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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Trupes

Rui Felício à frente, seguido pelo Chaves, Fernando Freire, Zé Bento, Feliciano, o Je e outros, lá íamos a pé, capa traçada, depois das 6 da tarde, até à Porta Férrea.Feliciano – recordam-se dele? Obrigou-me a fazer um discurso quando eu era caloiro sobre o tema “incarrapascível”. Não sei o que isso é nem me lembro do que disseSolenemente o Felício, como o chefe da trupe, e como bom estudante de direito era dado a latim macarrónico, proferia as palavras da praxe, em simultâneo com as três pancadinhas na porta, com a moca:
IN NOMEN SOLENISSIMA PRAXIS TRUPE FORMATA EST.
E lá regressávamos ao bairro para ver se apanhávamos um caloiro, animal que, por definição, é sete pontos abaixo de cão e cinco acima de polícia.
Agachados atrás dos arbustos dos quintais das casas, lá esperávamos por algum bicho ou caloiro.
Fizemos uma espera ao, se estou certo, Vítor Soares e agarra que é caloiro (ou será que era bicho?); o Rui Felício, que já vi que tem boa memória, pode confirmar ou não. O que é que és pela praxe? Pergunta (desnecessária) o Rui.
Caloiro, responde o Soares. Então o caloiro não sabe que não pode andar na rua, depois das 6? E, o caloiro é sancionado com o “rapançus”: IN NOMEN SOLENISSIMA PRAXIS RAPANÇUS AD LIBITUM, diz o Rui (era assim?) ao mesmo tempo que puxa pela tesoura e começa a cortar no cabelo do Soares. Seguem-se os outros e, quando chegou a minha vez, já não havia mais cabelo para cortar.
Vitor Costa

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14 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Este rapanço fez-me recordar uma vez em que fui praxada por meninos do bairro.
Salvo erro eu era então "pasterana" (é assim que se diz?) e levava a pasta acima do que era permitido, com o cotovelo dobrado.
Quando vi aparecer aquela enorme colher de pau fiquei em pânico... Deram-me na unhas, mas foram meiguinhos e nem sequer conseguiram manter-se sérios durante a praxe.
Eu é que fiquei tão nervosa que nem consigo lembrar-me dos rapazes. Sei que havia caras do bairro, mas, por mais que me esforce, não consigo lembrar-me.
Será que alguém se lembra?
Isabel Parreiral

10:20 a.m.  
Blogger Manuela Curado disse...

Bom dia Vitor. Algumas coisas terei para contar. Fica para logo.Beijinho

10:46 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Tempos giros, Vitinho?
Não tive praxe, nem nunca assisti a nenhum desses feitos.
De rédea curta, em casa.
Lembro-me que teria uns 13 anos e na baixinha, já de noite,(Inverno), um estudante pediu à minha mãe, com quem eu ía, para lhe darmos o braço e assim escapou ás garras de uma trupe...
Beijos.
Juju.

12:11 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

... lembro-me de uma c/ o Fernando a querer rapar o Adão que tinha saltado p/ dentro do meu quintal;
este agarrou-se de tal maneira ao muro que ninguém o conseguim tirar dalí:))... e o Fernando não largava;
foi preciso a minha prima, que já estava a ficar nervosa com a situação, pedir-lhe para o deixar ir embora ... julgo que a esta hora ainda lá estariam no puxa p/ cá e p/ lá ... e o Adão sempre a gaguejar e furioso :)))

CHICO

1:16 p.m.  
Blogger Manuela Curado disse...

Algumas vezes protegi mancebos que correndo ofegantes me davam o braço e me pediam encarecidamente para os ajudar. Lá punha o lencinho de assoar na cabeça. O pior é quando ía de de soquetes....
Tempos giros, esses...

Quantas vezes foi o meu jardim palco de voos razantes...

8:49 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Certo dia de inverno- porque me lembro que ia com um camisolão grosso-,vou a sair do meu quintal e ouço o Né Castro e Silva dizer
-Oh Ju, dá-me protecção que está ali uma trupe
Entre dois carros estacionados, tiro rapidamente os soquetes e dou o braço .
No mesmo instante, quase em vôo, aparecem vários estudantes que fazem a pergunta sacramental:
-O que é o sr. à face da praxe? ( se não eram estas as palavras, era este o sentido)
_Sou caloiro mas vou protegido.
-Ai não vai não, que hoje só há protecção de sangue e sabemos que essa jovem não é sua familiar....
Fiquei tão aborrecida que quase parecia ter sido eu quem teve as tesouradas!
(há, entre os participantes habituais do blog, quem tenha participado no episódio)
Júlia Faustino

9:55 p.m.  
Blogger Manuela Curado disse...

Para quem não saiba as meninas tinham que levar meias de vidro.
Se fosse uma empregada de servir, como se chamava à época, punham o rapazola debaixo do avental e pronto...estava protegido.

10:41 p.m.  
Blogger Teresa B disse...

Alguém se lembra de as trupes (ou algumas, não sei) colocarem avisos no Diário de Coimbra, acerca da protecção que funcionava nesse dia/semana?
Já falei nisso a algumas pessoas, que acham que eu "sonhei"; mas tenho quase a certeza de existirem esses "avisos".Algum os cavalinhos mais crescidos, que andou nessas cavalgadas se lembra?

10:57 p.m.  
Blogger vítor costa disse...

Teresa B

Sonhaste mesmo!

8:54 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Oh Teresa

Havia sim " DECRETUS " em latim macarronico como manda a praxe, colocados nos lugares de costumes. Estes lugares, alem da Porta Ferrea e da AAC, tambem o eram muitos dos cafes da nossa cidade.
Talvez um ou outro Decretus tivesse aparecido no Ponney ou na Cabra.
No " calino" não me lembro.
O " calino " ate podia ter passado algum, pela curiosidade ou inovação que tivese ocorrido no grafismo ou imagem de tal Decretus.

10:27 a.m.  
Blogger Teresa B disse...

Álvaro, deve ter sido mesmo um caso desses, porque eu era muito pequena para frequentar cafés ou a porta férrea...O meu avô costumava abrir o jornal em cima da mesa de jantar, eu de pé em cima da cadeira, tinha de ler os cabeçalhos das notícias.Depois, ele escolhia qual queria que eu lesse por inteiro...é de uma dessas aulas de leitura que eu me lembro da notícia:a protecção era dada por meninas de lenço atado no queixo (à flausina, mesmo)!É demais para ser sonho de miúda de uns cinco anos...

11:13 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Era mesmo assim.
Tambem fui trupista, como o Felicio, o Fernando Freire, o Vitor Costa, o Chaves,o Tomane, o Vasco, o Casais,o Serginho, o Estrela e outros mais.
As meninas ou senhoras dariam protecção com lenço na cabeça , e meias de "vidro" ( nada de sockets).
Havia a protecção de telha.....que seria debaixo de cobertura...etc.
Um dia um malandreco apareceu com uma telha à frente da nossa trupe. Claro que estava debaixo de telha e prosseguiu o seu caminho.
Como grande defensor de causas que seria a praxe no Bairro para os do Bairro, nunca rapei nenhum bicho ou caloiro do Bairro, a não ser o caloiro Benjamim. Mais por culpa dele.
Outros eram só para os escorraçar.
Que o diga o To Ferrão,o Carlitos Freire,o Pombalinho, Branquinho, Vitor Soares, Fanuka,Ze Afonso....etc
Era mais pelo gozo de os obrigar a saltar quintais e aproveitavamos assim para ir às laranjas...e à fruta.
Naquela em que raparam o Vitor Soares...eu não estava....eheheh

11:47 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Integrei algumas toupes,e até como chefe de troupe,pois cheguei a veterano.Só que rapanços, poucos e era apenas uma tesourada simbólica.
Oh Álvaro lembras-te das contra-troupes que se faziam para as ditas não entrarem no bairro?(principalmente enquanto fomos bichos ).E do grande terror que era o Manel Pais!!! ninguém escapava.E das mobilizações...Fui qdo caloiro mobilizado p/ a república Boa Bay Ela ( que ficava mm perto do liceu) e qdo vinhamos pelos loios p/ o liceu por lá via os caloiros a medir com um fósforo a largura da estrada,e qdo passava uma flausina havia que gritar " às armas",que era p/ os doutores virem à janela.... mal sabia eu que passados anos estava a desempenhar idênticas funções, e devo dizer que na tarde que lá passei não cheguei ao fim da contagem...pois era só coisa boa a passar...
Agora algumas "toupes?!" cheguei a fazer com o Vitor Leitão,nos dias frios de inverno,com a capa traçada a cobrir o nariz,lá saíamos do Silva e a 1ª paragem p/ uma ginginha era numa tasca no sinaleiro,perto de uma loja de ferragens,depois vitrice p/ aquecer;nova paragem numa tasca ao fim da rua do brasil perto do parque;nova paragem no Aeminium-aqui se houvesse alguns trocos era p/ meter uma bucha,seguiamos até ao terreiro da erva p/ + 1(?) ginginha, e ao mm tempo verificar se a relva tinha crescido muito....O regresso era feito pela linha do comboio.Chegados ao bairro ,eu como menino bem comportado ia p/ casa,e o Leitão ia fazer as suas voltas ao bairro mais o Eloi até às tantas....
Alonguei-me demais porque estou preso em casa devido ao mau tempo.
+ 1 ab do Chaves.

4:24 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Se bem me lembro fazíamos umas trupes bem civilizadas que até dava para escolharem o corte de cabelo:
à telefonista,à indio etc e depois vinham para os copos connosco!
e quanto a virem trupes de fora para o Bairro...nem pensar!abraço do fernando

1:28 a.m.  

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