dos sentidos.
Hoje é um desses dias. Não porque é domingo de tarde, e sempre fico melancólico aos domingos à tarde. Não porque chove muito, está vento e um frio forte, e me dobro para dentro à procura de conforto. Não, não é por isso.
(e mesmo que fosse?)
Porque hoje é 28 de Fevereiro. Ano comum.
Hoje quero pensar o tempo, num sentido preciso: dez anos, é a medida. Do tempo. Dos tempos. Sempre igual a medida, dez anos. Mesmo quando recuo cinquenta, tempo em que o tempo se transforma em nesse tempo.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
não ter que tomar conta dos irmãos, com um Pai ausente e uma Mãe doente.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
falar de modo adulto com um Pai.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
não ser forçado a interromper os estudos e trabalhar.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
não ter que fazer uma guerra injusta e pagar um preço alto por isso.

Dez anos afinal, é muito tempo.
(ou não?)
Olho e vejo-me. Na física. Toda. Será que me revejo? Na metafísica?
(porque...)
Dez anos é o tempo que nos permite ainda a ilusão de buscar noutras direcções novos sentidos.
Ou não!
(o tempo voa como uma flecha...)
e sobre o seu sentido. Não, interrogo-me sobre o sentido humano do tempo,
(também envolve flechas, mas estas atravessam corações..),
sobre a sua afectividade gravada na memória, transformado em viajante (meta)físico dos sentidos.
Hoje é um desses dias. Não porque é domingo de tarde, e sempre fico melancólico aos domingos à tarde. Não porque chove muito, está vento e um frio forte, e me dobro para dentro à procura de conforto. Não, não é por isso.
(e mesmo que fosse?)
Porque hoje é 28 de Fevereiro. Ano comum.
Hoje quero pensar o tempo, num sentido preciso: dez anos, é a medida. Do tempo. Dos tempos. Sempre igual a medida, dez anos. Mesmo quando recuo cinquenta, tempo em que o tempo se transforma em nesse tempo.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
não ter que tomar conta dos irmãos, com um Pai ausente e uma Mãe doente.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
falar de modo adulto com um Pai.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
não ser forçado a interromper os estudos e trabalhar.
Dez anos é o tempo que permite
(ou não)
não ter que fazer uma guerra injusta e pagar um preço alto por isso.

Dez anos afinal, é muito tempo.
(ou não?)
Olho e vejo-me. Na física. Toda. Será que me revejo? Na metafísica?
(porque...)
Dez anos é o tempo que nos permite ainda a ilusão de buscar noutras direcções novos sentidos.
Ou não!
14 Comentários:
Um amor fraternal muito bem construído!
Parabéns,também para ti.
LINDO JÓ JÓ.
Um Abraço.
Tonito.
Saudosa dos teus textos de difícil leitura e entendimento.
Lei-os e relei-os.
Crus... enigmáticos... mas de uma beleza e profundidade sem fim.
Dez anos foi certamente o tempo que fez nascer esta relação de afecto, respeito e admiração que se adivinha em mais um belo texto do Jó-Jó.
Parabéns, Afonso, pelo carinho aqui testemunhado e de que és certamente merecedor.
Grande afecto que deu origem a um regresso em grande!
Gostei muito, já que diz muito.
Um beijo aos dois.
Romicas
Fico sem palavras. Tudo o que me passa pela cabeça é tão trivial...
Um beijinho para ti mano mais novo.
mana Belinha
A minha simpatia imediata ao momento que te conheci não foi uma ilusão.
Por este texto cheio de palavras nas entrelinhas me mostram mais uma vez o quão leal e "fofinho" tu és.
Parabéns por teres um irmão que tanto carinho te merece.
Um beijo grande
lekas
Olá JÓ-JÓ!!!
E os Costas de parabéns!
Belo!
Um beijinho para os ternurentos manos.
Olinda
Um abraço aos dois!
Amigo Jó-Jó
A tua escrita encanta.Mais simples ou mais hermética, vou-me entretendo em descodificar as palavras que alinhas sábiamente.
E é neste refúgio de alma, nesta semente de afectos, que tu e tua bela familia são grande exemplo. Pena que tão pouco tenhamos a tua presença neste espaço...
Dos comentários que te fizeram, também descodifiquei outra coisa:...é que a Isabel Maria é afinal a tua irmã Belinha, uma amiga de longa data...
Abraço
Lindo pela forma e mais ainda pelo conteúdo. RESPEITO, ADMIRAÇÃO, TERNURA...
É sempre com muito agrado que leio e releio os textos do Jó Jó
Fiquei a saber que são manos.
Parabéns aos dois.
Durante 10 anos...ou mais hei-de-ter ler, meu amigo!
São sempre "uma lufada de ar fresco"...teus belos textos!
Belissima homenagem ao irmao mais velho!
Um amor fraternal, como a Celeste Maria diz!
Abraço
De NYC
Jose leitao
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