MORTALIDADES… Capitulo X
•• UM ÙLTIMO BANHO PARA REJUVENESCER !... ••
Mais uma oportunidade para nós, os sexagenàrios, de rejuvenescermos um pouco mais!...
Este tema simboliza o programa do ùltimo dia da nossa viagem imaginaria. Um mergulho no passado e nas tradições daquela malta!. Uma escapada ao ar livre através dum conjunto de emoções e vivências da nossa juventude conimbricense.
Para nós, a palavra "Bairro" evoca imagens de uma época, malta, aventuras... muita vida!
3° Dia: Estudos – Férias - Amor
Alvorada! atenção, o check-out das bagagens sera feito antes da partida para as excursões. É favor descerem as malas junto da recepção. Como a noite passada foi longa, despertador romãntico com músicas daquele tempo … a whiter shade of pale!... love me tender!...
Pequeno almoço à base de marmelada, dôce de tomate, cacete, pão de bico, rabanadas, leite fresco de vaca fornecido pela Giada, ou o pelo Zé Leiteiro. Encontro com as nossas guias competentes ainda despenteadas, as manas Helena e Isabel Parreiral. Embarque em aviões de papel para um imaginàrio cruzeiro aéreo.
Partimos à descoberta de Coimbra... « do fértil Portugal quase no centro a vistosa Coimbra està fundada » o esplendor da secular Universidade, o traje universitário tradicional dos estudantes, a sua Biblioteca Barroca, as doces e claras àguas do Mondego, onde a cidade se reflecte com vaidosa feminilidade. Segundo os historiadores, Coimbra tem a sua origem em Aeminium, povoação romana fortificada existente no local da nossa actual cidade.
Descoberta panoramica dos famosos "centros" da educação daquela geração, culminancia das epocas escolares. A escola, um dos raros sujeitos que interessa potencialmente o mundo inteiro. A sua ausência, està na origem de verdadeiros dramas e tragédias... na nossa tradição lusa, até pais e avós iam à igreja rezar... pedir simplesmente uma ajuda espiritual para que os exames corressem bem... visita de algumas escolas primarias daquele tempo: a do Bairro na rua "volta-atrás", a do professor Franco perto do sinaleiro, a dos Combatentes, Magistério Primario, Brotero, colégios St. Luiz Gonzaga, Alexandre Herculano, Rainha Santa. Os liceus D. Maria (cavalinhas) e D. João III (cavalinhos ) e por ultimo a Universidade de Coimbra. É de salientar a importancia da Universidade de Coimbra, a mais antiga universidade portuguesa. Esta instituição, uma das maiores do país, remonta ao século seguinte ao da própria fundação da nação portuguesa, dado que foi criada no século XIII, em 1290... « o que diferenciava a Academia de Coimbra das outras Universidades do País era a sua unidade. Em primeiro lugar estava o estudante de Coimbra e só depois o seu curso. Rui Felicio em Cavalinho Selvagem».
Paragem para um passeio a pé... uma oportunidade para sentir o pulso Académico através das solas dos pés e viver a natureza de bem perto. O Penedo da Saudade: um "miradouro romantico" da vida académica que funcionou e funciona como uma "ancora" historica da comunidade estudantil. Diz também a tradição que D. Pedro, encontrava neste "sitio" o refúgio certo para carpir as suas saudades de Inês de Castro, pelo que teria sido ele a dar à Pedra do Vento o nome de Penedo da Saudade. Continuação pelo Jardim Botãnico: não so é de considerar o seu valor no aspecto didatico, como ainda pela beleza do seu traçado... muitos namoros e exames ali se prepararam. O nosso cruzeiro continua... olhando para o lado direito... ao longe, ali perto do estàdio da Académica... vê-se a igreja de São José... do memoravel padre Anibal, do sacristão "marreco"... da nossa missa, catequese, confissões, comunhões, batizados, casamentos e enterros... continuação da excursão até à Portela do Mondego e aterragem no areal do rio!... a chegada, para abrir o apetite... vai tudo à pesca. Três opções são propostas: a linha, a cansar os peixes correndo atràs deles ou à toca!...
Pique-nique "cù na areia e pés na àgua" para experimentar os sabores e odores de uma das mais criativas gastronomias: cocktail de boas-vindas com cervejas frescas e tremoços. Almoço buffet a base de peixe do rio assado com molho escabeche quente, broa de milho e tinto de Almalaguês, tigeladas, doce de abóbora e canela. Tempo livre para para ir banho...
Depois duma ganda sesta, embarque a bordo do tradicional Barco Serrano para um cruzeiro prestigioso. Visita da margem esquerda com passagem pelo Templo do Manicomio, residência dos navegadores "uszanónimuz". Visita da sala das mumias. A navegação continua rio abaixo, com uma paragem para observar dois antigos sistémas de rêga ali utilizados: a "nora que deus têm" onde a àgua era tirada do rio, e a Picota, instrumento inventado pelos àrabes para tirar agua dos poços... constituída por dois pedaços longos de madeira, um deles na posição vertical. O outro, perpendicular ao primeiro, tem numa extremidade um peso e no outro um recipiente para a água. Na margem direita, vê-se um imponente laranjal. Esta zona, de facto, produzia muita laranja... quando naquele tempo haviam "cheias"... só se viam laranjas pelo rio abaixo... continuação da navegação em direção do Rebolin e da Lapa... renomadas praias frequentadas pela malta.
Sea, sex and sun!... agora, a bordo de papagaios... partida para um cruzeiro aéreo simbolo das "férias grandes"... um deslumbramento.... a praia da Figueira, a praia de Mira... as férias que todos esperavamos, a familia junta, os colegas daqui, dali e dacolà reencontrados. Era compartilhar prazeres, jogos... castelos de areia onde bastava juntar areia húmida e usar a criatividade para fazer torres, corredores e túneis, campismo, grandes aventuras, flirts e amores de forma ludica... "sealed weth a kiss!... all you need is love!... only you!..."
Figueira da Foz, foz do rio Mondego, a praia da claridade... no período áureo da vida da Figueira, era então considerada a mais bela e mais cosmopolita praia do país, rainha da Costa da Prata. Uma praia sem fim de areia quente e fina... um picadeiro, musica, reclames radiofonicos e discos pedidos, miùdas sem fim!... bolos e bolachas americanas, gelados... não chorem... não chorem... jà vou!. Buarcos, que testemunha o modo português de viver o mar. A sua praia, a fortaleza, os Caras Direitas... a serra da Boa Viagem.
A praia de Mira, começou por ser uma terra de pescadores. Em zona de lagoas, dunas, pinhais, ribeiros, caniçais, floresta e palhais, podemos encontrar uma diversidade de fauna e flora que nos surpreende. Possui bastantes restaurantes na avenida da Barrinha... entre os quais o famoso Mirasol que por si só, servia de cenário privilegiado para o convívio e a degustação de muitos flirts!... Os veraneantes cavalinhos e cavalinhas daquele tempo, desfrutavam da barrinha, do parque de campismo, da floresta que se estende até à Serra da Boa Viagem.
Antes do voo de retorno á realidade... tempo livre destinado à iniciação aos jogos daquele tempo, com a participação de dois cavalinhos com grande dote pedagogico, a Nela e o Vasco Agoas. Jogos propostos: estátua, ao lençinho, ao "gungunhana" aos policias e ladrões... mãos ao ar!.., ao prego, á lerpa, ao abafa, aos botões, a roda bota fora, as cricas, com ciclistas na areia, à moeda, aos matrecos, ao bilhar, á casca de porta a porta, as escondidas, as cavalitas, ao berlinde, ao catrapone… á macaca até chegar ao céu, á cabra-cega!
- cabra-cega, donde vens?
- venho da serra!
- o que me trazes?
- trago bolinhos de canela!
- dá-me um!
- não dou!
- gulosa... gulosa... gulosa …
… ainda hoje continuam naquela... guloso... guloso... mas é só pr'a brincar... nada de ilacções apressadas diriam « em coro e sem entrave » o Rui Felicio, o Alfredo e o Alvaro!...
Partida para a realidade! esperamos a sua visita de regresso em breve!
Souvenirs oferecidos a todos os turistas: um pifaro de barro e um chupa-chupa!
Até pr'a semana... se Deus quizer!
Ciao e um dia (noite) porreiro (a) para todos!
Carlos Falcão
Etiquetas: Carlos Falcão


14 Comentários:
Após a leitura do teu texto, nem sei que dizer... estou emocionada.
Da tua escrita ressua... saudade... fraternidade...amor e paixão.
Levaste-me aos locais mais emblemáticos e recônditos da nossa cidade, às lindíssimas praias da nossa adolescência e à essência da nossa amizade.
Revivi... contigo, inesquecíveis momentos.
Ao terminar... uma pena profunda... por ser esta, a última etapa das nossas viagens comuns.
Continua connosco.Eu te peço.
Embeleza os nossos dias com outras experiências da tua vida que serão, decerto... igualmente fascinantes.
Gostei de te conhecer e não abdico da tua amizade.
Grata por mais esta FABULOSA VIAGEM de retorno, a tão felizes dias da minha vida.
Notável, Falcão!Sou um admirador do teu modo de contar histórias!
Carlos,
Já disse e repito: - Escreves duma forma simples e interessante, mas o importante é que consegues transmitir-nos tudo o que te vai na alma e não temos alternativa que não seja seguir-te nessas viagens loucas de saudades.
Fui contigo, segui-te incondicionalmente e tive pena de regressar tão cedo!!!
Um Abraço e continua a viajar que me terás sempre como companheiro.
Hèlàs!
Fiquei sem fôlego.
Tanta sinceridade, sensibilidade e saudade e tudo num só jôrro!
É de ir às lágrimas...
Continua meu amigo!
Carissimo Carlos:
Para um poema como este proponho-te, como música de fundo:
Schubert - Le Voyage Magnifique.
Não sei se o Franz merece mas tu fazes-lhe um favor.
Abraços do Jorge
Li o relato desta viagem fantástica em velocidade moderada e tenho que confessar que cheguei ao fim da leitura com a"língua de fora".Bem cansada mas deliciada.Continua meu amigo porque eu gosto muito de ti e do que tu escreves.Um grande beijo da GINA FAUSTINO
É realmente muito BOM ler-te, Carlos.
Parabéns e obrigada.
Beijos.
Juju.
Mais uma boa Maratona que percorri
com entusiasmo, contagiada pelo
sprint à Carlos Falcão...a correr,a correr mas sem se perder pitada...e sabor!
olinda
Bolas Falcão!!! que pedalada!!!
Parecias o Raul Matias da Sicasal Acral...desculpa lá mas era o meu ciclista preferido e era cá da Beira Baixa eheheh...
QUITO
Como eu gostei destas tuas palavras... Transportaram-me ao meu tempo de moçoila e deixaram-me uma saudade imensa.
Conheci-te só na Rota da Lampreia mas pude ver, por aquelas tuas lágrimas de emoção, que és um ser maravilhoso e amigo do teu amigo.
Sê sempre assim.
Um beijo e um xi apertadinho
Já é longa a noite,mas não quero deixar para depois o meu reconhecimento pelo convívio e partilha que foi a tua maravilhosa viagem.
Um fluxo de emoções comuns a tantos de nós, e que revelam as potencialidades da tua fantástica forma de as dizer, que desvendam a sensibilidade de uma alma afectuosa,a capacidade intelectual analítica e uma íntima sabedoria patente em tudo aquilo que escreves.
Carlos Falcão, é sempre um gosto ler os teus textos.
Nela Dias
Um dicionario de Português da Coimbra Editora faz-me companhia desde sempre!
A leitura deste texto do meu amigo de infância Carlos Falcão fez-me folheá-lo e procurar duas palavras: 1ª - saudade = sentimento melancólico causado pela ausência ou pelo desaparecimento de pessoas ou coisas a que se estava afectivamente muito ligado, pelo afastamento de um lugar ou de uma época, ou pela privação de experiências agradáveis vividas anteriormente; A 2ª = nostalgia - sentimento de tristeza motivado por profunda saudade, especialmente de quem se sente estranho, longe da pátria...
Claro que a saudade e a nostalgia andam de mãos dadas e fazem parte das minhas emoções e este belo texto fez-me recordar com muita saudade nostalgicamnte as viagens do nossa infância!
Bravo Carlos ! Sem vedetismos ou vaidades, continua a escrever o que te vai na alma!!!
Um abraço
De NYC
José Leitão
Amigo Carlos Falcão
Deixei para tempo oportuno,( que o não tenho tido... ), a leitura do teu texto.
Como quem guarda a melhor guloseima para com ela se deliciar numa altura em que o frenesim e o stress lho permitam.
E não me arrependo. Valeu a pena a espera...
Agora que a li, uma vez mais me deliciei com a tua profusão de ideias mescladas e encadeadas que, por obra e graça da tua sinceridade, no fim acabam por nos fazer descobrir o fio condutor que as une, que as prende...
É o fio condutor do teu amor ao bairro e a todos nós. Que mereces ver retribuido por mim e por todos...
Um abraço Falcão!
Falcão
Bela descrição de memórias!
As viagens acabaram?!!
Nem penses...Toca a organizar mais e mais.
Nunca me esquecerei da frase que me disseste enquanto dançavamos no Centro,"Então aqui há bailes?Conta-me,conta-me tudo..."
Ávido de saber,de recordar,matar saudades!
Até para a semana.
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