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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"LICOR BEIRÃO: A PUBLICIDADE NOS GENES"

REPORTAGEM SOBRE LICOR BEIRÃO
 
 
 


Manuel João Vieira, José Diogo Quintela, Futre ou figuras como “Ângela” e “Nicolas” são nomes de um cardápio de publicidade oferecido pela Licor Beirão aos portugueses, ao longo dos últimos anos. A mais recente cartada do marketing da marca da Lousã foi o apresentador e comediante João Paulo Rodrigues que, no Natal, assegurou mais uma campanha que revelou o humor e a sátira que a marca vem definindo desde os anos 1940.
“A publicidade e o marketing têm que ser diariamente alimentados. É o ADN da empresa. Eu fui criado com um homem que tinha uma visão futurista e que sabia que só anunciando é que vendia. Como ele dizia, a própria galinha, quando põe o ovo, começa logo a cacarejar. Está a vender o produto”, recorda José Redondo, administrador de uma empresa que conta com 73 anos de existência.
A J. Carranca Redondo, criada em 1940 e que produz o que diz ser “O Licor de Portugal”, nasceu das mãos do pai (já falecido) de José Redondo, que se tornou empreendedor pelas circunstâncias da crise. “O meu pai era dos melhores vendedores da Remington [máquinas de escrever], em 1940. Com o começo da Segunda Guerra Mundial [a empresa] regressou aos EUA e fechou os escritórios em Portugal. O meu pai ficou desempregado. Foi então que comprou a fábrica. Se a Remington não tem regressado aos EUA ele provavelmente teria morrido como vendedor”, explica José Redondo.

O segredo na família

Tudo começa no alambique. Pelo menos é aqui que se inicia a estratégia da marca beirã. São 13 as plantas e especiarias que estão na origem do Licor Beirão, mas o segredo está na pesagem das quantidades, algo que é feito por um restrito grupo de duas pessoas, José e o seu filho mais novo.
Na gestão e aos controlos da empresa está Daniel Redondo, um dos netos do fundador da empresa. Daniel, assim como o pai, seguiu um longo caminho de aculturação à marca de licores, o mesmo processo que hoje seguem os netos através dos relatórios que fazem sempre que visitam a fábrica. “Só vêm estragar, mas andam a ver. Naturalmente, um dia que cheguem conhecem tudo por dentro. Quando chegarem e disserem alguma coisa já não são os filhos do patrão. Têm que trabalhar ao lado do pessoal”, defende o administrador da empresa que dá emprego a 35 pessoas.
Se o marketing e a publicidade têm feito crescer a marca, a família parece ser outro dos trunfos. José Redondo dá o exemplo: “Comecei a trabalhar pequeno, fui crescendo na empresa e, naturalmente, segui os passos do meu pai. Fiz o mesmo aos meus filhos”.

Uma empresa de oportunidades

Se, hoje, a J. Carranca Redondo é conhecida pela marca Licor Beirão, a verdade é que nem sempre os licores pesaram tanto na balança do negócio. A história da empresa tem contornos camaleónicos. Já venderam milhares de sinais de trânsito em fibra de vidro por todo o País, na segunda metade do século XX, e destacaram-se na colocação de cartazes de publicidade nas estradas nacionais, nos anos 1960.
“Havia, no país, uma meia dúzia de empresas que afixavam cartazes. Todas elas cumpriram a lei [lei que proibia a afixação de cartazes publicitários junto às estradas] e deixaram de afixar cartazes nos centros mais importantes”. Fomos os únicos que não deixámos de afixar. Tivemos várias coimas e o meu pai ia a tribunal de 15 em 15 dias, a vários pontos do país. Venceu todas as guerras com os tribunais”.
A limitação dos cartazes nas estradas valeu estratégias alternativas, como as famosas réguas para as várias profissões. “Que licor feliz, senhor juiz”, “Que licor porreiro, senhor engenheiro” ou ”Que licor excelente, senhor tenente” eram algumas mensagens que se liam nas pequenas réguas que, uma vez mais, levavam o produto aos clientes através de uma estratégia de marketing inovadora.

Portugal e o estrangeiro

O Licor Beirão assume frontalmente a sua origem. A frase “O Licor de Portugal” é uma herança que a marca transporta há gerações. Mas será que Portugal ajuda nas vendas? José Redondo defende que “temos que valorizar os nossos produtos. Não podemos dizer que somos um país fantástico em perfumes, porque não somos. Mas somos um país muito bom em cortiça, em café… esses produtos, se valorizados, são marcas”.
A empresa faz 17% das suas receitas nos cerca de 40 mercados externos aos quais a marca chega, casos de EUA, Suíça ou Angola. “Até aqui as nossas exportações eram praticamente todas para o mercado da saudade. De há meia dúzia de anos para cá temos feito muito investimento, mesmo para o mercado autóctone. Estamos a conseguir introduzir o Licor Beirão nesta fase para os autóctones”, revela José Redondo.
Se as vendas se ressentem num período de forte crise em Portugal, a diáspora está a criar uma nova oportunidade para a empresa. “Neste momento, quem está a sair para o estrangeiro são quadros, são pessoas que convivem com as pessoas de lá. Não é difícil perceber que se uma pessoa vai para Austrália ou para Inglaterra e convida os seus amigos para casa, dá-lhes a provar um produto português. Há como que uma mancha de óleo, um abrir dos nossos produtos ao mercado autóctone.”
Ainda não é desta que vos dou a fórmula….

Abraços e beijinhos
José Redondo

3 Comentários:

Blogger RI-RI disse...

Sempre na vanguarda!

12:22 da tarde  
Blogger Manuela Curado disse...

A unidade dá força e pelo que constatei "in loco", esta família faz jus a esta verdade.

9:14 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Já conhecia uma parte da história, agora fiquei a conhecê-la melhor.
Um abraço
Titá

11:01 da tarde  

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