O Efemero - Foi ha 1 ano
O Efemero
Só as coisas invisiveis são eternas e os afectos também. Mas, aexistência é demasiado efémera para vivê-los.
Já tantos partiram!. Hoje a D.Amélia,mãe do Rui Mesquita, era daquelas pessoas que parece que não nos vão deixar nunca, sempre com um sorriso. Ainda apelou pela minha ajuda, mas já fui em vão...Estou triste.
Já tantos partiram! Nossos pais, nossos amigos, nossos vizinhos. Os meus vizinhos, da minha geração, o Arnaldo Mendonça,companheiro de "patifarias" do Quim e do Lau. A Natália, um coração generoso, e o Zé Carlos.
O José Carlos Fernandes Costa, mais do que um vizinho, era um" familiar" . De compleição frágil, sei que no inverno, o Professor Martins, o mandava para a rua apanhar sol, para que não tremesse de frio nas aulas. Ainda miúdo, todas as distâncias eram mil quilómetros que perante a nossa incredulidade reduzia para cem, acabando por ser :"como daqui ao Sr.Lino", a loja da Rua Y,( hoje Moçambique ) e que lhe servia de ponto de referência. Era muito engraçado.
À medida que ia crescendo,consolidadva a amizade aqui na minha casa,de forma
mútua, completamente!.Prestável,sempre atento,no caso de ser preciso alguma coisa.
Mais novo do que eu, para mim era o irmão que não tive.Para os meus pais era igual. Tanto pagavam a multa da falta da licença do isqueiro para não ter que dizer ao pai, como se fazia a geleia propositadamente porque ele gostava. Tanto o ajudavamos a descobrir a vida, como a desvendar caminhos. Garcia Lorca diz que a Poesia é uma palavra dita a tempo.Nós fomos poetas. Quer na ansiedade de algumas circuntâncias, quer na calma de um olhar atento, ou apenas a reinventar sonhos acordados.
Estivemos sempre , como porto de abrigo de uma vida muito breve, como foi a dele. Fomos a terra firme e a estrêla habitável para partilhar.Deixou uma filha, a Cristina. E a sogra que me perdoe, mas tenho que repetir a expressão que emprega: O Zé Carlos,foi um anjo que passou por aqui...
Por tudo isto, muitas vezes escuto a voz do Profeta: " ...Todo o corpo é como a erva e passa como a flor dos campos; de manhã está verde, e à noite amarelece e seca,porque o sopro do Senhor passou sobre ela..." Penso que ele e todos de que gostamos, estão numa atmosfera calma, pacifica, radiosa, para lá das nuvens e dos ventos, para além do crepúsculo e da noite, sem tempo e na eternidade. Que estão vivendo agora mais do que nunca, perto de nós e dos quais apenas nos separa a distância de uma oração.
Porém, outras vezes, tantas outras vezes,..."morro" de uma saudade sem limites...
Nela Dias
Já tantos partiram!. Hoje a D.Amélia,mãe do Rui Mesquita, era daquelas pessoas que parece que não nos vão deixar nunca, sempre com um sorriso. Ainda apelou pela minha ajuda, mas já fui em vão...Estou triste.
Já tantos partiram! Nossos pais, nossos amigos, nossos vizinhos. Os meus vizinhos, da minha geração, o Arnaldo Mendonça,companheiro de "patifarias" do Quim e do Lau. A Natália, um coração generoso, e o Zé Carlos.
O José Carlos Fernandes Costa, mais do que um vizinho, era um" familiar" . De compleição frágil, sei que no inverno, o Professor Martins, o mandava para a rua apanhar sol, para que não tremesse de frio nas aulas. Ainda miúdo, todas as distâncias eram mil quilómetros que perante a nossa incredulidade reduzia para cem, acabando por ser :"como daqui ao Sr.Lino", a loja da Rua Y,( hoje Moçambique ) e que lhe servia de ponto de referência. Era muito engraçado.
À medida que ia crescendo,consolidadva a amizade aqui na minha casa,de forma
mútua, completamente!.Prestável,sempre atento,no caso de ser preciso alguma coisa.
Mais novo do que eu, para mim era o irmão que não tive.Para os meus pais era igual. Tanto pagavam a multa da falta da licença do isqueiro para não ter que dizer ao pai, como se fazia a geleia propositadamente porque ele gostava. Tanto o ajudavamos a descobrir a vida, como a desvendar caminhos. Garcia Lorca diz que a Poesia é uma palavra dita a tempo.Nós fomos poetas. Quer na ansiedade de algumas circuntâncias, quer na calma de um olhar atento, ou apenas a reinventar sonhos acordados.
Estivemos sempre , como porto de abrigo de uma vida muito breve, como foi a dele. Fomos a terra firme e a estrêla habitável para partilhar.Deixou uma filha, a Cristina. E a sogra que me perdoe, mas tenho que repetir a expressão que emprega: O Zé Carlos,foi um anjo que passou por aqui...
Por tudo isto, muitas vezes escuto a voz do Profeta: " ...Todo o corpo é como a erva e passa como a flor dos campos; de manhã está verde, e à noite amarelece e seca,porque o sopro do Senhor passou sobre ela..." Penso que ele e todos de que gostamos, estão numa atmosfera calma, pacifica, radiosa, para lá das nuvens e dos ventos, para além do crepúsculo e da noite, sem tempo e na eternidade. Que estão vivendo agora mais do que nunca, perto de nós e dos quais apenas nos separa a distância de uma oração.
Porém, outras vezes, tantas outras vezes,..."morro" de uma saudade sem limites...
Nela Dias
Pub.Set08
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