Solidariedade e Bondade Humana
Quando no Natal de 1994, minha Mãe, que amo profundamente, deixou a vida terrena,vivi uma sitação limite,fiquei completamente destroçada...perdida, incapaz de controlar a minha própria existência, não me alimentava.Zero.Tomava ansióliticos e bebia sumos e.. passei às bebidas alcoólicas.Eu queria ter coragem... por um lado tinha o meu Pai que amo com igual amor,alí comigo,tremendamente doente a necessitar de mim, por outro...eu ia morrer também...Porém se à vida de novo cheguei foi com o apoio de Pessoas a quem dedico esta sentida homenagem, eco das palavras afectuosas que muita vezes lhes dizia. E o mérito é maior, porque não me conheciam. Tão longe, e moravam tão perto,era no Colégio S.Luis Gonzaga, a família Pamplona Palhoto.Por tudo o que é inexprímivel e trágico que vivi, a Sr.ª D.Manuela foi a pessoa certa.Pelo tempo que perdeu a escutar-me e a secar a minhas lágrimas.Pelo tempo que eu ganhei na descoberta de mim própria, quando sem a minha mãe, me estava a destruir. Ambas sabiamos da finitude humana e que só abraçando a Plenitude,superamos a angustia e a dor imensa da perda.Foi a voz amiga, foi a generosiade do seu acolhimento, que me deu alento e ajudou a inventar a força para refazer o laço que me prendeu de novo à vida. Pela abertura a tudo o que é Belo e que partilhávamos em comum.Pelo seu sorriso terno, mas firme como firme foi a sua postura no dia a dia.Foi um coração de mãe, sem dimensão, ou direi melhor, que foi um coração do tamanho do mundo! A Sr.ª D.ªManuela e o Sr.Palhoto,também já não estão entre nós. E, ambos deixaram um vazio difícil de preencher! Com a partida da D.ª Manuela,o mundo ficou mais pobre,pela sua dimensão humana e como Artista, que o era, no sentido pleno da palavra. Construtora de projectos que idealizava e a que dava forma, e com um sentido do estético apurado, das suas mãos que pareciam mágicas, nasciam obras de arte.
O Sr.Palhoto, extremamente afável, um bom conversador, que provocava as pessoas, espicaçando-as, na capacidadede lhe darem réplica às suas tiradas de um humor inteligente.Era uma maravilha falar com ele.Era um Senhor.Era um gentleman.Foi a solidariede e a bondade humana desta familia, a única forma de recuperação possível de sentido para a minha vida.Por isso, para além do crepusculo,quando vejo uma estrela brilhante, penso que eles a habitam,e embora noutro plano,estão vivendo,mais do que nunca perto de mim. Mas tenho saudades suas, D.ª Manuela...Mas tenho saudades suas, Sr.Palhoto... Aos filhos, que também me "adoptaram " como família,quero dizer que a minha gratidão é eterna.A todos vós,devo a minha vida.
Nela Dias
O Sr.Palhoto, extremamente afável, um bom conversador, que provocava as pessoas, espicaçando-as, na capacidadede lhe darem réplica às suas tiradas de um humor inteligente.Era uma maravilha falar com ele.Era um Senhor.Era um gentleman.Foi a solidariede e a bondade humana desta familia, a única forma de recuperação possível de sentido para a minha vida.Por isso, para além do crepusculo,quando vejo uma estrela brilhante, penso que eles a habitam,e embora noutro plano,estão vivendo,mais do que nunca perto de mim. Mas tenho saudades suas, D.ª Manuela...Mas tenho saudades suas, Sr.Palhoto... Aos filhos, que também me "adoptaram " como família,quero dizer que a minha gratidão é eterna.A todos vós,devo a minha vida.
Nela Dias
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15 Comentários:
Minha amiga!
Fazer o bem é o mais suave prazer que se pode experimentar...
Sublime...o que acabo de ler!
Beijo
José Leitão
Nela,
Como eu te compreendo!
Não tenho palavras. Sinto tudo o que escreveste.
És uma doçura de pessoa!
Um beijo,
Alfredo
Querida Nela,
Tens o condão de nos deliciar com a tua escrita, e este texto em que relatas a perda da tua Querida Mãe, fez-me lembrar a altura em que eu perdi a minha Mãe, é uma dor que não tem fim e fica um vazio tão dificil de preencher.
Mas uma coisa é certa, não há ninguêm que nos ame mais como a nossa Mãe.
Beijos da Ana Maria
A Nela Dias conseguiu que um nó na garganta e um aperto no coração se apoderassem de mim à medida que a ia lendo...
O gosto de a ler e sabê-la hoje uma mulher linda e doce, porém, suplantam tudo isso..
Nela :
Eu tenho a sorte de ter como Colega e como Médico da Instituição que dirijo actualmente o Dr.António Manuel Palhoto , filho do casal que aqui recordas e que é um dedicaíssimo e competente anestesista.
Rui Pato Foi ele próprio,Dr.António Manuel Palhoto,que compreendeu que além dos medicamentos,eu necessitava de pessoas...E,em vez de ligar para o S.O.S.voz amiga,a qualquer hora da noite...como eu fazia,num choro interminável,deu-me a oportunidade de o fazer para a sua própria mãe.
Foi assim.que essa cadeia de solidariedade se iniciou...Ele sabe que lhe estou eternamente grata.Repito,devo-lhes a vida.
Nela Dias
Relato na 1ª pessoa magnifico que revela a tua ENORME VONTADE DE VIVER apesar da dor profunda e, hoje, a tua CORAGEM em partilhar o pesadelo tão sofrido!
A solidariedade das pessoas que estiveram contigo foi o "tónico" necessário para fazer emergir a tal
força interior que possues...
A família que te apoiou revelou disponibilidade, sensibibilidade e amizade.
Cultivemos estes valores e deixemos de lado... questões mesquinhas!
Um beijo
Olinda
Felizmente que, neste mundo onde há tanta gente má e perversa, ainda há gente boa a altruísta e que tem sempre um tempinho para ouvir quem precisa de falar, bem como para dizer as palavras certas ou simplesmente estender uma mão amiga. Conhecia pouco a Dª Manuela e o Sr. Palhoto, mas fui colega de Infanta Dª Maria do filho mais novo, o Ruca. A ideia que sempre tive da família Palhoto era de serem pessoas afáveis e, agora que li a história sobre “Solidariedade Humana”, confirmo aquilo que pensava. Não sabia que o casal já tinha falecido e tenho pena de não saber como contactar com o meu amigo Ruca.
Um beijinho para si, Nela
Nela,
Não posso nem devo comentar o teu texto que me emocionou, pois todo ele reflecte Amor, Saudade imensa, Ternura, Dedicação e mesmo Agradecimento a essa família que tão bem te tem feito.Quase todos nós já passamos por desgostos e por isso nos enternecemos mais, mais frágeis ficamos, quando alguém como tu que escreve tão bem, retrata de uma forma tão sublime todos estes sentimentos.
Ainda bem que estás entre nós e connosco, para nos transmitires as tuas forças. Beijo
Olga
Nela Dias
De novo, deste interior profundo um enorma abraço para ti.
És uma pessoa completa e eu e a São sinto-nos gratos da amizade que nos transmites.
Belo e sentido texto o teu, e tal como vários amigos o fizeram nós também não temos palavras...
Mostraste gratidão e a coragem de partilhar com todos nós os momentos dificeis que viveste.
Um abraço enorme para ti
Quito e São Vaz
Eu que contigo vivi toda a minha infância e adolescência. Eu que só contigo confidenciei alguns pedaços secretos da minha alma e sempre encontrei palavras amigas para me consolar. Eu, minha amiga, não estava presente. Também eu desorientada,passando alguns maus momentos, não te ouvi,,, Perdoa-me minha amiga.
Contigo. Para o resto da minha vida.
A D. Manuela Pamplona foi minha professora de piano.
Não tenho palavras para comentar o teu texto. Só te mando um grande abraço com Amizade
Ló
O blog também serve para isto: um ombro para desabafar. Não sei acrescentar nada ao que está dito. Nem tenho grande idéia de quem sejas, embora já tenhamos trocado alguns comentários e embora goste muito dos teus escritos. Mas sinto-me muito bem, sentindo que ficas mais feliz.
Pombalinho
Comovi-me com o teu testemunho,quer no aspecto da perda da tua mãe quer no que se refere ao reconhecimento que manifestas a quem te ajudou nas horas amargas.
Não é ha muito que sei a importância do "saber ouvir" e de "ser uma não que nos toca".
Um abraço muito forte da
Ju Faustino
Sentidamente,agradeço as vossas palavras, que me comoveram.
Obrigada.
Um beijo
Nela Dias
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