EXPERIMENTAÇÕES
Eram ambas mulheres novas, mas suficientemente adultas e conhecedoras da vida...
Lidia, uma esbelta mulher, dinâmica, olhar profundo, algo intimidativo, era professora de danças de salão, nos Alunos de Apolo.
A sua aluna Sandra, igualmente bela, distinguia-se dela pela melancolia do seu olhar, pelo ar meigo e distante, pela pacatez, o que a tornava uma apetecível mas quase inacessível mulher.
...........
- Lidia, recebi o teu recado, querias falar comigo?
- Sandra, minha querida, sei que tens gostado muito do curso de dança e das aulas.
- Sim, é verdade!
- Mas estou preocupada contigo! Pareces-me ausente, sem entusiasmo, desinteressada da vida, embora sejas uma das nossas melhores bailarinas - disse inquisitiva a Lidia.
- Desde a morte prematura do meu marido que deixei de apreciar a vida, isso é verdade, respondeu-lhe a Sandra, pensativa, com os olhos no tecto...
De chofre a professora Lidia, disparou:
- Sandra! nunca reparaste no interesse que o Alfredo tem por ti? Só um cego não vê como ele está apaixonado, menina! Vive a vida, não te feches em recordações de momentos que não voltam...
- Mas eu julgava que o Alfredo fosse teu namorado, Lidia! Não sei porquê, mas pensava...
A professora riu-se muito e explicou-lhe que eram apenas bons amigos de há muitos anos. Nada mais do que isso.
- Sandra, mereces e precisas que a tensão sexual encoberta e reprimida em ti se solte! Temos que incentivar isso! - decidiu a Lidia com o seu habitual ar autoritário...
...........
A Lidia fechou a porta, fixou os seus olhos verdes, ávidos e sensuais nos olhos da Sandra. Fê-la estremecer de constrangimento, mas também de curiosidade.
Os corpos de ambas aproximaram-se sem que nenhuma delas tivesse feito nada para essa aproximação. O toque dos dedos da Lidia no cabelo, na cara, nos braços da Sandra pareceu a ambas fruto do acaso, nada que estivesse pensado. Algo invisível fazia os dedos da Lidia deslizarem levemente na pele aveludada da Sandra. Os braços envolviam-na sem lhe tocarem, mas era o suficiente para a Sandra sentir o sangue do seu corpo refluir a uma velocidade estonteante. Ela ainda não percebia se gostava do que sentia ou se tudo não passava de uma ilusão, de uma situação escabrosa segundo os parâmetros da sua educação.
Queria fugir de vergonha, mas a doçura da proximidade da Lidia obrigava-a a permanecer quieta, esperando por mais, por melhor...
A experiente Lidia levou até ao extremo a sua sedução para obrigar a Sandra a soltar os seus desejos contidos e reprimidos desde a morte do marido.
Aproximou os seus lábios entreabertos, dos lábios da Sandra. Mas não a beijou... ficou a milímetros, fazendo-lhe sentir a sua respiração, mas não consumando o beijo...
.......................
E, de repente, sem que a Sandra percebesse a razão, comandou com voz imperativa:
- Agora sai, Sandra! Vai para casa! E pensa se queres ou não aproveitar o amor do Alfredo.
Passou uma noite de insónias, dividida entre como seria ter ao pé de si o belo rapaz que era o Alfredo, e a lembrança das incríveis sensações que a Lidia lhe fez despertar depois de dois anos de viuvez.
No dia seguinte dançou na escola com o Alfredo, por decisão da professora. Sentiu como era bom ser conduzida pelos braços fortes do Alfredo, estremecendo a cada toque mais intimo das suas mãos, do seu corpo...
Algum tempo depois casaram. A professora sentia-se feliz por ter proporcionado o enlace..
Depois de um mês de lua de mel, a Sandra voltou à escola. Queria falar com a Lidia.
- Lidia, vim ver-te...
- Sandra, querida, que bom! Dou-te os meus parabéns. Perdi os meus alunos dilectos, mas estou muito feliz pelo vosso casamento.
A Sandra aproximou-se da Lidia, calada, com um olhar provocante e estranhamente impetuoso. Pegou-lhe na mão e beijou-lha, aquecendo-a, humedecendo-a. Os seus lábios estavam vermelhos, sedentos...
A mulher segura e dominadora que era a Lidia olhou espantada e um tanto assustada, para a irreconhecível Sandra, sem perceber o que ela iria fazer, mas receando adivinhar...
A Sandra aproximou-se mais e sussurrou-lhe ao ouvido:
Cala-te e faz tudo o que eu te mandar. Envolveu-lhe suavemente o corpo, passou os lábios no seu pescoço, acariciou-a longamente e, por fim, deu-lhe o beijo na boca que da outra vez não tinham chegado a consumar.
...........
Depois, explicou-lhe:
Eu queria experimentar para poder comparar entre o teu beijo e o do Alfredo...
Para isso tinha que acabar contigo aquilo que da outra vez não chegámos a acabar...
Sou muito tua amiga, és uma mulher muito atraente, mas ainda bem que casei com ele... – disse a Sandra com uma sonora gargalhada...
Rui Felício
01-04-2009
Lidia, uma esbelta mulher, dinâmica, olhar profundo, algo intimidativo, era professora de danças de salão, nos Alunos de Apolo.
A sua aluna Sandra, igualmente bela, distinguia-se dela pela melancolia do seu olhar, pelo ar meigo e distante, pela pacatez, o que a tornava uma apetecível mas quase inacessível mulher.
...........
- Lidia, recebi o teu recado, querias falar comigo?
- Sandra, minha querida, sei que tens gostado muito do curso de dança e das aulas.
- Sim, é verdade!
- Mas estou preocupada contigo! Pareces-me ausente, sem entusiasmo, desinteressada da vida, embora sejas uma das nossas melhores bailarinas - disse inquisitiva a Lidia.
- Desde a morte prematura do meu marido que deixei de apreciar a vida, isso é verdade, respondeu-lhe a Sandra, pensativa, com os olhos no tecto...
De chofre a professora Lidia, disparou:
- Sandra! nunca reparaste no interesse que o Alfredo tem por ti? Só um cego não vê como ele está apaixonado, menina! Vive a vida, não te feches em recordações de momentos que não voltam...
- Mas eu julgava que o Alfredo fosse teu namorado, Lidia! Não sei porquê, mas pensava...
A professora riu-se muito e explicou-lhe que eram apenas bons amigos de há muitos anos. Nada mais do que isso.
- Sandra, mereces e precisas que a tensão sexual encoberta e reprimida em ti se solte! Temos que incentivar isso! - decidiu a Lidia com o seu habitual ar autoritário...
...........
A Lidia fechou a porta, fixou os seus olhos verdes, ávidos e sensuais nos olhos da Sandra. Fê-la estremecer de constrangimento, mas também de curiosidade.
Os corpos de ambas aproximaram-se sem que nenhuma delas tivesse feito nada para essa aproximação. O toque dos dedos da Lidia no cabelo, na cara, nos braços da Sandra pareceu a ambas fruto do acaso, nada que estivesse pensado. Algo invisível fazia os dedos da Lidia deslizarem levemente na pele aveludada da Sandra. Os braços envolviam-na sem lhe tocarem, mas era o suficiente para a Sandra sentir o sangue do seu corpo refluir a uma velocidade estonteante. Ela ainda não percebia se gostava do que sentia ou se tudo não passava de uma ilusão, de uma situação escabrosa segundo os parâmetros da sua educação.
Queria fugir de vergonha, mas a doçura da proximidade da Lidia obrigava-a a permanecer quieta, esperando por mais, por melhor...
A experiente Lidia levou até ao extremo a sua sedução para obrigar a Sandra a soltar os seus desejos contidos e reprimidos desde a morte do marido.
Aproximou os seus lábios entreabertos, dos lábios da Sandra. Mas não a beijou... ficou a milímetros, fazendo-lhe sentir a sua respiração, mas não consumando o beijo...
.......................
E, de repente, sem que a Sandra percebesse a razão, comandou com voz imperativa:
- Agora sai, Sandra! Vai para casa! E pensa se queres ou não aproveitar o amor do Alfredo.
Passou uma noite de insónias, dividida entre como seria ter ao pé de si o belo rapaz que era o Alfredo, e a lembrança das incríveis sensações que a Lidia lhe fez despertar depois de dois anos de viuvez.
No dia seguinte dançou na escola com o Alfredo, por decisão da professora. Sentiu como era bom ser conduzida pelos braços fortes do Alfredo, estremecendo a cada toque mais intimo das suas mãos, do seu corpo...
Algum tempo depois casaram. A professora sentia-se feliz por ter proporcionado o enlace..
Depois de um mês de lua de mel, a Sandra voltou à escola. Queria falar com a Lidia.
- Lidia, vim ver-te...
- Sandra, querida, que bom! Dou-te os meus parabéns. Perdi os meus alunos dilectos, mas estou muito feliz pelo vosso casamento.
A Sandra aproximou-se da Lidia, calada, com um olhar provocante e estranhamente impetuoso. Pegou-lhe na mão e beijou-lha, aquecendo-a, humedecendo-a. Os seus lábios estavam vermelhos, sedentos...
A mulher segura e dominadora que era a Lidia olhou espantada e um tanto assustada, para a irreconhecível Sandra, sem perceber o que ela iria fazer, mas receando adivinhar...
A Sandra aproximou-se mais e sussurrou-lhe ao ouvido:
Cala-te e faz tudo o que eu te mandar. Envolveu-lhe suavemente o corpo, passou os lábios no seu pescoço, acariciou-a longamente e, por fim, deu-lhe o beijo na boca que da outra vez não tinham chegado a consumar.
...........
Depois, explicou-lhe:
Eu queria experimentar para poder comparar entre o teu beijo e o do Alfredo...
Para isso tinha que acabar contigo aquilo que da outra vez não chegámos a acabar...
Sou muito tua amiga, és uma mulher muito atraente, mas ainda bem que casei com ele... – disse a Sandra com uma sonora gargalhada...
Rui Felício
01-04-2009
Etiquetas: Rui Felicio


17 Comentários:
Como é que dizia o Camões??? Julgue-o quem o não pode experimentar, mas experimente-o quem o não pode julgar...se não era assim, era mais ou menos...
Um belo texto e uma escrita de grande qualidade à qual o Rui Felício nos habituou desde há muito.
A situação é interessante e actual!
O Alfredo não sou eu, mas poderia muito bem ser!
Alfredo
Quem não sentiu... o jogo delicioso da sedução!Quem não viveu... as emoções sentidas... e reprimidas... tão bem descritas pelo Rui Felicio!
A curiosidade do texto está especialmente, no duo a que elas ficou sujeito e na reviravolta usada com mestria pelo Rui, a fim de não ofender a moral vigente.
Gostei.
Foi real, ousado e provocador.
Gosto de gente liberta de tabús.
Surpreendente, como sempre.
Claro que gostei.
Romicas
agora temos homossexualidades!
Manuel
E, como sempre, o Felicio aborda temas interessantes com mestria mas sem surpresa, nós já estamos habituados.
Ló
Tens que aprender a ler Manuel Crisóstomo.
Em nenhum lado se fala de homossexualidades.
Pelo contrário, a conclusão final é a de que essa opção final foi descartada.
Mas soubesse eu que isso te afligia tanto, teria imaginado outro epilogo, quanto mais não fosse para validar o teu comentário...
Está bem ganhaste a taça!
Só que eu detesto aberrações da natureza.
Manuel Crsóstomo
Parabéns Rui. Mais um belo texto..
MANUEL CRISÓSTOMO
Qual é a motivação para se ser ofensivo e desagradavel para com os outros? Não é mais fácil ser-se cordial e cultivar a amizade? Podemos discordar ou não gostar de um texto e até pôr os nossos pontos de visa de uma forma construtiva...vá junta-te a nós e não utilizes o blog para um permanente conflito. Dizes que foste censurado? Respeita para que justamente te possas sentir respeitado...
Mesmo com o nome ficticio de "Elisio" colabora...
Cordialmente
QUITO
Esperava que a Sandra tivesse gostado mais do beijo da Lídia...
Seria um amor diferente do dito "normal"...mas seria também amor!
São realidades que também fazem lindos romances na literatura.
Olinda
ERRATA:
Perceberam que é Manuel Crisóstomo e não "Elisio". De qualquer forma o comentário mantém-se e é extensivo a todos os que por vezes são menos correctos nas apreciações que fazem...
QUITO
Alto lá.. Eu não escrevi aquilo ali atrás!
Gostei do texto, mas nada de lesbianices!
Olinda
Quem és tu Quito?
Se era para mim é uma coisa se era para o Elísio é outra, e eu já disse que não gosto de aberrações da natureza. Por isso não percebo o teu comentario.
Manuel Crisóstomo
cá para mim o crisostomo é gay :)))
" aberração"??
Haja Deus !!!
duas pequenas e ainda por cima uma melhor do que a outra?
... velhos tempos:)))
o Felício è danado :))) ... e ainda por cima escreve bem!!!
CHICO
Se tu és o CHICO, o legítimo, obrigado pelo elogio.
Se és um clone, obrigado na mesma.
Rui Felício
Chico Gravata na peida é um descanso
Maria Julia
Olha que agora comigo como administrador eu nao permito essa linguagem!
Tininho, menina!
Pedro
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