EDUCAÇÕES MODERNAS
Era o primeiro ano do Paulinho na escola para onde entrara há dois meses e já tinha o seu novo computador “Magalhães”.
Andava entusiasmado! Já dominava perfeitamente os jogos, os acessos à internet, tudo!
O pior é que à noite era um castigo para ele se ir deitar. Aquilo já era demais...Certa noite, a mãe proibiu-o de abrir o computador e obrigou-o a ir para a cama. O miúdo fez um berreiro infernal e ela para tentar acalmá-lo resolveu contar-lhe uma história:
- Quando a noite caiu... – começou ela.
O Paulinho nem a deixou prosseguir:
- A noite caiu? Ela magoou-se, mãe?
- Não, meu filho, não foi isso que eu quis dizer. Vou começar de novo:
- Quando a noite apareceu...
De novo o Paulinho:
- Mãe, a noite telefonou a avisar que ia aparecer? Ou ela apareceu do nada, como a mãe diz quando a avó Conceição vem cá a casa?
- Não, Paulinho! Ela não apareceu do nada, a noite aparece sempre, toda a gente está à espera dela ao fim do dia e é sempre bem vinda.
- A mãe quer dizer que a avó Conceição não é bem vinda?
A mãe, já impaciente, perdeu o controle:
- Eu não disse isso, filho! O que eu quero dizer é que a noite quando chega, não fica a olhar para ver se o chão está bem limpo.
Também não fica a olhar para as tuas mãos para ver se as unhas estão cortadas, e, muito menos, não diz que o pai está magro, que não se deve estar a alimentar bem...
Nem que as camisas dele estão muito mal passadas a ferro...
E também não diz que os vidros das janelas estão a precisar de uma limpeza a sério...
De novo, o Paulinho:
- Mãe, parece que a mãe não gosta da avó Conceição! Vou dizer ao pai que não gosta da mãe dele, coitadinha...
- Eu gosto tanto dela, é tão boazinha para mim...
O menino Paulinho começou a chorar, e a mãe, já muito irritada, receando que o filho fosse contar ao marido o que ela tinha acabado de dizer, adopta nova postura:
- Esquece a história, Paulinho, pronto! Não chores...
- Hoje deixo-te ir para o computador, vai lá...Só hoje!
O Paulinho, sem perceber nada, pára de chorar, levanta-se e vai a correr, eufórico, abrir o computador.
Como a mãe esperava, nem pensou mais na história...
Clicou várias vezes no teclado do “Magalhães”, e ficou encantado ao ver correrem no monitor sucessivas imagens de meninas quase sem roupa ou mesmo despidas...
Andava entusiasmado! Já dominava perfeitamente os jogos, os acessos à internet, tudo!
O pior é que à noite era um castigo para ele se ir deitar. Aquilo já era demais...Certa noite, a mãe proibiu-o de abrir o computador e obrigou-o a ir para a cama. O miúdo fez um berreiro infernal e ela para tentar acalmá-lo resolveu contar-lhe uma história:
- Quando a noite caiu... – começou ela.
O Paulinho nem a deixou prosseguir:
- A noite caiu? Ela magoou-se, mãe?
- Não, meu filho, não foi isso que eu quis dizer. Vou começar de novo:
- Quando a noite apareceu...
De novo o Paulinho:
- Mãe, a noite telefonou a avisar que ia aparecer? Ou ela apareceu do nada, como a mãe diz quando a avó Conceição vem cá a casa?
- Não, Paulinho! Ela não apareceu do nada, a noite aparece sempre, toda a gente está à espera dela ao fim do dia e é sempre bem vinda.
- A mãe quer dizer que a avó Conceição não é bem vinda?
A mãe, já impaciente, perdeu o controle:
- Eu não disse isso, filho! O que eu quero dizer é que a noite quando chega, não fica a olhar para ver se o chão está bem limpo.
Também não fica a olhar para as tuas mãos para ver se as unhas estão cortadas, e, muito menos, não diz que o pai está magro, que não se deve estar a alimentar bem...
Nem que as camisas dele estão muito mal passadas a ferro...
E também não diz que os vidros das janelas estão a precisar de uma limpeza a sério...
De novo, o Paulinho:
- Mãe, parece que a mãe não gosta da avó Conceição! Vou dizer ao pai que não gosta da mãe dele, coitadinha...
- Eu gosto tanto dela, é tão boazinha para mim...
O menino Paulinho começou a chorar, e a mãe, já muito irritada, receando que o filho fosse contar ao marido o que ela tinha acabado de dizer, adopta nova postura:
- Esquece a história, Paulinho, pronto! Não chores...
- Hoje deixo-te ir para o computador, vai lá...Só hoje!
O Paulinho, sem perceber nada, pára de chorar, levanta-se e vai a correr, eufórico, abrir o computador.
Como a mãe esperava, nem pensou mais na história...
Clicou várias vezes no teclado do “Magalhães”, e ficou encantado ao ver correrem no monitor sucessivas imagens de meninas quase sem roupa ou mesmo despidas...
Rui Felicio
08-04-2009
08-04-2009
Etiquetas: Rui Felicio


13 Comentários:
Este puto é precoce. Resta saber se também tem binóculos para a ver a vizinha da frente que tem 20 anos na casa de banho...
E mais uma história actual, pertinente e sempre bem vinda, do Felício.
Também me consumo com as noitadas do meu neto no computador.
Como temo pelo futuro desta gente!
Um abraço, Felicio, sabes que te leio...sempre.
Oh Quito, já vejo que estás melhor...
com 20 anos, hem! e se fosse de 25?
Beijinhos
Comente ou não sai sempre diferente
Paulinho! Puto esperto!
Eles agora já nascem ensinados!...
Magalhães, televisão e jogos... mesclados de passeios, brincadeiras, leituras, desporto e estudo, fazem os miudos brilhar.
Conheço essas observações que me deixam surpresa e maravilhada.
São difíceis as respostas mas com "muita" calma e amor, chega-se a um consenso.
Namorado e muito "dengue", já existem por aqui.
É o despertar.
Coram as faces, ilumina-se o olhar... mas cenas muito mais quentes espero que venham muito mais tarde.
Mais um curioso e engraçado texto.
GRANDE PEDALADA,RUI.
Educações Modernas e malandrices dos mais velhos...
Quito tens os teus binóculos escondidos onde?
E a vizinha da frente, fora da casa de banho tem quantos anos???
Beijitos e Feliz Páscoa.
Juju.
Esperto o cachopo...já com a escola toda do pai - "macho"- e já seu aliado contra a mãe - "mulher"-.
Que duas boas palmadas naquele rabo...a parecer bem!
Então,QUITO,a vizinha está há 20 anos na casa de banho? Será o pai do puto que terá que usar os binóculos...
maria
que merda de estória
O Rui F. e os seus contos com fim desconcertante.
Quando leio os seus textos, divirto-me a tentar adivinhar a "volta" que a história vai dar no final. Em vão!
Isto...não é para amadores...
As sogras,essas vítimas...
O Magalhães tem muito valor,para além de despertar para as novas tecnologias,ainda contribui para a educação sexual.
Até o doentinho fala dos binóculos para ver a vizinha!
Toda a conversa do puto levava água no bico...
Não passou de estratégia para fazer a mãe desistir.
Eles sabem muito mais do que nós lhes ensinamos.
Isabel Parreiral
Entendi o Rui. E acrescento.
Todos nascemos, crescemos e vivemos no mesmo ambiente sócio-cultural. Por isso é natural que (re)conheçamos, directa ou indirectamente, os mesmos factos da vida: as crianças com pouco sentido metafórico mas com um grande habilidade no jogo chantagista, a sogra intrometida, etc. Felizmente a natureza fez-nos a todos diferentes. Mesmo gémeos homozigóticos são distintos. É por isso natural também que perante a mesma realidade os nossos sentimentos sejam diversos. A tecnologia, que hoje faz parte do nosso quotidiano, tem um lado alienante e eventualmente perverso. Essa preocupação está em mim enraizada e partilho-a convosco. É um facto também da vida de hoje esta delegação da educação: na escola, na rua, hoje nos computadores. Nós demitimo-nos! Somos egoístas! Mas devo confessar que a tecnologia, em particular os computadores a Internet e as suas imensas possibilidades também podem ter um papel muito positivo. Que o digam todos nós que passamos longas horas no blogue e que ficamos incomodados quando não vemos a foto que todos os outros vêm :-))! Mas não só para nós pode ser positivo. Também para filhos e netos e o que mais vier por aí.
Acresce que no meio de tanta dúvida que tenho, aparece uma certeza: com o Magalhães não é possível, de todo, ver meninas (rapazes) quase sem roupa ou mesmo despidas(os). Com todos os defeitos que tem (e tem) o Magalhães é (pode ser) um facto positivo! Sinto isso, quase todos os dias, com a minha filhota de 7 anos a brincar e a aprender com o seu pequeno Magalhães... E eu adoro a minha sogra!!!
Jó-Jó
O Jo_jo, observador como sabemos que é, referiu o essencial do comportamento do miudo que estive quase a escolher como titulo para o texto:
Chantagem
Quanto ao Magalhães foi apenas uma blague...
SEi que os sites mais escabrosos da internet não são visiveis...
O mesmo não direi dos computadores dos deputados da AR
Rui Felicio
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