<

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ai Lurdes...Lurdes que vou morrer.

Se não usam supositorios como guloseimas, então...pachos na testa.

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele

Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,

Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,

Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças

Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,

Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes
- (Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)

Ja em 6fev09

Etiquetas:

1 Comentários:

Blogger Manuela Curado disse...

Já conhecia.
Pela segunda vez sorri pensando na veracidade, embora drásticamente exagerada, da situação.
Ai!....como é pigas o sexo forte.
Por isso, pelos homens tenho um especial carinho.
São muito vulneráveis mas quando amigos são-no de verdade!

8:53 a.m.  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial

Powered by Blogger

-->

Referer.org