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domingo, 2 de fevereiro de 2014

EU,PORQUE... VIMARENENSE

ANTÓNIO CURADO

No ano de 1997, no âmbito das comemorações do 75º aniversário, o Vitoria SC decidiu homenagear uma personalidade marcante na sua história social e desportiva do clube, atribuindo o título de “capitão vitalício das equipas do Vitoria SC” a António Curado, atleta que briosamente representou a colectividade vimaranense entre as épocas de 1944/45 até 1948/49.

António Henriques Curado nasceu no dia 6 de Janeiro de 1921 na freguesia da Sé Nova na cidade de Coimbra. Natural da cidade dos estudantes, ainda estudou até 1942, frequentando o 2º ano, com a ilusão de se formar no curso de direito, mas a paixão e dedicação ao futebol foi superior a esse sonho.

O jovem Curado, reconhecidamente caracterizado como um “bon vivant”, fez parte da conceituada “Trupe do Pica”, comandada pelo lendário Felisberto Pica, um dos mais famosos boémios da cidade de Coimbra durante a década de 30 e 40.

O gosto pessoal pela prática desportiva do futebol leva-o à Académica de Coimbra em 1936, onde actuou pela equipa de juniores. Nas épocas de 1937/38 e 1938/39 representa a formação CF “Os Conimbricenses”, regressando à Académica de Coimbra no inicio da temporada de 1939/40.
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Permanece ao serviço da principal formação conimbricense durante 3 épocas consecutivas, sem contudo conseguir afirmar-se na equipa principal da Académica de Coimbra que militava na 1ª Divisão Nacional.


Em busca do sonho de jogar com maior regularidade, o jovem Curado transferiu-se no início da época de 1942/43 para o rival União de Coimbra, apesar da enorme polémica que causa naquela altura.

Na formação do União de Coimbra o jovem António Curado começa a impor-se futebolisticamente, conquistando com todo o mérito um lugar de destaque na equipa unionista. Na equipa do União de Coimbra da época de 1942/43, atinge o 1º lugar do Grupo B da 4ª série da 2ª Divisão Nacional, apurando-se, consequentemente, para a fase final de acesso à 1ª Divisão Nacional. Nesse ciclo de jogos final o União de Coimbra acaba por não conseguiu atingir o escalão maior, subindo à 1ª Divisão o FC Barreirense.

Na temporada de 1943/44, com Curado assumindo um papel de enorme destaque na dinâmica da equipa, o União de Coimbra volta a vencer a sua Série, mas na fase final não consegue ir alem do 4º lugar.

Esta época fica marcada, porém, pela participação da equipa do União de Coimbra na Taça de Portugal onde atingiu a melhor classificação de sempre até aos dias de hoje. Nos oitavos de final a equipa da cidade de Coimbra eliminou o SC Olhanense e nos quartos de final teve que disputar a eliminatória contra o Vitoria SC.

É precisamente nesta eliminatória da Taça de Portugal que as exibições do defesa Curado despertarão a atenção dos responsáveis do Vitoria SC. Em Coimbra, no jogo da 1ª mão, disputado no lotado Campo da Arregaça, o União empatou com o Vitoria SC a 1-1.

Este jogo, muito bem disputado segundo as crónicas, teve em Curado um dos elementos mais preponderantes da equipa de Coimbra, salvando, com a sua intervenção, muitos dos ataques efectuados pelo forte opositor.

Esta partida teve ainda a curiosidade de ter duas grandes penalidades desperdiçadas, uma para cada equipa. A que favoreceu o Vitoria SC, surgiu precisamente por uma falta cometida pelo defesa Curado. O avançado do Vitoria SC Ferraz executa um remate para golo à baliza adversária. No momento em que a bola iria ultrapassar a linha de golo, Curado, com uma defesa ao estilo do melhor guarda-redes, impede o golo com a mão. Todavia, Brioso, o conceituado avançado do Vitoria SC não conseguiu bater o guarda-redes Cameirão do União de Coimbra, atirando ao lado da baliza.

O jogo da 2ª mão disputado no Campo do Benlhevai em Guimarães, foi manifesta a superioridade do Vitoria SC, de resto, bem evidente nos números da partida, com a vitória de 7-1 a favorecer a turma da casa.

Neste jogo, uma vez mais, Curado deu uma de guarda-redes, colocando novamente a mão à bola dentro da área de forma a evitar um golo certo. Todavia, desta feita, o médio vimaranense Zeferino não se fez rogado e transformou em golo a grande penalidade convertida.

Apesar deste lance e a quantidade de golos sofridos pelo União de Coimbra, o defesa Curado foi novamente considerado o melhor jogador da sua equipa, estancando, diversas vezes, pela sua acção, as investidas do perigoso ataque do Vitoria SC.

É na sequência desta eliminatória da Taça de Portugal e das exibições protagonizadas que surge o convite a António Curado para ingressar no Vitoria SC. O jovem de 23 anos transfere-se para a cidade de Guimarães e passa a representar a equipa do Vitoria SC a partir da temporada de 1944/45.

.António Curado permaneceu ao serviço do Vitoria SC durante cinco temporadas consecutivas, regressando à cidade de Coimbra apenas na época de 1949/50 para representar a Académica de Coimbra.






11 Comentários:

Blogger calhabécirculação disse...

Ainda tive a oportunidade de o ver jogar na Académica.
Uma terna saudade para a Nela.
Pedro Martins

9:32 da tarde  
Blogger calhabécirculação disse...

Ainda tive a oportunidade de o ver jogar na Académica.
Uma terna saudade para a Nela.
Pedro Martins

9:33 da tarde  
Blogger Carlos Falcão disse...

Minha cara amiga, agradecido por esta descrição entusiástica,homenagem que perpetua a memória do teu pai, ás da bola. Desconhecia o que escreves-te sobre a sua carreira desportiva. Como desconheço tanto sobre tudo, aliás.
NELA, não esmoreças !... "Os tempos dos siumes e negócios de saias"... não faz mal. Quem gosta de por aqui passar, não liga a pormenores. Cá por mim, o Cavalo Selvagem é imperdivel, pour todas as razões, e em especial por essas que o “leitor” esta a pensar. Muitos factos que aqui se contaram reavivaram-nos a memoria daqueles tempos inesqueciveis da nossa juventude.
Caramba, hoje velhos e felizes, haja saúde.

E fraternidade, claro!
Carlos Falcão da rua Y

E mais...Sporting 0-AAC 0.Vá lá! C'os diabos, o guarda-redes foi espetacular !

10:15 da manhã  
Blogger Manuela Curado disse...

Toda a defesa esteve espetacular.
Falta-nos um ponta de lança...mas contra os que mais dinheiro possuem pouco mais podemos fazer.
O amor á camisola "foi chão que já deu uvas"

Os "olheiros" são rápidos a roubar-nos os melhores.

Viva a nossa "Briosa"!!!!

3:19 da tarde  
Blogger Carlos Falcão disse...

Pois é, as equipas não são portuguesas, os clubs é que são !

5:45 da tarde  
Anonymous Alvaro Apache disse...

Fiquei satisfeito que tenhas dado sinal de vida, pois os passarões ja te tinham feito o funeral.
Ainda bem que apareces....ehehehe

5:36 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Nela. Eu fui um dos grandes admiradores do teu Pai e fiquei muito satisfeito de conhecer um pouco mais da sua história desportiva. Recordo com muita saudade quando com os meus 10 anos ía ver os jogos a Coimbra com o meu Pai e distribuir uns chapéus de papel com a marca Licor Beirão à entrada do estádio. Mais tarde, quando me cruzava com ele na ladeira a caminho do bairro. Abraços para o Carlos Falcão e Álvaro por marcarem presença.
Da Lousã com muita amizade .
Zé Redondo

6:43 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Nela. Eu fui um dos grandes admiradores do teu Pai e fiquei muito satisfeito de conhecer um pouco mais da sua história desportiva. Recordo com muita saudade quando com os meus 10 anos ía ver os jogos a Coimbra com o meu Pai e distribuir uns chapéus de papel com a marca Licor Beirão à entrada do estádio. Mais tarde, quando me cruzava com ele na ladeira a caminho do bairro. Abraços para o Carlos Falcão e Álvaro por marcarem presença.
Da Lousã com muita amizade .
Zé Redondo

6:44 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Atrevo-me a vir ocasionalmente, por aqui, saciar minhas "memórias" investigativas , mas como se sabe, ele à coisas que ficam melhor em privado. Diplomacias...
Que todos se sintam cumprimentados.
Carlos Falcão

9:43 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Meu caro Alvaro,
Injustica dos passarões!!!
Aliás, como se sabe, ele há coisas que ficam bem melhor em privado. "Silêncios"... diplomacias?


Que todos se sintam cumprimentados.
Carlos Falcao

10:00 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Quem diria, os passarões!...
Agudeza critica que, quando inteligente, não faz mal a ninguem. Esta acaba por ser uma interessante ocasião para provar, se tal fosse necessário, que as agendas recalcadas de ódio têm o perverso condão de ajudar a dar crédito fácil à mentira.
Alvaro, anda sempre
Carlos Falcao

12:47 da tarde  

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