HORRORES
A Santa Inquisição que durante séculos assolou com os seus horrores os povos que de alguma forma estavam sob a jurisdição, não pode ser esquecida. Porque crimes deste quilate não podem ser apagados da memória da Humanidade. Por muitos séculos que advenham.
Vem isto na sequência do que em tempos escrevi neste blog acerca de Galileu Galilei.
Foi nessa altura que em conversa com o Pombalinho este me deu conta da sua estupefacção pelo facto de se ter apercebido da ignorância da juventude acerca desta tenebrosa organização eclesiástica, que aterrorizou os povos com o beneplácito e com a colaboração do poder temporal.
Dá volta ao estômago recordar alguns dos métodos de tortura utilizados e quase não queremos acreditar que a maldade humana possa ter chegado a tais extremos. De facto, como então escrevi, o Homem, na sua desmedida arrogância e sede de poder, auto intitula-se como o ser dominador de toda a vida na Terra, esquecendo-se que, em toda a Natureza, não há um só animal, dito irracional, que alguma vez tenha feito algo tão horrendo contra os seus semelhantes.
Veja-se o requinte de que a mente humana é capaz, quando se trata de inventar os instrumentos e as técnicas para fazer mal:
Pera - Instrumento metálico em formato semelhante à da fruta. O instrumento era introduzido na boca, ânus ou vagina da vítima e expandia-se gradativamente. Era usado para punir, principalmente, os condenados por adultério, homossexualismo, incesto ou "relação sexual com Satã".
Cadeira - Uma cadeira coberta por pregos na qual a vítima era obrigada a sentar-se despida. Além do próprio peso do corpo, cintos de couro pressionavam a vítima contra os pregos intensificando o sofrimento. Noutras versões, a cadeira possuía uma bandeja na parte inferior, onde se depositavam brasas. Assim, além da perfuração pelos pregos, a vítima também sofria com as dolorosas queimaduras provocadas pelo calor das brasas.
Esmaga cabeças - Como um capacete, a parte superior deste mecanismo pressionava, através de uma rosca accionada pelo executor, a cabeça da vítima, de encontro a uma base na qual se encaixava o maxilar. Apesar de ser um instrumento de tortura, há registos de vítimas fatais que tiveram os crânios, literalmente esmagados por este processo. Neste caso, o maxilar, por ser menos resistente, é destruído primeiro; logo após, o crânio rompe-se deixando fluir a massa cerebral.
Mesa de evisceração - O condenado era preso sobre a mesa de modo que mãos e pés ficassem imobilizados. O carrasco, manualmente, produzia um corte sobre o abdómen da vítima. Através desta incisão, era inserido um pequeno gancho, preso a uma corrente no eixo. O gancho, como um anzol, extraía aos poucos os órgãos internos da vítima à medida que o carrasco girava o eixo.
Potro - Uma espécie de mesa com orifícios laterais. A vítima era deitada sobre a mesa e os seus membros, presos por cordas através dos orifícios. As cordas eram giradas com uma manivela, produzindo um efeito de torniquete, esticando progressivamente os membros do condenado.
Submersão - A submersão podia ser usada como uma técnica de interrogatório, tortura ou execução. Neste método, a vítima era amarrada pelos braços e suspensa por uma roldana sobre um caldeirão que continha água ou óleo a ferver. O executor soltava a corda gradativamente e a vítima ia submergindo no líquido fervente.
Empalação - A empalação consistia em inserir uma estaca no ânus, umbigo ou vagina da vítima, a golpes de marreta. Neste método, a vítima podia ser posta "sentada" sobre a estaca ou com a cabeça para baixo, de modo que a estaca penetrasse nas suas entranhas e, com o peso do próprio corpo, fosse lentamente perfurando os órgãos internos
Cremação - Este é um dos métodos de execução mais conhecidos e utilizados durante a inquisição. Os condenados por bruxaria ou afronta à igreja católica eram amarrados a um tronco e queimados vivos. Para garantir que morresse queimada e não asfixiada pela fumaça, a vítima era vestida com uma camisola embebida em enxofre.
Estiramento - a vítima era posicionada na mesa horizontal e os seus membros presos às correntes que se fixavam num eixo. À medida que o eixo era girado, a corrente esticava os membros e os ossos e músculos do condenado desprendiam-se.
Estas são apenas algumas da enorme plêiade de atrocidades que jamais podem ser esquecidas.
Numa altura em que no Brasil a igreja católica excomungou, com o argumento de defesa da vida (!!!), aqueles que realizaram um aborto a uma criança de 9 anos que engravidou de dois gémeos.
Sem uma única palavra de condenação para o autor das repetidas violações dessa criança...
Rui Felício
11-03-2009
Vem isto na sequência do que em tempos escrevi neste blog acerca de Galileu Galilei.
Foi nessa altura que em conversa com o Pombalinho este me deu conta da sua estupefacção pelo facto de se ter apercebido da ignorância da juventude acerca desta tenebrosa organização eclesiástica, que aterrorizou os povos com o beneplácito e com a colaboração do poder temporal.
Dá volta ao estômago recordar alguns dos métodos de tortura utilizados e quase não queremos acreditar que a maldade humana possa ter chegado a tais extremos. De facto, como então escrevi, o Homem, na sua desmedida arrogância e sede de poder, auto intitula-se como o ser dominador de toda a vida na Terra, esquecendo-se que, em toda a Natureza, não há um só animal, dito irracional, que alguma vez tenha feito algo tão horrendo contra os seus semelhantes.
Veja-se o requinte de que a mente humana é capaz, quando se trata de inventar os instrumentos e as técnicas para fazer mal:
Pera - Instrumento metálico em formato semelhante à da fruta. O instrumento era introduzido na boca, ânus ou vagina da vítima e expandia-se gradativamente. Era usado para punir, principalmente, os condenados por adultério, homossexualismo, incesto ou "relação sexual com Satã".
Cadeira - Uma cadeira coberta por pregos na qual a vítima era obrigada a sentar-se despida. Além do próprio peso do corpo, cintos de couro pressionavam a vítima contra os pregos intensificando o sofrimento. Noutras versões, a cadeira possuía uma bandeja na parte inferior, onde se depositavam brasas. Assim, além da perfuração pelos pregos, a vítima também sofria com as dolorosas queimaduras provocadas pelo calor das brasas.
Esmaga cabeças - Como um capacete, a parte superior deste mecanismo pressionava, através de uma rosca accionada pelo executor, a cabeça da vítima, de encontro a uma base na qual se encaixava o maxilar. Apesar de ser um instrumento de tortura, há registos de vítimas fatais que tiveram os crânios, literalmente esmagados por este processo. Neste caso, o maxilar, por ser menos resistente, é destruído primeiro; logo após, o crânio rompe-se deixando fluir a massa cerebral.
Mesa de evisceração - O condenado era preso sobre a mesa de modo que mãos e pés ficassem imobilizados. O carrasco, manualmente, produzia um corte sobre o abdómen da vítima. Através desta incisão, era inserido um pequeno gancho, preso a uma corrente no eixo. O gancho, como um anzol, extraía aos poucos os órgãos internos da vítima à medida que o carrasco girava o eixo.
Potro - Uma espécie de mesa com orifícios laterais. A vítima era deitada sobre a mesa e os seus membros, presos por cordas através dos orifícios. As cordas eram giradas com uma manivela, produzindo um efeito de torniquete, esticando progressivamente os membros do condenado.
Submersão - A submersão podia ser usada como uma técnica de interrogatório, tortura ou execução. Neste método, a vítima era amarrada pelos braços e suspensa por uma roldana sobre um caldeirão que continha água ou óleo a ferver. O executor soltava a corda gradativamente e a vítima ia submergindo no líquido fervente.
Empalação - A empalação consistia em inserir uma estaca no ânus, umbigo ou vagina da vítima, a golpes de marreta. Neste método, a vítima podia ser posta "sentada" sobre a estaca ou com a cabeça para baixo, de modo que a estaca penetrasse nas suas entranhas e, com o peso do próprio corpo, fosse lentamente perfurando os órgãos internos
Cremação - Este é um dos métodos de execução mais conhecidos e utilizados durante a inquisição. Os condenados por bruxaria ou afronta à igreja católica eram amarrados a um tronco e queimados vivos. Para garantir que morresse queimada e não asfixiada pela fumaça, a vítima era vestida com uma camisola embebida em enxofre.
Estiramento - a vítima era posicionada na mesa horizontal e os seus membros presos às correntes que se fixavam num eixo. À medida que o eixo era girado, a corrente esticava os membros e os ossos e músculos do condenado desprendiam-se.
Estas são apenas algumas da enorme plêiade de atrocidades que jamais podem ser esquecidas.
Numa altura em que no Brasil a igreja católica excomungou, com o argumento de defesa da vida (!!!), aqueles que realizaram um aborto a uma criança de 9 anos que engravidou de dois gémeos.
Sem uma única palavra de condenação para o autor das repetidas violações dessa criança...
Rui Felício
11-03-2009
Etiquetas: Rui Felicio


22 Comentários:
Rui
Li este texto com muita dificuldade. Nada que eu não soubesse ter existido e de como a mente humana é por vezes sinistra.
O que mais me preocupa é se hoje mesmo, sem que seja divulgado, estas práticas de tortura sobre seres humanos não continue a ser praticada.
Este texto deixa-me um enorme amargo na boca, mas fizeste bem recordar esta barbárie. Estas realidades de hoje ou de outrora não podem nem devem ser esquecidas ou escamoteadas.
Um abraço
Quito
Por estes horrores e outros quando eu, um dia me revoltava contra tudo e todos, meu Pai me disse:
Olhe, por vezes mais vale pensar no que a Biblia diz: Bendito sejais ignorantes...... e não podes crer endireitar o mundo com a tua maneira de ser justa. Em politica e religião nunca podemos aprofundar muito por causa das grandes incoerências que encontramos. Deixemos isso para os que o estudam. E é verdade!Com o continuar da vida vi que efectivamente isso é a realidade. O Eurico sabe tão bem quanto eu que continuam em alguns países a ser praticados tais modos mas...
Após o dia fabuloso passado em companhia de tantos amigos um texto relembrando as atrocidades da Santa Inquizição deixa-me muito deprimida.
Obriga-me a não esquecer que de uma maneira mais velada o mal continua instalado nos mais variados tipos de sociedade.
Recordo as retaliações, especialmente sobre mulheres, maquiavélicamente estudadas, nos países árabes.
A incisão do clítoris entre os povos africanos e até o aumento assustador da violência doméstica neste cantinho da Europa.
Pelo meio recordo ainda, a época hitleriana em que a degradação do homem tomou formas devastadoras.
O Sado- Masoquismo impera hoje nas sociedades ocidentais.
Pergunto eu... o que fazer para acabar com esta brutal desumanidade..
Rui,
Fiz exactamente esta comparação, quando ouvi a notícia a que te referes nos teus dois últimos parágrafos!
Com uma Igreja assim, onde é que vamos parar?
Bom texto.
Obrigado.
Alfredo
Felicio,
Não permitir que a memória se apague é uma forma inteligente de analisar o presente e preservar o futuro.
Bom texto. Parabéns. Um abraço.
Carlos Viana
Meu caro Felício:
Ando um pouco arredado destes comentários ,mas não posso deixar passar este.
Os métodos descritos eram o fruto da tecnologia dessa época e, sobretudo, do desejo desmesurado de dominar económica e socialmente os povos e manter as classes dominantes.
Mas isso foi num passado de trevas !
HOJE ?
Que tortura mais terrível é pegar numa pessoa, mete-la num avião e passar por diversos países, levá-la para um outro local para ser interrogada! ( torturada obviamente...) Que coisa mais terrível é a pessoa desaparecer, ninguém saber dela, ser torturada e poder desaparecer... Novos métodos.
Os governos levantam as suas vozes contra estes novos métodos? Não.
Reconhecem que colaboraram com estes novos métodos? Não.
E no entanto são capazes de condenar esses tempos, são capazes de pedir " desculpa" por esses tempos.
Outrora era a Igreja ao serviço das classes dominantes; Hoje é a classe dominante ao serviço do poder económico.
Hoje em dia mantém-se tudo na mesma:
aqueles que, ontem como hoje, não se querem sujeitar ao domínio das classes dominantes correm o risco de ser torturados e espezinhados.
Um abraço
Casais
Para contrapôr estes verdadeiros horrores, quero deixar aqui o que a minha prima Docha me mandou de San Francisco, Califórnia:
One seed can start a garden
One smile can lift a spirit
One candle can light a room
One conversation can start a frienship
One step can begin a journey
One heart can love many...
nem precisa de tradução, tal é a sua evidência...não são horrores, são verdades verdadeiras...
Horrores...
A Inquisição e os seus processos de purificação de almas...
O caso da menina do Brasil...
O falar-se da pobreza em que tanta gente vive, lá do alto, vestidos a rigor num Vaticano que cheira a grandiosidade e riqueza.
Nem tudo vai bem na Igreja, e a defesa da vida deixa muito a desejar. Com as devidas excepções, obviamente. Como em tudo na vida.
Meus amigos, ainda bem que a vida tem outra face.
É essa que neste momento estou a aproveitar.
Estou feliz mas muito feliz!!!!
Há alguém que queira vir ter comigo para brincar?
Aí vai outra directa...
Só falta o adversário...
Embora horrorizada, acho que nunca é demais relembrar o que mentes demoníacas inventavam para punir o seu semelhante, em nome de uma religião que pregava o amor ao próximo.
Que ironia ... e que cinismo, que continuam a perpetuar-se nos nossos dias.
Isabel Parreiral
Parece que o álvaro abriu as portas para pôr o correio em dia, coitado, deve star afogado...
Mana
hoje podemos jogar ping-pong aqui, ao vivo e em directo...
Com isto assim, até ninguém apareceu no semáforo...
e estão todos com muito respeitinho, por enquanto...
Para que é que estão a provocar?
Querem mais inquisição?
Horrores bárbaros, estes e muitos mais que acontecem em cada minuto
no Mundo...Mas a Igreja,SENHOR?
Pois é Ri-Ri
o nosso santatoninho
está "diabólico" "feliz" e "engraçado" neste dia de repceção
aos anónimos e à possibilidade de
diálogo imediato...até eu...era tão
chato esperar pela postagem e comentários!
olinda
Olinda, linda
Ai é???? de numérico passei a nosso santantoninho, diabólico feliz e engraçado??? em que é que ficamos, ou acumulo tudo????
Não se podem negar estas e outras atrocidades aplicadas por quem apregoa(va) o amor ao próximo mas tambem não devemos deixar de as localizar no tempo para que a avaliação seja mais correcta. Será sempre uma nódoa na memória mesmo que um Papa ,em nome dessa Igreja,tenha tido a humildade de pedir publicamente perdão por tal conduta.
Infelizmente, não foi só a Igreja que teve tais práticas; até nos tempos que correm, em que o respeito pelos Direitos Humanos está mais desperto, continuamos,infelizmente, a ter notícia de casos,numerosíssimos, de igual calibre, ao mesmo tempo que são esquecidas,ou omitidas,acções meritórias de ajuda desinteressada ,de promoção de povos seja pela Igreja ou outras Organizações.
A memória dos horrores não pode (não deve) ser apagada mas não fiquemos imobilizados no negativo.
Júlia Faustino
Meu Caro Rui.
Li o teu texto e tambem o comentário dos amigos.
Ontem fiquei chocado quando ao chegar a casa vejo crianças na tv Guiné com correntes e cadiados nos pés a mando dos pais por causa da droga(para não chatiarem)...
Carlos
Júlia Faustino, aqui estamos de pleno acordo.
Atrocidades... Muitas... Mas não sejamos fundamentalistas.
GRANDIOSA e GRATUITA obra meritória se encontra hoje e sempre, regulada pela Igreja.
Em muitas regiões por esse mundo fora, é só mesmo ela, a única organização auxiliadora junto das populações,no que diz respeito á sua sobrevivência, desenvolvimento económico e cultural
Ao escrever este texto o que quiz realçar é a crueldade humana e o seu cinismo.
Gostamos de dizer umas coisas ( boas e de aplaudir ) e fazer outras ( horrorosas e inexplicáveis ).
Dei o exemplo da Inquisição como poderia ter dado outros exemplos.
Que é matéria que não falta, infelizmente.
Não se trata portanto de qualquer fundamentalismo ou intenção direccionada num só sentido...
E actualmente há a "Burocratização" que é outra tortura mais lenta, mas não menos dolorosa...
Eu entendi-te, rapazito...
O texto é bem interessante e elucidativo da barbárie humana.
O meu comentário surgiu, apenas, em complemento do teu.
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