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domingo, 10 de maio de 2009

A TODOS OS PAIS, A AOS QUE AINDA SÓ SÃO FILHOS

QUERIDO FILHO,
No dia em que esteja velho e já não seja eu, tem paciência e tenta entender-me.

Quando, todos comem, e eu não conseguir; quando não puder vestir-me: tem paciência.
Recorda as horas que passei a ensinar-te.

Se, quando falar contigo, repetir as mesmas coisas mil e uma vezes, não me interrompas e escuta-me
Quando eras pequeno, na hora de dormir, eu tinha de te explicar mil vezes o mesmo conto repetidamente até teres sono.

Não me envergonhes quando não quiser tomar banho, nem me ralhes.
Recorda quando tinha de andar atrás de ti e as mil desculpas que inventavas para não tomares banho.

Quando vires a minha ignorância diante das novas tecnologias, e te pedir que me dês todo o tempo necessário, não me irrites com o teu sorriso amarelo. Eu ensinei-te a fazer tantas coisas... Comer bem, vestir-te... e como enfrentar a vida. Muitas coisas são produto do esforço e perseverança dos dois.

Quando em algum momento perder a memória ou o fio à nossa conversa, dá-me o tempo necessário para me recordar. E se não puder fazê-lo não te enerves, seguramente o mais importante não era a minha conversa: a única coisa que queria era estar contigo e que me ouvisses.

Se alguma vez não quiser comer, não me obrigues. Sabes bem quando necessito e quando não.
Quando os meus membros cansados não me deixarem caminhar... ...dá-me a tua mão amiga da mesma maneira que eu ta dei, quando tu começavas a dar os teus primeiros passos.

E quando algum dia te disser que já não quero viver, que quero morrer, não te enfades. Um dia entenderás que isso não tem nada a ver contigo, nem com o teu amor, nem com o meu.

Tenta entender que na minha idade já não é viver mas sobreviver.
Um dia descobrirás que, apesar dos meus erros, sempre desejei o melhor para ti e sempre tentei preparar o caminho
que tu havias de fazer.

Não te deves sentir triste, enfadado ou impotente por me veres desta maneira.
Fica ao meu lado, tenta entender-me e ajuda-me como eu te fiz quando tu estavas a começar a viver.

Agora, toca-te a ti acompanhar-me no meu frouxo caminhar.
Ajuda-me a acabar o meu caminho, com amor e paciência.
Eu pagar-te-ei com um sorriso e com imenso amor que sempre tive por ti.

Amo-te, filho.
O teu pai,
a tua mãe,
os teus avós...

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7 Comentários:

Blogger cota13 disse...

Grande realidade esta.
Um Abraço.
Tonito.

11:08 p.m.  
Blogger Isabel Parreiral disse...

Comovente...
Quando já não há horizontes de esperança, quando a fraqueza e a insegurança roubaram a autonomia, chegou a oportunidade de os filhos devolverem o esforço, a dedicação e o amor que lhes permitiram alicerçar as suas vidas.

11:24 p.m.  
Blogger Lekas Soares disse...

Maravilhoso! E assim será quando deles precisarmos, estou crente.
Eduquei-os para serem amigos, carinhosos e também orgulhosos dos seus Avós, Bisavó e de todos os Ansiãos que deles necessitarem.
Sou disso exemplo para eles.
Que a minha sensibilidade seja um espelho para eles.

12:37 a.m.  
Blogger Isabel Melga disse...

Seria assim que deveria ser, eu fiz isso acompanhei os meus Pais até ao fim apesar de terem uma fase de sofrimento longa. Mas por fim havia ajudas, enfermeiras e não só, por parte da Família. Na doença o mais importante é a estaca afectiva e económica, não tenhamos ilusões. Só em casos extremos eu admitiria deixar os meus Pais irem para qualquer lado.Nem os netos aceitariam isso. Mas atenção não podemos falar gratuitamente. Há casos dramáticos em que os filhos ou estão a trabalhar ou então tão doentes como os Pais. Havendo meios financeiros arranjam-se sempre soluções, alguém que ajude e faça as noites e acompanhe durante o dia, evitam sair do seu meio das suas referências. Ficam muito descompensados e desorientados. Mas Quando a família é pobre e reduzida como é? Não gosto de falar pela boca de ninguém. Eu defendo e pratiquei isso, manter os Pais no seu meio Familiar com carinho e cuidados. Mas não falo pelos sentimentos dos outros. Nem conheço as razões das pessoas que os colocam em Lares. Não me devo pronunciar. Os actos ficam com quem os pratica, não é assim?Isabel melga

11 de Maio de 2009 1:01

1:09 a.m.  
Blogger Isabel Melga disse...

Só me permitam acrescentar mais um pormenor, existem Pais que são eles próprios a recusarem-se a estarem em casa da Família, são independentes. Ou então tornam-se muito agressivos e até fogem de casa e perdem-se, há muitas razões e cada caso é um caso. Só desejo que eu e de quem eu gosto, (sejam familiares ou amigos), se mantenham lúcidos até sempre e acabem os seus dias com dignidade e sem sofrimento!Isabel Melga

11 de Maio de 2009 1:23

1:25 a.m.  
Blogger olinda Rafael disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

4:26 p.m.  
Blogger ai kei dcair disse...

Não consegui ler tudo de uma só vez.Como entendo este texto...Gina Faustino

5:39 p.m.  

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