TARDE INESQUECIVEL
Como estava combinado, ela foi ter com ele...
Às três da tarde entrou, começou a ficar ansiosa, o coração palpitava mais forte, o sangue rosava-lhe as faces...Enquanto esperava, meio deitada, meio sentada, as mãos dela suavam, as pernas tremiam-lhe, o corpo estremecia-lhe, deixava-a de lábios abertos, sorvendo o ar que lhe faltava, quase sem conseguir respirar.Quando ele se aproximou e a envolveu, sentiu o bafo quente da sua respiração, olharam-se nos olhos, e ela ficou subitamente tensa, imóvel, com a cabeça revolta por um turbilhão de pensamentos, de medos, de vontades...
A pouco e pouco foi desistindo de resistir e entregou-se nas mãos dele.
Delicada mas firmemente ele envolve-a, invade-a, explora-a e vai-lhe pedindo que nada receie, porque será carinhoso e cuidadoso...
Mesmo assim, ela deixa escapar de vez quando um suave gemido, menos de dor, mais de ansiedade...
Quando ele termina, a paz relaxante fá-la descontrair, o coração gradualmente aquieta-se e minutos depois, recupera o fôlego e levanta-se ainda cambaleante.
Despedem-se, ele abre-lhe a porta, ela sorri-lhe e sai...
Pelo caminho até sua casa ela não consegue deixar de pensar naquela hora de suprema tensão, ainda sente na boca o gosto daqueles momentos inesquecíveis e à noite, deitada sozinha na sua cama, as insónias não lhe permitem tirar da cabeça aquela hora passada na cadeira do dentista.
Rui Felício
27-03-2009
Etiquetas: Rui Felicio


14 Comentários:
Desta vez enganas-te-me.
Só mesmo no último parágrafo dect
etei a origem de tais emoções.
Curioso!...
São exatamente as mesmas das...de outras circunstâncias.
Que bom é... ir ao dentista.
Ah, ah, ah!!!
Quando começo a ler o que o Rui escreve, nunca sei como acabará. Mas já vou desconfiada. Sei que haverá alguma surpresa. Ri mesmo!
Um beijo
Romicas
Inquietante, perturbante, emocionante, exasperante e sobretudo, final frustrante...
Será sempre a incógnita dos epílogos...
Juju.
Felício, a tua cabeça por dentro e por fora não é redonda, deverá ser um octógono ou hexágono....as voltas que dás às palavras, a volúpia que transmites para mandares uma senhora para a broca de um dentista, só de um cérebro cheio de arestas e de rotundas...no bom sentido, claro! Como descreverias então por exemplo uma senhora tentando vestir umas collants com um braço ao peito? Ou ter de utilizar numa emergência uma casa de banho de um Café, onde faltou a luz e sem saber onde procurar o papel e sem saber de que lado estava a maçaneta da porta??? Tenta descrever essa agonia….Obrigada e um Abraço Isabel Melga
Eu é que estou com o cérebro cheio de arestas.
Desculpem lá o erro.
Foi do embalo...
Oligócefalo!
Isabel,
Obrigado pelas ideias que o teu cerebro idealizou, também ele por certo labirintico,mas que contem verdadeiras auto estradas que interligam as arestas e as rotundas que todos têm...
Registo-as...
Todavia, em relação a uma delas, penso que será mais aliciante a senhora de braço ao peito tentar despir, sofrega, as suas collants, em vez de, irritada, as tentar vestir.
Quanto à outra situação, a ideia não é nova. Fiquei a conhecê-la quando tu em Vagos a resolveste de forma definitiva, arrombando a porta da casa de banho...
Rui Felício
UF!ainda bem que apareceu a cadeira do dentista...
Um sexogenário já está preparado para as partidas do nosso Rui.É um encanto a forma como acaba podia ser tambem num cabeleireiro de senhoras.
Abraço Carlos
Bingo Felício! Boa resposta ao meu desafio provocatório, só que eu nem ia aflita, nem tinha a luz apagada. A porta é que sucumbiu de desalento por não ter visto o que esperava, eu não despi nem vesti nada!!!! E Uma sexagenária já nem provoca tufões nem tsunamis! Há há há há!!! Isabel Melga
Os tufões e tsunamis podem vir donde menos se espera, minha Cara Isabel...
Inclusivé, e especialmente, de ti própria, cuja energia e vivacidade são bem patentes!
A idade apenas mantém adormecidas as suas origens, mas quando acordam...
Nem te digo, nem te conto!
Inesperadamente, um final que não se imaginava.
Parabéns
Pedro Santos
( Baia - Brasil )
Rui
Agora leio os teus textos sempre "de pé atrás"...
É sempre um prazer ver onde vai parar tanta imaginação...
Desta vez, comecei a ler e já esperava qualquer coisa no género.
Mas vou aproveitar a sugestão do Quito e começo logo a rir
Um beijo
Ló Gaspar
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