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quinta-feira, 24 de julho de 2008

O ANTES E O AGORA - ABILIO SOARES


Quer se queira quer não queira
o tempo sem tempo passa por nós
duma forma inexorável
violenta indiscriminada e de tal forma
sistemática e definitiva
que vai deixando na sua passagem
traços bem marcados e indescritíveis
do tempo que por nós passou
são rugas vincos bochechas adiposidades
a visão e o ouvido que se perde
deixamos de crescer para cima
para crescer para o lado
arfamos quando corremos
e deixamos de arfar noutras circunstâncias
chutamos a vida em cada momento para a frente
na certeza de que o caminho percorrido
não se repetirá jamais
na vã esperança de que tudo é ainda possível
Vejam como estou no agora
porque o antes já é conhecido
e eu que até olho todos os dias
para a cara que me aparece à frente no espelho
até julgo que não mudei
porque serei sempre eterno
na memória dos que me não esquecerão.
Abílio Soares

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11 Comentários:

Blogger cota13 disse...

Abílio, mas que grande categoria, estás só com mais uns anos por cima (como todos nós).
UM ABRAÇO.
TONITO.
BOM ANO.

12:21 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Olá Abílio!
O texto está fantástico. Parabéns pela jovialidade, o resto são pormenores.. Um abraço do trio Belinha, Candita e Titá

10:26 a.m.  
Blogger Rui Felicio disse...

gostei especialmente da frase:

arfamos quando corremos
já não arfamos noutras circusntâncias


Mas, Oh Abilio, estás com aspecto de que arfas em qualquer circunstância

Rui Felício

10:37 a.m.  
Blogger Rui Pato disse...

Abílio, que saudades que eu tenho do tempo em que nos juntávamos para fazer música e tu eras o mestre do contra-baixo...
Ainda conservas esse intrumento e ainda o tocas?

12:04 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Às vezes tomo café com o Abilio e a Zeca.
Ele está um jovem, quer queira, quer não, sobretudo quando chega o neto e ele fica todo babado.
Vocês deviam ver a ternura daquele Avô.
A Zeca está uma jovem, simpática, como sempre.
Para os dois um beijinho

1:47 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Abílio,
Também gostei do teu texto que teve o mérito de pôr a Belinha Candita e Titá, a falar em uníssono!
Só discordo quando dizes: "e eu que até olho todos os dias
para a cara que me aparece à frente no espelho
até julgo que não mudei"
Discordo não por ti, mas por mim, é que quando me olho ao espelho, vejo uma imagem que não condiz com a mentalidade, que ainda estou mais maluco de que quando tinha 30 anos e começo a pensar que aquele corpo não pode ser o meu!
É um desespero!!!

1:53 p.m.  
Blogger Teresa B disse...

Faço minhas as palavras do Alfredo e acrescento:dá-me vontade de partir o espelho!!!!!

Teresa B.

3:18 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Quando nos olhamos ao espelho é que nos apercebemos que os anos passam sem darmos por isso.
Mas o que interessa a embalagem?
Estás um jovem...da minha geração.
Beijinhos da Helena Parreiral

3:38 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

É curioso que toda a gente se lamenta da idade que tem.
A mim da-me cá um gozo ter a idade que tenho e fazer o que ainda faço.
Ha uns anos atras é que não acreditava que viesse a ter e a manter estas capacidades.
Ate me consigo surpreender a mim mesmo.
As artroses e a ciatica por vezes é que me molestam, mas ca me vou rindo para elas. Agora do acido urico só o bigode é que dá mostras desses ataques.Está russito demais.
Não o irei pintar, isso nunca.

5:36 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Q te hei-de dizer eu se temos mantido durante todos estes anos relacionamento estreito? Ñ te posso notar diferenças por nos vermos frequentem/. Até porque tb de ti e da Zeca, sou médica. Beijocas. Juju.

9:23 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

Meus Amigos
A todos agradeço os comentários.
Ao Tonito, às famosas e sempre simpáticas mosqueteiras Belinha/Candida/Titá, ao Rui Felício que até arfa quando surfa(?) à Ló, à Teresa B.(?),à Lena Parreiral, à Isabel B.(?),ao Álvaro (Gr.Chefe Apache), à Ju.

Quanto ao Alfredo tens razão. Há uma grande diferença do passar do tempo pelo corpo ou pelo espírito, veja-se naquele clic que até faz com que possamos rir de nós próprios. A prova provada que o espírito é muito menos vulnerável à passagem do tempo é todo o nosso comportamento neste Blog, em que, inalteraveis à traição deste corpo que teima em se transformar, agimos aqui e agora como se o tempo não tivesse passado. Mas cuidado com os alemães Alzeimer/Parkinson ...

Pois é Rui Pato o contra-baixo foi-se. Estava guardado na cave dos meus Pais e quando o fui buscar para tentar recuperá-lo estava irremediávelmente perdido. Foi pena porque aquele contra-baixo tinha uma longa história. Pertenceu à Tuna e viajado por África, foi adquirido por 1000 paus. Depois andou comigo nos "famosos" Tigres, Beatniks, Ligeira do Orfeão até que a tropa me chamou e passou à tal situação definitiva de arquivo.

Para as ninas beijinhos
Para os ninos abraços
Abílio

-Vou de férias até breve-

2:46 a.m.  

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